Marco V é um pioneiro da cena eletrônica holandesa. Seu trabalho flutuante entre o trance e o techno influenciou artistas dos mais diversos nichos e contribuiu para formação de toda uma geração. Alguns de seus maiores clássicos são as faixas Godd, False Light e Simulated. A última, um grande hit histórico para as pistas de dança do mundo todo.

15 anos após seu lançamento oficial, Simulated agora será remixada por um dos mais talentosos produtores da nova geração house/techno holandesa. Bas Amro é dono de um estilo interessante, caracterizado por uma atmosfera aveludada em quase todas as suas produções – isso inclui seu remix para Marco. O jovem artista já passou por alguns selos referências na comunidade internacional, entre eles Neurotraxx, Bla Bla Records e Freerange Records, e conseguiu entregar algo bastante raro – um remix com qualidade semelhante a faixa original.

O lançamento oficial está programado para amanhã na Wolfskuil Records, gravadora gerenciada por Darko Esser. Será um novo marco na história de uma faixa que já rodou as mais diversas pistas do mundo e agora ganha um novo fôlego para seguir fazendo história. Celebrando este importante lançamento, conversamos com os dois principais responsáveis por esse momento: Marco V e Bas Amro. Confira a seguir:

MARCO V

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1 – Olá, Marco! Tudo bem? É um prazer falar com você. Simulated é um clássico histórico para a dance music mundial, aquele tipo de faixa que certamente marcou uma geração. Como foi o processo criativa dela? Quando você a produziu, tinha noção que estava criando algo realmente poderoso?

Obrigado, tudo bem por aqui, trabalhando em muitas coisas novas no estúdio. A melodia de Simulated estava parada no meu estúdio há um tempo antes de fazermos a versão que lançamos naquela época. Usei ela numa faixa de techno, com um riff curto, mas não se encaixava, então meu A&R sugeriu construir uma faixa inteira em volta dessa melodia. E não, eu não sabia que Simulated era tão poderosa. Você nunca sabe quando você produz algo que vai ser grande.

2 – Seu som pode ser considerado uma mistura de trance com techno, apresentado dentro de uma atmosfera bastante tecnológica com bastante identidade, certo? Quais são os principais pontos que você leva em consideração na construção de seu perfil sonoro?

Sim, acho que muitas pessoas que gostam de tech-trance reconhecem meu som, de fato. Os pontos principais para o som que gosto de produzir ou tocar como DJ, precisa ter um bom groove, linhas de baixo rolando e muita energia.

3 – O que levou você a escolha de Bas Amro para remixar essa faixa tantos anos após o seu lançamento? Qual a sua opinião sobre o remix?

Não pedi a Bas Amro para remixar a faixa, ele fez como um bootleg e perguntou se poderia ser uma versão completa. Quando ouvi sua versão, fiquei realmente surpreso com o quão bom era. Totalmente diferente da original e muito parecida ao mesmo tempo. Ambas as versões constroem em torno da melodia, simples, mas muito eficaz.

4 – Olhando um pouco para o passado, quais são as principais mudanças que você observa no cenário musical holandês? Na sua visão, há uma boa perspectiva para a evolução da música eletrônica no país?

Naquela época, era mais underground e não tão comercial, mais sobre a música do que sobre o design do palco, luzes e show de fogos. Mas o bom é que vemos, aqui na cena holandesa, que a nova geração realmente gosta do underground, há cada vez mais festas grandes relacionadas ao underground novamente. Então, sim, há uma boa perspectiva.

5 – Por fim, uma pergunta pessoal. O que a música representa em sua vida?

Música é algo que sempre será uma grande coisa na minha vida, toco há mais de 30 anos e produzo há 25. Espero que seja possível apreciá-la por muitos anos ainda.

BAS AMRO

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1 – Olá, Bas! Obrigado por nos atender. Poucas faixas possuem o poder de Simulated – com certeza um dos grandes clássicos da história da dance music. Então, nós queremos saber… como o convite para o remix chegou até você? O que você pensava no exato momento em que começou a projetar o remix?

Obrigado por me receber! Na verdade, não foi bem assim. Aquela melodia esteve em minha mente por muito tempo. Senti que por mais que fosse uma faixa de trance, a melodia dela era mais techno para mim. Ano passado, sentei-me no estúdio para me preparar para uma gig que eu tinha naquela noite. Eu queria fazer algo especial e agradável para surpreender as pessoas. Simplesmente experimentei essa melodia sintetizada, e programei uma batida forte de techno em torno dela. Terminei o remix rapidamente e toquei naquela mesma noite. Foi muito bem. Tripeo tocou depois de mim e viu isso acontecer, então ele começou a tocá-la também, decidiu que deveríamos tentar lançá-la, e aqui estamos. Curiosamente, parece que a melodia inicialmente foi projetada como uma melodia de techno por Marco, em 2000.

2 – Marco V foi uma referência na sua formação enquanto DJ e produtor? Além de Simulated, quais outros trabalhos de Marco possuem uma importância artística diferenciada para você?

Marco V vem de uma geração de DJs que inspira quase todos nós, da minha geração. Esses caras eram pioneiros. Ao meu entendimento, eles foram um dos primeiros a se transformarem de apenas um DJ para um artista real com base de fãs e shows que giram em torno deles. Eles realmente foram grandes DJs superstars, e não havia tantos como há hoje. Todos os amavam e sabiam sobre eles. Simulated podia ser ouvida em rádio nacional, eu era fã dos mix cd’s de Marco em particular, há muito techno para ser ouvido, então acredito que isso me ajudou a chegar onde estou hoje.

3 – Seus recentes lançamentos foram entregues a selos do calibre de Freerange Records e Wolfskuil. Após tantos releases, o que você tira de melhor do aspecto humano dessa relação label e artista?

Freerange e Wolfskuil são labels muito diferentes, mas ambos excelentes. Freerange é bastante profissional, em minha opinião, eles têm uma visão muito clara sobre em que eles estão trabalhando, o que eles querem, e o que eles precisam. Jimpster é um produtor incrível com nível extremo de experiência, ele dá os melhores feedbacks que já recebi em relação a minha música, quando ele dá umas sugestões, posso fechar meus olhos e assumir que ele está certo. Não estou dizendo que Wolfskuil não é profissional, mas tudo é um pouco mais simples lá. Darko realmente me dá total liberdade no que eu faço, por exemplo, ele nunca me diz o que ele NÃO gosta nas faixas que mando para ele, ele apenas diz quais ele realmente achou boas. Essa não é sempre a melhor maneira de seguir em frente, mas no meu caso, me ajudou a ganhar confiança e permanecer focado. Voltar para projetos anteriores e tentar melhorá-los, realmente mata minha criatividade e motivação. Com Darko, esqueço facilmente desses projetos e prefiro passar para os novos com um sorriso no rosto.

4 – Chicago e Detroit certamente possuem uma influência significativa na construção de sua identidade sonora, certo? Fale um pouco mais sobre esse background

Com certeza, Chicago e Detroit representam uma grande parte das raízes desse gênero para mim. Minha exploração do house e techno passou da superfície para a profundidade, como a maioria das pessoas. Então, é natural que quando você cava cada vez mais fundo, você acaba nas raízes. Os sons de Detroit e Chicago são basicamente, as formas muito cruas de house e techno, que eu considero uma versão pura do que me interessa.

5 – Para finalizar, uma pergunta pessoal. O que a música representa em sua vida?

Essa é uma pergunta difícil, porque sinto que estou começando a entender isso recentemente. Sempre pensei que, por a minha vida girar em torno da música, ela é o que influencia o meu humor e bem estar em geral. No entanto, tive períodos mais longos em que me concentrei nos meus eventos, dando menos prioridade à música, e me senti muito pra baixo. Mesmo com esses eventos indo bem, fiquei pensando que a música é algo que eu preciso na minha vida.

Recentemente, comecei a abordá-la com mais disciplina do que antes. Estabeleci o tempo, e fiquei dias inteiros só fazendo música, ou encontrando músicas. Estou aprendendo sobre muita música nova que nunca tinha escutado antes, também estou muito produtivo no estúdio. Não me sentia feliz assim há anos.

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A música conecta as pessoas!