Por Felipe Freitas

Pedro Valverde é um brasileiro que atualmente reside em Londres e tem em artistas como Nicolas Jaar, David August, Amirali e Seth Troxler suas principais referências. Seus últimos releases foram assinados por selos do porte de Go Deeva Records, Radiola, Thousand e Playperview e mostram uma identidade artística e sonora bastante interessante, principalmente em faixas como Gravity e Nebulos, que apesar de distintas, possuem a criatividade como ponto em comum.

Ás vésperas de seu lançamento pelo selo Waldliebe Familien, que chegará ao mercado com remix de Ricardo Albuquerque, Pedro falou com exclusividade com a nossa equipe. Confira o resultado desse bate-papo:

1- Olá Pedro, tudo bem? Bom, como e quando você iniciou sua carreira? O que te influenciou e te apresentou para esse mundo mágico que é a música eletrônica?
Olá! Acredito que antes de pensar em ser um Produtor de musica eletrônica, a musica esteve presente em toda minha vida de algum jeito, rodeado por primos músicos e um pai de um gosto musical inigualável, suficiente base para entender que a musica seria minha eterna companheira. Não tão tarde, veio o interesse por instrumentos, logo de cara me identificando com instrumentos de corda em um caminho sem volta eu já estava começando a tentar de alguma forma me expressar com a musica. No mundo magico da musica eletrônica eu fui influenciado por diferentes raízes, uma delas foi a dance music dos anos 80, 90 com um groove único, e a outra foi o psy trance, com sua elegância em detalhes e atmosferas versáteis, tudo isso naquele momento de minha vida foi me mostrando o quão longe a musica eletrônica poderia ir em diferentes caminhos e sem limites.
2- Recentemente, você se mudou do Brasil para a Inglaterra, deixando de lado o público brasileiro. O que representou para o seu lado artístico essa mudança?
 
Eu sempre almejava aquele momento de bater as asas sozinho pelo mundo, sabia que em um certo momento precisaria de um tempo totalmente dedicado a mim, para me conhecer melhor tanto no lado artístico e pessoal e estou realmente aproveitando este momento único. Essa mudança representa meu crescimento e desenvolvimento como artista, ampliando meu conhecimento e despertando interesse em diferentes raízes no campo da musica eletrônica, tal como o projeto experimental que venho desenvolvendo ao longo do ano de 2016 com Harry Wilkson (Guitarrista, compositor), um grande amigo inglês, que juntos estamos experimentando o Jazz, Funk, Downtempo, Dub entre outras camadas que gostamos.
Essa mudança me representou um passo muito importante, totalmente focado em meu desenvolvimento.
 
3- O momento atual do Brasil é tão eclético que as pessoas tem consumido muito pouco de muito gênero sem se aprofundar. Como você enxerga esse atual cenário do mercado?
 
A música brasileira é muito rica, com várias culturas musicais, desde a influência dos africanos, europeus e sul americanos, mas só que o consumismo musical está sendo atacado pela mídia através de uma imposição de gostos duvidosos, mas assim mesmo temos muita boa música no meio dessa imposição. O momento é eclético no brasil, pois a maioria das vertentes musicais estão se difundindo agora, onde atualmente existem núcleos bem conceituados que estão propagando diversidade na cultura da musica eletrônica brasileira, através de celebrações culturais que exploram diferentes vertentes da musica eletrônica, como Dekmantel SP, ODD, Mamba negra, Gop Tun entre outros.
A imagem pode conter: uma ou mais pessoas, céu, óculos de sol, nuvem e atividades ao ar livre
 
5- Você já lançou em selos como a Go Deeva, Playperview, Radiola e recentemente um ep pela gravadora Plano B records. Como você inicia a sua produção e o que te faz determinar o caminho que a faixa vai tomar?
 
Todo meu processo de criação é bem natural, você não pode controlar o processo criativo, tem de se render totalmente, ao meu ver o processo criativo é como uma borboleta, tem de fechar o olhos, estender a mão, e visualizar ela pousando em sua mão, e quando acontece é magico, depois deixe-o tomar conta de você, invadir sua pessoa.  A criatividade e o processo criativo é um estado de espírito, tem de acontecer sem estar ciente, este assunto é difícil de explicar, pois não se pode colocá-lo em palavras. Uma vez que se sente a faísca da criação e ela começa a acontecer, nunca mais você se esquece, e quanto mais fizer melhor nos tornamos nisso ficando mais tempo nesta onda, podendo entrar e sair quando quiser da zona.

6- Quando viajamos para fora de nossa cultura e temos novas informações, essas nos inspiram a criar e impulsionar algo dentro de nós. O que você tem visto na Europa de label, músicas, artista e festas que te movem e que você não tinha presenciado no Brasil?
 
Quando ainda estava no brasil, sentia a necessidade de estar em contato com uma cultura diferente inspirando a criar e impulsionar esse “algo dentro de nos”, em outras palavras com sede e fome de informação. Aqui venho ampliando o meu gosto e conhecimento musical de uma forma bruta, sendo em festas, concertos, coletivos ou festivais onde todos eles estão pelo mesmo ideal, a celebração da vida, musica e a boa energia. Dois momentos marcantes para mim em 2016 foram os concertos de David August live @ Live Koko, London e Nicolas Jaar live @ Granade Studio, Manchester. Labels que realmente me chamaram a atenção e mostraram seu diferencial por terem um publico realmente interessado em troca de informação e diferentes belezas sonoras, foram Half Baked (London), One Records, Toy Toy, Boneca entre outros.
 
7- O que podemos esperar o Pedro Valverde em 2017?
 
Sinto que estou entrando este ano em um processo aprofundado na qualidade sonora e em meu conhecimento próprio onde estarei fazendo testes de muita coisa nova que venho misturando e introduzindo na minha produção do dia a dia, como por exemplo o meu projeto de Jazz onde venho ampliando conhecimentos e somando diferentes estilos. Estou entusiasmado com este ano importante cheio de grandes detalhes, meu primeiro release de 2017 sai em maio pela Waldliebe Familien Rec com remix do Ricardo Albuquerque.
 
8 – Para finalizar e manter a tradição de nossas entrevistas: O que a música eletrônica representa na sua vida?
 
Celebrar a vida.