Alataj entrevista Roman Poncet

Roman Poncet é a alcunha artística de Romain Reynaud, também conhecido no meio eletrônico como Traumer (relembre nossa entrevista com ele por aqui). Seu novo projeto é destinado ao techno, especialmente a vertente do estilo que se difundiu por cidades com Berlim e Paris no começo do século, logo após sair de Detroit repleto de ritmo e melodia.

Com tal alter ego, o DJ e produtor francês de grande reconhecimento no circuito internacional explorou seu lado mais obscuro e noise, emplacando releases em selos como Tresor, Figure, Arts, Taapion e Oddity Records. Ao analisarmos o projeto como um todo, é curioso observar como Romain se distancia de seus demais projetos, especialmente de todo trabalho fornecido enquanto Traumer, que também passou por uma fase mais techno, vide o lançamento do álbum Dedust pela Desolat, um marco em sua jornada musical.

Roman Poncet surgiu após o incentivo de Len Faki, que tem fornecido um forte suporte ao projeto através de seu label Figure. “Achei que seria uma boa ideia e uma ótima oportunidade para começar a separar meu amor por diferentes tipos de música em diferentes apelidos” comenta Reynaud sobre o projeto. Durante sua última passagem pelo Brasil tocando como Roman Poncet no D-EDGE, encontramos um espaço em sua agenda para este bate-papo. Confira o resultado:

Alataj: Olá, Roman! Tudo bem? Obrigado por nos atender. Tresor, Figure e Deeply Roted são alguns dos selos que você trabalhou recentemente. Quão importante para eles foram para o desenvolvimento do seu projeto?

Estou bem, obrigado. O prazer é meu! Com certeza elas foram importante para o meu projeto, pois moldaram a identidade sonora e ajudaram a promovê-lo.

Você é um cara acostumado a trabalhar com diferentes alter egos, certo? Do ponto de vista organizacional, qual estratégia é utilizada para encontrar tempo para produção e tour de cada um dos seus projetos?

Absolutamente – mas eu não criei todos esses nomes para multiplicá-los. É a reação de uma certa forma de “esquizofrenia musical”. Quero dizer, eu sempre produzi diferentes tipos de música, era mais lógico de alguma forma e mais conveniente dividir tudo. Não organizo o tempo para cada um, deixo acontecer naturalmente. A inspiração vem e vai de acordo com o meu humor. Não há regras específicas.

Percebo que há um movimento interessante de uma nova geração do techno que tem bebido da fonte de referências de grandes nomes do século passado. Quando você está no estúdio produzindo, sua prioridade é criar algo contemporâneo ou algo que remeta as raízes do estilo?

Para ser sincero, não penso muito. Pensar demais às vezes é uma ótima forma de perder o processo de criação espontâneo. Eu diria que sempre quero criar algo que considero contemporâneo ou atual, de acordo comigo.

Muito se fala sobre escolas diferentes dentro do techno. Detroit, Berlim, Paris, Amsterdam… cada uma dessas cidades revelou ao mundo uma forma diferente de enxergar o techno. Enquanto artista, você se sente mais atraído por uma ou outra dessas interpretações?

Eu não vejo essas “escolas”, minha escola é um lugar onde house, techno, folk music, jazz, etc, vivem em harmonia, em paz.

D-EDGE: finalmente você fará sua estreia nesse que é um dos principais clubs do mundo. Qual a expectativa? Na sua opinião, o que torna um club realmente especial? [pergunta feita antes da gig no club]

Por alguma razão que eu não sei, eu não estou tão estressado, nem estressado eu diria. Talvez porque não seja a minha primeira vez no Brasil, então talvez eu me sinta confortável. Mas acho que é bom, já que vou focar no meu set e estar pronto para isso.

Eu acho que um clube é geralmente marcado por seu sistema de som, sua programação, sua identidade – e isso é verdade. Mas acho que um clube também é marcado por seu público. Porque, o público, as pessoas pagando sua entrada e dançando a noite toda, que são provavelmente o ator principal e membro ativo da nossa cena.

Sobre o futuro: quais são seus próximos passos, planejados ou imaginados?

A mesma coisa aqui, eu gosto de não pensar muito pra frente. Deixo as coisas acontecerem naturalmente.

Como você enxerga o momento atual da cena eletrônica na França? Sabemos que há bons artistas fazendo a diferença, mas o público, está realmente interessado na música conceitual?

Não estou vendo muito para ser sincero, mas com certeza nós temos grandes artistas, produtores ou DJs ou ambos, e não apenas na cena techno. Como Antigone, DJ Deep, Leo Pol, Varhat e muitos mais. Eu também acho que temos um bom público, que fica cada vez melhor com o tempo.

Para finalizar, uma pergunta pessoal. O que a música representa em sua vida?

1/2 de uma vida.

A MÚSICA CONECTA.


Alan Medeiros é publicitário, sócio-fundador do Alataj e nome por trás da Beats n' Lights Management.

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