Alataj entrevista Rafael Bado

A Laguna Music é um núcleo independente de Curitiba em exercício desde 2015. Projetada inicialmente como um festa itinerante que já ocupou os mais diferentes espaços da cidade com seus eventos disruptivos e regados à boa música, a marca também opera como uma gravadora desde o ano passado e já conta com mais de 10 produções originais lançadas no mercado, divididas entre artistas locais, nacionais e internacionais.

Iniciativas como essa estão espalhadas pelo país em diferentes proporções. Elas são as principais responsáveis pelo fomento da cena eletrônica em suas micro regiões e também para o desenvolvimento de toda a indústria em um âmbito nacional. Não fosse o trabalho realizado por marcas como a Laguna, provavelmente estaríamos fadados a consumir um produto ditado pelos padrões internacionais e pouco acessível ao amplo público.

O valor transformador que esses movimentos possuem é amplamente reconhecido pelos principais players do mercado, que passam a contribuir com eles a partir de ações colaborativas. Prova disso é o espaço aberto pela marca EOL, originária de Orlando, para a Laguna a comemoração dos 4 anos de Laguna Music na primeira edição do festival que acontece em Curitiba neste sábado, 10 de novembro. Em antecipação ao evento, Rafael Bado, sócio-fundador do coletivo curitibano, falou com exclusividade ao Alataj:

Alataj: Olá, Rafael! Tudo bem? Que tal começarmos falando sobre os primeiros dias da Laguna? Como a marca surgiu e como vocês chegaram nesse nome?

Rafael Bado: E aí Alan! Tranquilo? Muito obrigado pelo convite, hoje por um acaso eu vi que fazem exatos 4 anos da primeira Laguna que fizemos (30/10/2014)! Em 2014 eu conheci o Alberto Petri por causa de algumas festas que fiz na minha casa e logo ele me apresentou para o nosso outro sócio, o Gregory, que já tinha inventado o nome Laguna por causa de uma lagoa muito famosa que tinha um por do sol avermelhado chamada Laguna Roja. Na época o objetivo era mais despretensioso e as festas eram num formato sunset, onde as pessoas podiam levar a própria bebida.

Nossa primeira festa ia rolar na cobertura de um amigo nosso, mas no final das contas o síndico cancelou tudo um dia antes com + de 200 antecipados vendidos. O resultado foi que a gente falou pra galera que a festa tava bombando tanto que iriamos ter que mudar de uma cobertura pra uma mansão – Skyline eventos. A festa ocorreu super bem, com mais de 450 pessoas e logo rolaram diversas outras edições que fizeram a coisas continuar indo pra frente.

A Laguna se tornou um coletivo forte em Curitiba muito por conta da boa sequência de eventos que vocês emplacaram em diversos picos da cidade. Quão importante o dance floor tem sido nesse processo de consolidação que vocês estão passando?

Sempre que me perguntam o que é que eu considero mais importante dentro de tudo a resposta é sempre a mesma: o dancefloor! Eu acho que o principal objetivo do DJ é ter a leitura de pista e colocar todos para dançar. Atualmente dentro da Laguna já tivemos a oportunidade de trabalhar com mais de 12 artistas internacionais, dentre eles Popof, Patrick Topping, Marco Faraone e Dennis Cruz. Sem dúvidas todas essas experiências de pista participaram do nosso amadurecimento como label, nos fizeram entender melhor nosso público e também nos mostraram o que gostamos e o que não gostamos!

Não só nos nossos eventos, mas em todas as festas da cena que tenho oportunidade de aparecer estou presente. É na pista que acontece o networking e onde você descobre pessoas novas. Também é na pista que você descobre os sons do momento que fazem as pessoas dançarem e principalmente é lá que a mágica acontece [risos].

Paralelamente as festas, temos o label Laguna Records. Como vocês tem buscado equilibrar essas duas frentes de trabalho para que tudo faça sentido?

Não só a nossa gravadora, mas acredito que todos os trabalhos que eu faço seja dentro da QG Agency, ou dentro de portais que participo com colunas como a Techno Perfect e a SOMMA+ estão interligados. Todas as atividades são suplementares e me ajudam a chegar cada vez mais longe dentro daquilo que eu quero fazer, como por exemplo a tour de um artista internacional que vai tocar na Laguna sendo realizada pela agência, com lançamento agendado na gravadora e matérias sendo lançadas tanto na SOMMA quanto na Techno e em outros portais parceiros.

Dentro da Laguna sempre tivemos o objetivo de ter uma gravadora, lançar músicas pro mundo inteiro ouvir e escutar nossos artistas preferidos dando suporte para as tracks que gostamos – além de ter a oportunidade de lançar muitos deles em nosso selo. A maneira mais rápida de ter acesso ao lançamento destes artistas, principalmente nomes mais fortes, é recepcionando eles em festas e tour. Então acredito que o trabalho em ambas as frentes acaba fazendo sentido e se complementando cada vez mais.

Sabemos que a Laguna possui um time de residentes forte e bem engajado. O que você pode nos contar sobre esse relacionamento com os artistas? Como vocês chegaram em cada um dos nomes que compõe o time neste momento?

Atualmente a Laguna possui um time de 3 residentes: Thariel, CAOAK e PETRI. Todos eles estão vivenciando as melhores fases de suas carreiras, com passagens por clubs ao redor de toda a região Sul, como a recente data do PETRI no Matahari, closing set do Thariel fechando para Sidney Charles e Technasia ao lado do Club Vibe na Usina 5, ou os trabalhos do CAOAK, que recentemente fechou a Vibe do Karmon e possui diversos projetos ao lado da Laguna e da Radiola Records.

O PETRI e o Thariel são meus sócios na Laguna, estão desde o início. O CAOAK não demorou muito para entrar, quando ainda eramos bem pequenos, nós nos conhecemos e ele virou nosso residente entre o final de 2015 e o inicio de 2016, então toda a equipe fez parte da construção e da consolidação da marca o que nos faz muito unidos durante toda essa trajetória. Acredito que com tudo o que tem acontecido, isso só se fortifique cada vez mais com o passar do tempo 😊

Em Novembro a Laguna completa 4 anos e celebra esse momento especial com uma pista no EOL Festival. O que exatamente está sendo preparado?

Essa sem dúvidas é nossa festa mais importante até hoje! Nossa última comemoração de aniversário já tinha sido muito marcante para nós, quando trouxemos Archie Hamilton na pista da Kubik CWB e da T2 Eventos. Esse ano a nossa festa de 4 anos vai ser a primeira vez que a Laguna marca presença com um palco só dela em um grande festival. Ao todos serão 3 pistas, mais de 22 artistas, entre eles 11 artistas internacionais e estreias como wAFF e Yaya na cidade, 2 artistas muito fortes que já deram suporte para tracks da Laguna Records e que há tempos gostaríamos de ver por aqui!

O Laguna Stage vai ser divido com o Hector e a galera da Vatos Locos, com a gente assumindo das 16 as 22 e eles na sequência. Essa vai ser a festa de maior investimento em estrutura, leds, soundsystem e todos que forem no evento vão se surpreender com o que o pessoal do EOL preparou! Além disso, a atração de nosso stage, Rodrigo DP, vai lançar em nossa gravadora nos próximos meses e nós estamos muito ansiosos com tudo isso que está por vir!

Yaya

Iniciamos o ano bem, conseguindo nosso primeiro suporte do italiano Yaya, no próximo EP de LONELY que sairá pela Laguna Records!

Posted by Laguna Music on Monday, January 8, 2018

Percebo que um dos destaques da gravadora até aqui é a criação de um “conceito de som Laguna”. Você pode nos explicar um pouco mais essa história?

O conceito de som Laguna pode ser descrito justamente por aquilo que estávamos conversando na pergunta anterior. Um som pista, para o dancefloor se mexer e a noite ser levada da maneira que nós acreditamos. Dentro da laguna, não temos um conceito musical, um gênero que sempre seguimos e que lançamos ou alguma vertente preferida que será trabalhada nas nossas festas e lançamentos. Do house ao techno, de warm ups a closing sets, de noites com levadas mais minimal, tech house ou progressive, eu diria que o conceito de som Laguna seriam sons cheios de groove que não deixam a pista ficar parada!

A imagem pode conter: 3 pessoas, noite

Direto ao ponto: quais são os principais planos e projetos da marca para 2019?

O principal plano pra 2019 é dar foco total para nossa gravadora, fazendo com que a gente consiga apresentar grandes artistas internacionais para tocar em nossas festas e lançar no label. Fiquem ligados, diversos planos, releases, eventos irados e lugares novos estão por vir e pode ter certeza que o ano que vem será o ano mais marcante em nossa trajetória!

Para finalizar, uma pergunta pessoal. O que a música representa na sua vida?

A música na minha vida representa a descoberta de uma paixão. Depois que ela chegou e me encontrou tudo mudou, eu mudei, meus objetivos e sonhos mudaram, e toda essa vontade de conquistar tudo isso só me motiva cada vez mais a ir pra frente na Laguna e na QG! A musica também é o meu dia a dia, seja ele dentro da QG Agency durante a semana trabalhando como booker, nos eventos que organizamos aos finais de semana ao lado da Laguna em grandes clubs e venues de Curitiba e do Brasil, nas viagens como tour manager aos finais de semana com os artistas da agência, no estúdio escutando as demos pro selo e correndo atrás de bons remixers, nas live streams que fazemos dentro da casa da Radiola Records com a Boombox Radio, a rádio da casa, ou na pista curtindo com a galera e com os amigos.

A MÚSICA CONECTA.


Alan Medeiros é publicitário, sócio-fundador do Alataj e nome por trás da Beats n' Lights Management.

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