Alataj entrevista Sidney Charles

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Sidney Charles é uma figura que se destaca no cenário underground por sua habilidade precisa de combinar as nuances do house e do techno em seu trabalho. O alemão nascido em Hamburgo começou a se aventurar na discotecagem aos 15 anos e mesmo antes de começar a produzir já era reconhecido pela performance entre esses dois gêneros. Suas faixas recheadas de grooves e classe ganharam o apoio de grandes labels, entre elas AVOTRE, Truesoul, Moda Black e Hot Creations.

Após uma temporada em Londres, Sidney Charles vive atualmente em Lisboa e mantém uma boa relação com a América do Sul, por onde faz recorrentes turnês — principalmente pela Argentina e Brasil. Recentemente, ele criou sua mais nova gravadora Heavy Haus Society, que muito em breve lançará o EP de estreia Hollow, assinado por Barem, com remix de Djebali.

Nós temos acompanhado sua carreira ao longo dos últimos anos de perto e já colaboramos com ele em uma séries de mix exclusivos e entrevistas.  Repleto de novidades, nós batemos um novo papo com ele aquecendo também para o lançamento do single R3ush, em parceria com a cantora britânica Liz Cass, que marca seu retorno para a DFTD. Confira:

Alataj: Olá, Sidney! Tudo bem? Obrigado por falar conosco novamente. Percebo que a cada nova entrevista, sua carreira evolui bastante. Como você descreveria essa jornada musical intensa nos últimos dois anos?

Sidney CharleS: Obrigado por me receber novamente. Bom, você já disse… Foi muito intensa, mas também muito prazerosa! Estou feliz por as pessoas ainda me darem muito amor e me seguirem nessa jornada. Embora eu tenha percebido que esse trabalho pode ser bastante exaustivo, ainda é um grande privilégio poder viver com esse lifestyle. Sou realmente grato por ter tido a sorte de viver dessa profissão.

Fnk Hard, seu último EP pela Saved, foi lançado recentemente. O que você pode nos contar a respeito do processo criativo de suas duas faixas?

Gosto muito desse EP, pois ele mostra exatamente o meu som de assinatura, o qual a maioria das pessoas me conhece. Comecei a faixa principalmente com o groove, como sempre faço, e queria mantê-la no estilo dos anos 90. O sample dá um ar de funky old school, enquanto deixo a linha de baixo pesada e moderna ao mesmo tempo, para também ser tocada em grandes palcos.

O tech house nos últimos anos subiu para um novo patamar em termos de popularidade. Ao seu ver, quais são os pontos positivos e negativos dessa mudança?

Primeiramente, não sou muito fã de sub-gêneros. Não gosto da palavra tech house porque ela vem com um tom bem brega. Para mim, é tudo house e techno, eu vejo a maioria das faixas mudando entre esses dois estilos. Hoje em dia, o tech house trouxe muitas oportunidades a novos artistas, ajudou a encontrarem um caminho para a cena, o que é excelente e a mantém diversificada. Graças à popularidade do tech house é muito mais fácil ganhar notoriedade, basta um grande sucesso e você já pode desfrutar de uma quantidade considerável de gigs.

Eu acho que atualmente falta autenticidade e fundamento. A maioria das faixas tem o mesmo som e a atitude de “copiar e colar” na produção. Você pode notar que algumas pessoas só tentam fazer hits em vez de criar algo que vem da alma e que você queira compartilhar com todos. Falta história por trás dos artistas e você vê muitos nomes aparecerem e desaparecerem novamente.

House Lesson completou 6 anos em 2019. Olhando para trás, qual sentimento emana ao lembrar deste importante trabalho? Tal EP pode ser considerado um ponto de virada na sua carreira?

Sim, definitivamente. Essa faixa mudou minha carreira de diversas formas e ainda tenho fãs me pedindo para tocá-la. Com essa track também decidi como eu queria que minha música fosse, o que é um passo muito importante no começo de todos os artistas.

Após tocar em tantos lugares especiais, receber grandes suportes e lançar por algumas das principais gravadoras do mundo, quais são os objetivos que você ainda almeja na música?

Estou muito feliz que minha gravadora Heavy Haus Society esteja quase pronta para seu primeiro lançamento. Sempre foi um sonho ter minha própria marca e lançar música de amigos e novos talentos. Acho que é uma ótima oportunidade para mostrar de uma forma mais profunda o que a música significa para mim.

O verão europeu já é uma realidade e certamente você terá uma série de compromissos para cumprir ao longo dos próximos meses. O que você destacaria pra gente nesse sentido?

Estou esperando ansiosamente pelo Creamfields Festival no Reino Unido, assim como a temporada de Ibiza, como sempre. Elrow OFFSonar esteve no topo da minha lista, é um dos meus lugares favoritos para tocar em Barcelona.

Nós enxergamos a música como uma forma de conexão entre as pessoas. Na sua opinião, qual o grande significado dela em nossas vidas?

Posso concordar. Mas acho que é muito mais do que isso. Com a música, podemos nos comunicar em um nível mais profundo, além dos idiomas. Todos podem dançar ao ritmo, não importa qual raça ou idade. Estamos sentindo em um nível mais profundo que a música, de alguma forma, desperta em nós uma necessidade muito forte de nos expressarmos aos ritmos. Isso é algo em nossa genética que todos nós temos em comum.

A música conecta.


Alan Medeiros é publicitário, sócio-fundador do Alataj e nome por trás da Beats n' Lights Management.

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