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Alataj entrevista Spavieri sobre a Gigolo

Alataj entrevista Spavieri sobre a Gigolo

A cena clubber de São Paulo foi moldada por clubs históricos que marcaram época e de fato construíram uma geração de ouro entre a década de 90 e o começo do século. Essa golden era da noite paulistana, bastante diferente do bom momento que a cena atravessa agora, é fruto de um trabalho realizado por clubs como Madame Satã, Hells e Sound Factory, que dentro de seus cenários particulares, deixaram um legado inestimável para dance music brasileira.

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Atualmente o Madame, club que faz total referência ao lendário Madame Satã, é casa para uma série de eventos com ar nostálgico e atmosfera retrô. Dos synths que marcaram aos anos 80, a especiais de bandas como Rammsteim e Joy Division, um DNA saudosista pulsa na programação do club. Uma das recentes novidades é a festa Gigolo, comandada por Spavieri, Costta e Gê Rodrigues, figuras fundamentais no desenvolvimento da noite e da música eletrônica na cidade, a festa é a conexão do passado com o atual, uma mistura de clássicos e do novo, sempre com ar retrô.

A segunda edição da Gigolo acontece hoje e apresenta novamente o lendário DJ Mau Mau, Erica + Pinaud no formato live e os organizadores e residentes Spaviri e Costta. Na recepção, Ronalda e Anna Gelinskas. No embalo desse (re)começo histórico, conversamos com Spavieri sobre o direcionamento que a Gigolo terá daqui pra frente:

Alataj: Olá, Fabio! Tudo bem? A Gigolo nasce com objetivo de criar uma conexão entre o clássico e o novo. Como vocês pretendem desenvolver essa atmosfera?

Obrigado pela oportunidade Alan e Alataj. A Gigolo é uma nova aposta do clube Madame (ex. Madame Satã), que começa em fase experimental de forma mensal na quinta. O espaço onde hoje é o Madame funciona desde 1983 e já abrigou uma vanguarda de artistas, de bandas de rock a DJs. Mau Mau e Magal por exemplo, começaram a se destacar como profissionais tocando no porão do casarão da Bela Vista.
Magal se apresenta no club aos sábados, tocando de post punk a EBM. Mau Mau está conosco pela segunda vez na festa.

A ideia nossa – eu, DJ Costta e o Gê Rodrigues (proprietário do club) é colocar o Madame no circuito de festas de música eletrônica, sempre respeitando sua história. Por isso quando colocamos como estilos que tocam: electro, house e techno com ares retro e clássicos. O lugar é dark e sua decoração propicia uma experiência dark ao frequentador.

A escolha do Madame para receber a festa diz muito sobre o conceito que está sendo trabalhado. Qual a importância do club e de todo legado do Madame Satã frente a Gigolo?

Como já citei, desde 1983 o lugar abriga clubs, quase todos com a proposta de tocar clássicos dos anos 80 e 90. A Gigolo é um pouco diferente, pois coloca a música eletrônica nova e moderna como foco, mas sem esquecer-se de onde isso começou, por isso no meio dos sets, clássicos da house, electro e techno, podem aparecer. Único pedido que faço aos DJs é “mostre seu lado mais dark”.

Gigolo é um nome conhecido no cenário da dance music, especialmente por conta do label comandado por DJ Hell. O que exatamente levou a escolha desse nome?

O selo Deejay Gigolo Records, fez uma revolução na música eletrônica nos anos 2000, trazendo não só ares de synth pop e electro Detroit, mas também vocais e uma atitude fashionista a cena. Era um mix de anos 80 com a música eletrônica, do electro a house. Por isso quando surgiu a ideia de fazer uma festa, pensamos no nome GIGOLO – clara referência do legado do DJ Hell, seus artistas e label. Fora que a brincadeira soa bem: Gigolo da Madame [risos].

Musicalmente falando, qual o foco principal da festa?

Música eletrônica dark! Começamos em lentos BPMs e vamos subindo, passando por diversos estilos e gêneros da música eletrônica. Cada DJ vai levar a sua história e colocá-la em prática na pista que é única em SP. Aliás, já toquei em diversas pistas pelo país e não há uma com atmosfera do porão do Madame.

Como você enxerga o atual cenário eletrônico da cidade de São Paulo e como a Gigolo pretende se incluir nesse movimento?

A noite de SP passou por umas mudanças nos últimos anos com a entrada de festas itinerantes no calendário, abrindo muito mais o leque de opções para o público. Acho que agora começa a estabilizar-se e incorporar esse novo modo de entretenimento, já que SP é enorme e tem espaço para todos. A Gigolo pretende se colocar no mercado como uma festa que acontece num lugar histórico, com proposta de ambiente e música mais dark que o normal, com atrações que vão de artistas conhecidos a consagrados, mas sempre dando espaço para os mais novos. Ainda estamos no começo, temos muitos pela frente.

Para finalizar, uma pergunta pessoal. O que a música representa em sua vida?

Através da música conheci boa parte das pessoas que hoje me cercam. Não vivo só de música, mas ela é sem dúvida a arte que levarei comigo pela vida. Atualmente estudo contrabaixo acústico no SESC e frequento semanalmente a SALA SP – casa da OSESP, aliás onde conheci meu amigo Costta. Lá (Sala SP) virou meu templo e a minha igreja. Se falto uma semana já fico mal. Minha residência no D-EDGE também é fator importante na minha carreira como DJ, onde aprendi muita coisa e onde portas sempre se abrem. Uma família da qual tenho orgulho em fazer parte.

A MÚSICA CONECTA. 


Alan Medeiros é publicitário, sócio-fundador do Alataj e nome por trás da Beats n' Lights Management.

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