READING

Alataj entrevista Rishi Patel [Plus Eight Equity P...

Alataj entrevista Rishi Patel [Plus Eight Equity Partners]

Geralmente estamos acostumados com artistas que são DJs, produtores e, em alguns casos, ainda comandam gravadoras. Mas a história do indiano Rishi Patel é um pouco diferente. Além de apostar na sua carreira como DJ — já tendo passado por eventos renomados como Burning Man e o SXM Festival — Rishi também é um empresário respeitado e sócio de nomes como John Acquaviva e Richie Hawtin.

Ao lado desses caras ele tornou-se cofundador da Plus Eight Equity Partners, um grupo global de capital de risco, fundado em 2014, que investe em empresas inovadoras de tecnologia musical. A Plus Eight conta ainda com Pete Tong e Ben Turner colaborando em outras esferas da marca. No portfólio, dá pra entender um pouco mais nas ideias que a Plus Eight aposta, como a Endel, um “ecossistema” de áudio que cria sons que que ajudam as pessoas a se concentrarem, relaxarem e dormirem, ou também a LANDR, que realiza a masterização das suas faixas através de inteligência artificial — além de algumas outras funções.

Mas a ideia aqui é entender como a Plus Eight atua através da visão de Rishi, que está diretamente envolvido com a marca, após deixar de atuar como banqueiro em Wall Street. Nesta entrevista exclusiva, nós também ficamos curiosos para saber um pouco mais de seu perfil artístico e atuação como DJ. Tudo isso e mais um pouco você confere nesta entrevista densa, porém, super interessante e valiosa respondida com muito carinho e atenção por Rishi, que estará no Brasil esta semana acompanhado de Richie Hawtin: 

Alataj: Olá, Rishi! Muito obrigado por nos atender. Você consegue recordar se houve algum insight entre você e John Acquaviva sobre a ideia por trás da Plus Eight? Como essa ideia surgiu inicialmente?

Rishi Patel: Olá, obrigado por me receberem. Ótima primeira pergunta! A fundação do fundo de capital de risco Plus Eight endossa a marca original de techno fundada por Richie Hawtin e John Acquaviva em 1990. A gênese do nome “Plus Eight” foi inspirada em uma das tecnologias musicais mais importantes da época: toca-discos Technic SL1200. Aumentar para mais de 8% tornou-se sinônimo de levar a música ao limite, tocando com mais força e rapidez do que qualquer outra pessoa. Plus 8 Records representou a primeira manifestação de fascínio pela tecnologia e o desenvolvimento do estilo musical techno, um estilo tão entrelaçado com a tecnologia que seu próprio nome é derivado dela.

Esse mesmo fascínio pela tecnologia estabelece as bases para a segunda encarnação da Plus Eight (Equity Partners). Conheci Richie Hawtin no verão de 2012, em Ibiza, e John Acquaviva durante o Amsterdam Dance Event (ADE) no outono de 2013. Foi incrivelmente inspirador para mim, desde a primeira vez que nos encontramos. Richie pela sua insaciável vontade de ultrapassar as barreiras enquanto artista, por meio da tecnologia; John pela sua perspicácia nos negócios, principalmente no contexto de liderar os principais investimentos em tecnologia, como Final Scratch e Beatport. 

O momento da Plus Eight Equity Partners não poderia estar melhor. Eu estava no meu décimo ano como banqueiro investidor de Wall Street e o Beatport havia sido recentemente vendido. Foram necessários apenas 45 dias para o lançamento de Plus Eight Equity Partners como um fundo de capital de risco fundado por mim, Richie Hawtin e John Acquaviva. Pete Tong, conhecido pela BBC Radio 1, e Ben Turner, do International Music Summit, juntaram-se ao nosso Conselho Consultivo. 

O objetivo do fundo é investir e apoiar empresas inovadoras em tecnologia. Hoje, temos parceiros investidores que cobrem todos os continentes do mundo, incluindo artistas + DJs, gravadoras, investidores estratégicos corporativos, escritórios familiares e outros membros influentes da comunidade da música, tecnologia e negócios.

Além de John Acquaviva, Richie Hawtin e Pete Tong são outras lendas que trabalham ao seu lado. O que representa para você estar ao lado desses caras? 

Eu sabia que teria essa pergunta [risos]. Temos uma adesão rigorosa em relação à privacidade de nossos parceiros investidores (afinal, somos capital privado). Embora não seja possível divulgar quem são os outros membros da parceria, você pode encontrar muitos rostos no perfil do Instagram: @plus8equity. Muitos deles incluem os principais DJs de música eletrônica underground e artistas que se apresentam em clubes e festivais em todo o mundo. A melhor parte de trabalhar com artistas e DJs importantes é aprender sobre eles como pessoas. Apesar de eu ser do mundo de Wall Street, conseguimos nos conectar em muitos níveis além da música “vida real”. Artistas são seres humanos como você e eu.

Na foto: John Acquaviva, Richie Hawtin e Rishi Patel

Imagino que a Plus Eight deva receber diversos projetos e ideias inusitadas, afinal, estamos falando de criatividade. Como vocês chegam em um consenso para apostar em uma ideia? É um processo desgastante ou prazeroso?

A Plus Eight opera com um processo de investimento que é consistente com muitos fundos de risco em todo o mundo. John Acquaviva e eu atuamos como parceiros administrativos no dia a dia, somos encarregados de gerenciar o portfólio, nossos investidores e trazer novas oportunidades de investimento à atenção de nosso comitê de investimentos, que é composto por três membros: Richie Hawtin, liderando como presidente, ao lado de Pete Tong e Ben Turner. Embora nosso grupo se desafie em todas as oportunidades de investimento apresentadas, operamos em última instância por consenso entre todos para avançar em uma oportunidade de investimento.

E qual foi a ideia mais louca que já chegou até vocês? Já teve algo que vocês analisaram e ficaram surpresos?

Há muitos anos, tive uma reunião com uma empresa fora da Europa que estava fabricando e comercializando um produto que tocava música para o feto de uma mulher. O dispositivo era conectado a uma fonte de som em uma saída e na outra tinha um pequeno alto-falante que seria inserido na vagina de uma mulher grávida. Foi de longe uma das reuniões mais memoráveis que já tive — é difícil esquecer de algo assim.

Ok, sabemos que além do lado empresarial você também possui um perfil artístico, estamos certos? Quando exatamente você começou a se envolver de forma mais profunda com a música eletrônica?

Meu caso de amor com a música começou em meados dos anos 90, quando eu era um adolescente no ensino médio. Primeiro fui influenciado pela cena do rock industrial nos Estados Unidos, ouvindo bandas como Nine Inch Nails, White Zombie e KMFDM. No final dos anos 90, me vi passando menos tempo em shows de rock e mais tempo nas pistas de dança, ouvindo house e techno underground. A inspiração inicial veio da cena de Progressive do Reino Unido com artistas como Danny Howells, Sasha, John Digweed, Lee Burridge, Deep Dish, Ashley Casselle, John Graham (Quivver), Mic Parks e Mic Wilson (Parks & Wilson). 

Em 2007, comprei toca-discos e comecei a aprender a tocar por conta própria. Como é o caso de muitos DJs jovens, comecei a fazer after parties em Nova York nos galpões e apartamento de amigos. Minha primeira gig foi no aniversário do meu querido amigo Khadiga no Lower East Side em Manhattan, Nova York. Eu estava bem nervoso, mas foi ótimo. Ao longo dos anos, meu gosto musical evoluiu consideravelmente. Fui para o Sunwaves, na Romênia, há quase 10 anos, e fiquei muito inspirado pelo minimal romeno. 

Atualmente me apresento com meu nome artístico Rambo Springsteen, que é secundário ao meu principal negócio que é comandar a Plus Eight. Meu estilo é influenciado por frequências e groove. Quando estou nos decks, quero fazer as pessoas sentirem algo. Quero que elas relaxem. Quero que dancem com o coração. Todos os meus sets são motivados por groove. Amo grandes linhas de baixo e melodias feitas com frequências que não parecem deste planeta.

Rishi Patel como Rambo Springsteen em evento da Room FM durante OFF Sónar

Você pode contar mais sobre os artistas que você já trabalhou/conheceu? Soubemos que você inclusive passou pelo Brasil no início do ano. Como foi estar por aqui?

Como artista, tive a honra de me apresentar na América do Norte, América Latina, Europa e Japão, ao lado de artistas da dance music como Dubfire, Damian Lazarus, Pete Tong, Art Department, Behrouz, John Acquaviva e muitos outros. O Brasil, em particular, sempre foi um país importante na minha vida. Nunca esquecerei da primeira apresentação musical que eu vi no Brasil, Chiclete com Banana, em 2007. Depois disso, vim para o Brasil muitas vezes, explorei a cena musical de cidades como Rio de Janeiro, São Paulo, Florianópolis e Salvador. O país tem uma cultura de samba tão rica que invoca uma forte paixão pela música. Essa paixão é demonstrada com incrível poder e intensidade nos night clubs do Brasil, principalmente os que têm música eletrônica. Estou ansioso para um dia ter a oportunidade de tocar no Brasil e mostrar ao povo brasileiro o meu estilo musical.

E ao longo de suas experiências como DJ, existe algum momento que mais te marcou até agora?

De todas as minhas experiências como DJ, nenhuma foi como o meu set no Incendia Fire Dome, no Burning Man de 2018. A paisagem lá é diferente de qualquer outra — parece um planeta em uma galáxia muito distante, como Star Wars. O palco era espetacular, com fogo por toda parte. Estava muito quente, tive que tirar boa  parte das roupas que eu estava usando. Fui abençoado por ter a oportunidade de dividir o palco com Francesca Lombardo. Embora eu não tenha gravado o set, alguém capturou um momento muito especial daquela noite que pode ser visto abaixo:

Imagino que manter esse perfil multifacetado deva exigir bastante de você, não é mesmo? Quais são os maiores desafios que você encara na sua vida profissional? Como equilibrar todas as frentes de forma saudável? 

Operar um novo fundo de capital de risco tem sido uma das experiências mais desafiadoras (e gratificantes!) da minha carreira profissional. Nem sempre é glamouroso, mas é incrivelmente satisfatório. Compro minha própria viagem, faço minha administração, persisto em possíveis investimentos, faço acordos e preciso estar constantemente na estrada encontrando empresas inovadoras em tecnologia musical.

Para equilibrar meu trabalho, sou muito ativo com esportes e tenho alimentação saudável. Ouvir discos (novos e velhos) acalmam meus níveis de estresse. Sou um grande fã de artistas como Sade, pois acho extremamente relaxante. Também uso um aplicativo toda noite, chamado ENDEL, para me ajudar a dormir — é incrível!

Para finalizar, uma pergunta pessoal. O que a música representa em sua vida?

Ótima forma de finalizar nossa session! Música é pessoal para mim, pois ela mudou o curso da minha vida. Em algum sentido, fui ao cassino e apostei tudo. Deixei uma carreira bancária de sucesso para trás, pois a música me fez sentir algo diferente de tudo que já senti. Sempre achei que se você consegue se sustentar fazendo algo que ama, você venceu na vida. Por mais que eu tenha sorte, trabalhei duro para me preparar para o momento em que a sorte aparecesse. Agradeço a minha família por sempre me apoiar na busca dos meus sonhos e por me ensinar que humildade, ambição e educação são pilares essenciais para o sucesso. Obrigado!

A música conecta.


RELATED POST

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

INSTAGRAM
SIGA-NOS