Alataj entrevista Sex Judas

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A indústria eletrônica definitivamente não se restringe apenas à música. As mais variadas formas de arte estão intimamente relacionadas a essa cena e é normalmente dentro dos projetos musicais que elas encontram seu terreno mais fértil. Humor satírico, sexualização de uma figura bíblica controversa e experimentação sonora compõem a identidade do Sex Judas, projeto solo do produtor norueguês Tore Gjedrem.

O Sex Judas é polêmico desde sua concepção e é justamente isso que o torna tão intrigante. Idealizado para ser um espaço criação livre, o projeto absorve estilos musicais da África, cena underground nova iorquina dos anos 80, acid house e new wave norueguês, criando uma atmosfera atmosfera sonora tão rica quanto suas referências e onde o limite que define o que pode ou não compor sua musicalidade não é realmente uma preocupação.

Depois do aclamado LP de estréia pela Optimo Music, Go Down JudasTore retorna ao selo com Flaming Creatures, um EP de três faixas que apresenta sua própria banda, The Moist. O lançamento está previsto para sair no dia 9 de agosto, mas nos antecipamos e conseguimos uma conversa exclusiva com ele. Conheça a história por trás do projeto em mais uma entrevista do Alataj:

Alataj: Olá, Tore! Tudo bem? Obrigado por falar conosco. Sex Judas, como exatamente esse nome nasceu e se transformou no seu alter ago para este projeto solo?

Sex Judas: Tudo bem por aqui, obrigado por me receber! Tudo começou com a ideia de produzir dance music um pouco mais “suja”. Estava me sentindo farto de toda a música eletrônica que soava limpa e agradável naquele momento. Então comecei a brincar com as palavras e criei Sex Judas. O Judas bíblico é um personagem intrigante, que teve que suportar muitos aspectos negativos da humanidade em seu ombro. Sempre senti amor pelos oprimidos e Judas é o principal exemplo. Achei que ele seria uma figura interessante para brincar. Foi aí que o renomeei Sex Judas, um personagem de quadrinhos, dei a ele um grande apetite sexual e uma visão hippie da vida.

É notável que Sex Judas é o resultado de uma grande mistura de influências e referências. Do surgimento até aqui, qual a mensagem que você tem buscado passar com a sua música?

A ideia era criar um mundo fictício, mantido em conjunto pela história de Sex Judas e Ricky, onde qualquer coisa musical e lírica pode acontecer. Espero que as pessoas achem interessante o bastante. Minha intenção é projetar um senso de liberdade sexual, valores políticos liberais e uma atitude punk rock por meio desse projeto.

Confesso que pouco ou nada sei sobre a cena norueguesa. O que você poderia nos falar a respeito? Há uma cena em desenvolvimento? Você sente os jovens interessado por algo mais profundo?

A Noruega tem uma cena eletrônica local e próspera. Faço parte dessa cena há mais de vinte anos e estou impressionado com o momento atual. Há muito talento por aqui. Para mim, o que é especial sobre a Noruega é o status de estrangeiro e como isso influencia na música. Estamos posicionados na periferia da Europa e, em muitos aspectos, do mundo. Há muita diversidade e originalidade. As pessoas não parecem ocupadas com o que está acontecendo no continente.

Eu acho a nova geração informada, interessada e com muita alma. Eles formam um lindo grupo! Para outras viagens, confira: Charlotte Bendiks, Klubb Hubbabubba, Morken Øyvind, Whalesharkattacks, Jet Set Mungolian, Melkeveien, BHK, Trulz e Robin, André Bratten, F Karima, Wasserfall, Fett Burger e assim por diante. E os selos, Full Pupp, Supersound Smalltown, Sex Tags, Metronomicon Audio e HMD.

Lançar pela Optimo Music representa uma espécie de selo de qualidade para cena internacional, não é mesmo? Como exatamente Go Down Judas tomou forma para conquista a curadoria da gravadora?

Para ser sincero, não tenho certeza de como o mundo vê a gravadora, mas para mim é uma honra ter lançado na Optimo. Sou atraído pela abertura e visão musical deles. Há muito em comum comigo. Keith (JD Twitch) costumava dirigir uma gravadora chamada Pi Records antes da Optimo. Em 1996, ele lançou uma das minhas músicas favoritas na música eletrônica, o remix de Pansonic para a faixa “Druse”, de The Muslimgauze. Outro bom exemplo da diversidade da gravadora é o seu incrível sub-label Selva Discos, que Keith dirige com o duo brasileiro Selvagem. Além disso, a postura política da Optimo, ou seja, o Against Fascism Trax me atrai bastante.

Minha relação com a gravadora começou quando enviei a Keith as faixas para o EP Det syke vesen som kjeder seg i bunnen av mennesket, em 2015. Nós apenas mantivemos contato após isso.

Como um DJ e produtor que se envolve com a cena em diferentes frentes, certamente você pode responder bem essa pergunta. Como encontrar tempo para tudo? Esta é uma preocupação para você atualmente?

Esse é o grande problema, na verdade. Não sinto falta de muita coisa na vida, mas tempo eu poderia ter mais. Eu sou um homem com uma família e um trabalho diário, então não há muito tempo para produzir música. Felizmente consigo dormir bem com pouco, estou no estúdio durante a noite e sempre que consigo. O truque é manter o estúdio funcional e não perder tempo assistindo TV. Espero encontrar formas de passar mais tempo no estúdio futuramente. Já tenho ideias para mais dois álbuns do Sex Judas e alguns EPs. Tudo o que preciso é de tempo para produzi-los.

Um pouco sofre futuro: quais são seus principais planos e objetivos com Sex Judas para os próximos meses?

Estou trabalhando em um EP com convidados, que são vocalistas de rock noruegueses. Acho que boa parte será cantada em norueguês, e também uma com Judas nos vocais. Estou muito empolgado com isso. Além disso, estou trabalhando no próximo álbum de Sex Judas, com várias sessões e horas no estúdio esperando, tenho esboços das cinco primeiras músicas e tenho um bom pressentimento sobre.

Para finalizar, uma pergunta pessoal. O que a música representa em sua vida?

Ao lado da minha família, tudo.

A música conecta.


Alan Medeiros é publicitário, sócio-fundador do Alataj e nome por trás da Beats n' Lights Management.

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