Alataj entrevista Solardo

Pouquíssimos gêneros da dance music global se renovaram com tamanha efervescência nos últimos anos como o tech house. Um dos projetos que justifica com maior competência esse momento é o duo britânico Solardo. Formada por Mark Richards e James Eliot, a dupla reúne traços clássicos do estilo com uma leitura moderna e contemporânea.

Mark e James são oriundos de Manchester e desde cedo beberam direto da fonte da house music britânica – vale lembrar que a cidade é uma das mais importantes para a história do house e claro que isso reflete diretamente no perfil sonoro da dupla. Desde 2016 eles têm quebrado a banca com algumas premiações e conquistas que incluem o renomado Best Breakthrough Act na DJ Mag e aparições em festivais como Tomorrowland, AMP Lost & Found, The Birdhouse, Creamfields e outros.

No que diz respeito ao catálogo, Solardo é um case de sucesso ainda mais impactante: Hot Creations, Elrow, Repopulate Mars, Tolroom, Relief e VIVA Music são alguns dos labels que já receberam o projeto. Após uma estreia comentada no segundo semestre do ano passado, Mark e James estão de volta ao Brasil para tocar na Tribaltech e XXXPerience esse fim de semana. Aproveitamos a tour para bater um papo com a dupla:

Alataj: Olá, Mark e James! É um prazer falar com vocês. Sabemos que vocês possuem uma história na música antes de decidirem trabalhar como Solardo. Como surgiu o trabalho em conjunto?

Solardo: Nos conhecemos há cerca 10-15 anos. Perdemos contato por alguns anos e então nos encontramos no centro da cidade de Manchester. Eu queria mudar de carreira e sabia que Mark tinha algumas sérias habilidades no estúdio, comecei a investir em equipamentos e sugeri a Mark que tentássemos algumas coisas. Aqui estamos agora.

Como parte da cena house e tech house britânica, é possível dizer que vocês beberam algumas referências da fonte, não é mesmo? Quais movimentos e artistas da região realmente exerceram influência sob o som do projeto?

Nós diríamos que Jamie Jones e suas festas Paradise foram uma forte influência musical. Nós vamos para Ibiza há anos e elas realmente se destacaram, tivemos a sorte de tocar em algumas edições no DC-10 e lançar no seu label Hot Creations.

Hot Creations, Toolroom, Relief e Avotre. A lista de grandes labels que vocês tem colaborado é bastante expressiva. Quão importante essas marcas tem sido no crescimento de vocês?

Vitalmente importante. Se a sua música não está sendo tocada, será difícil você ganhar reconhecimento e crescer como artista nos dias de hoje, todos eles fizeram a sua parte e nos ajudaram a nos moldar como artistas. Esses selos em particular, são dirigidos por figuras da cena, como Jamie Jones e Green Velvet, por exemplo. Considerando que começamos a produzir música há apenas alguns anos, ter o apoio desses selos e DJs lendários é uma verdadeira honra.

Sobre a Solä Recordings. A experiência de comandar um selo próprio tem oferecido a vocês uma visão diferenciada da cena enquanto business? Quais são os principais aprendizados até aqui?

Não olhamos muito para isso. Apenas lançamos música que gostamos e tocamos em nossos sets. Acho que se fôssemos técnicos e tivéssemos o foco em tendências de mercado, tiraria toda a essência da razão que está por trás de nós.

Jamie Jones, Richy Ahmed, Skream, Paco Osuna, Steve Lawler… grandes nomes tem oferecido suporte às produções de vocês. Qual a importância desse reconhecimento para um produtor que passa horas e mais horas no estúdio? Há algum suporte que vocês consideram mais especial?

Você sabe que é pra isso que você trabalhou por todas essas horas, quando seus colegas estão apoiando a sua música, tocando ela para milhares de pessoas ao redor do mundo ouvirem, é incrível. Acho que é ainda mais especial quando as pessoas também estão comprando. Sem os nossos fãs e as pessoas que apoiam nossa música, não estaríamos onde estamos agora.

O processo criativo em dupla certamente é diferente do individual. Ao longo dos anos, como vocês tem buscado equilibrar as referências de cada um nos momentos de estúdio e discotecagem?

Você está certo, é muito diferente. Achamos melhor ter mais opiniões e ideias, digamos que se um de nós estiver com bloqueio criativo, o outro pode ter ideias para neutralizar isso. Nosso equilíbrio no estúdio é bom, James tem um bom conhecimento de house music e me apresentou muitos sons novos, enquanto sou produtor há muitos anos e sei como construir faixas, recentemente isso só cresceu.

Festivais são uma grande experiência para qualquer DJ. Como foi a experiência de vocês no Tomorrowland? Como vocês definem a energia de uma pista como essa?

Tomorrowland foi absolutamente insano, no dia em que tocamos era o meu aniversário e foi uma experiência incrível. Não há muitos lugares como aquele, a produção é outro nível e o fato de unir tantas pessoas de todo o mundo que querem apenas dançar e se divertir é incrível.

Para finalizar! Como vocês avaliam o futuro do cenário tech house a nível global?

Particularmente, nós achamos que está mais forte do que nunca, está em constante evolução e crescendo ano após ano. Definitivamente, não vemos uma desaceleração. Você vê tantas festas e festivais se envolvendo e abraçando o som, e muitos produtores grandes, como Calvin Harris, se divertindo na ANTS, David Guetta lançando um novo álbum underground, voltando às suas raízes, etc., as pessoas querem se envolver e isso está em uma posição muito saudável.

A MÚSICA CONECTA. 

 


Alan Medeiros é publicitário, sócio-fundador do Alataj e nome por trás da Beats n' Lights Management.

RELATED POST

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

INSTAGRAM
SIGA-NOS