Simon Haehnel e Tobias Mueller são os homens por trás do projeto andhim. Tocando e produzindo juntos desde 2010, eles conquistaram considerável sucesso internacional de forma meteórica, pouco mais de 12 meses após o início do projeto. A resposta para esse fenômeno? Inovação e irreverência.

Experimentando com diferentes gêneros eles criaram o que atualmente chama de super house: “Aconteceu naturalmente. Nós começamos a produzir música e logo percebemos que soava diferente do que estava sendo lançado naquele momento”. O estilo foi amplamente aceito pelo público e também por outros artistas mais experientes no mercado e desde então, Simon e Tobias tiveram a oportunidade de rodar o mundo discotecando e curtindo as festas de um jeito bastante particular – ambos são figuras muito animadas e donos de uma energia contagiante.

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Atualmente em mais uma tour pelo Brasil, a dupla que já se apresentou no Rock in Rio no último fim de semana, agora se prepara para tocar em Campinas no Club 88 e em Porto Alegre na Levels. Aproveitando a passagem deles por aqui, mandamos algumas perguntas que foram respondidas com a personalidade única que todos esperam quando o nome andhim está envolvido:

1 – Olá, Tobias e Simon! É um grande prazer falar com vocês. Eu recordo que antes da primeira tour de vocês pelo Brasil, muito se falava na criação do estilo super house. Como vocês enxergam essa questão? Vocês realmente tiveram a intenção de criar algo novo ou isso aconteceu naturalmente?

Aconteceu naturalmente. Nós começamos a produzir música e logo percebemos que soava diferente do que estava sendo lançado naquele momento. Embora nossa variedade seja grande e possa ir do deep para o melodic, sempre é possível ouvir a impressão digital do andhim. Você sabe que pessoas e principalmente jornalistas querem estereotipar você. Então, apenas criamos nosso próprio gênero para dar a eles satisfação.

2 – Ainda sobre as experiências do andhim pelo Brasil: já presenciamos sets de vocês mais focados no techno e outros completamente house. Essa versatilidade tem ajudado vocês a conquistar um público mais interessado em assistir ao andhim do que propriamente um estilo musical?

Sempre seguimos o fluxo, todo set pode ser diferente do outro. É isso que faz um DJ. Quando você está descalço em um lugar aberto na praia, você toca diferente do que você faria em uma rave com 5000 pessoas em um armazém escuro e suado. Isso é o mais empolgante de se apresentar. O seu humor também impõe o que você toca e o que você não toca. Seria muito entediante tocar os mesmos sets de novo e de novo. Nós não queremos nos limitar.. além de ser empolgante para as pessoas.

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3 – O relacionamento com as gravadoras é um ponto muito importante na carreira de um artista. Como vocês lidam com isso? Além da Superfriends Records, há alguma outra gravadora que vocês cultivam uma relação especial?

Com certeza, há a Monaberry, que nós lançamos a maioria das nossas faixas no começo. O label é dirigido por Super Flu, que são grandes amigos. Então, sim, esse relacionamento é bastante especial. Mas com o início do nosso próprio label no fim do ano passado, tentamos focar mais nele no momento. É muita divertido e motivador dirigir um label. Por agora, é só nossa própria música, para que possamos nos concentrar totalmente em nós mesmos. É um playground maravilhoso para nossa visão da música eletrônica.

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4 – Percebo que o recente EP de vocês, Huso, traz uma atmosfera um tanto quanto étnica ao decorrer das duas faixas. Quais foram as principais influências utilizadas para produção dessas faixas?

Para ser honesto, não tenho certeza. Nós só vamos para o estúdio e vemos o que acontece. Para Huso nós encontramos esse som característico, o qual logo começamos a tocar neste padrão oriental. Então, já tínhamos essa vibração significativa, o resto apenas seguiu. Brincar com sons e samples leva você a uma determinada direção na maioria das vezes, você tem que seguir essa direção. A coisa mais empolgante sobre criar música é isso: você nunca sabe o que vai acontecer.

5 – De um modo geral, artistas alemães ligados a música eletrônica costumam ser mais frios e sérios se comparados a vocês, concordam? Sendo assim, de onde vem essa energia e alegria exuberante que vocês possuem no palco?

Não sei se é um fenômeno alemão, mas nós apenas tentamos ser nós mesmos. Somos caras felizes e divertidos, por que não transmitir este sentimento no palco? Também gostamos de dar alegria aos fãs, eles merecem isso. Os nossos lados humildes e divertidos que somos como seres humanos são os mesmos sérios e perfeccionistas que somos com a nossa música. Levamos a nossa música muito a sério, mas nós mesmos não.

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6 – Boy Boy Boy foi uma das faixsa responsáveis por catapultar a carreira de vocês. Falem um pouco sobre o momento em que o andhim se encontrava nesse período…

Isso foi no nosso segundo ano como andhim e já tínhamos lançado algumas faixas. Seguimos o fluxo, como sempre, mas tivemos sorte de lançar algumas faixas importantes nesse momento. Às vezes isso acontece quando você está no estúdio, nunca planejamos nada, entramos lá e tentamos ser criativos. Mas com certeza, foi um ano empolgante. Foi o ano em que realmente começamos a tocar no mundo todo.

7 – Rock in Rio, Campinas, Porto Alegre… essa nova tour pelo Brasil certamente reserva alguns momentos especiais, não é mesmo? Quais são as expectativas e as melhores memórias que vocês carregam de outras experiências por aqui?

Estamos muito empolgados por estar de volta ao Brasil. Dessa vez ficamos 5 dias no Rio, então podemos explorar bastante, há muito a conhecer. Estamos interessados principalmente na arte do Brasil, Gemeos e Cranio, mas as churrascarias também são incríveis. Nós nunca estivemos em Porto Alegre, isso é muito legal, amamos explorar novas cidades e conhecer novas pessoas.

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9 – Nós enxergamos a música como uma forma de conexão entre almas. E vocês, como a enxergam?

A música tem muito poder. Pode ser a coisa mais poderosa no mundo. Conecta pessoas, culturas, países, gerações e corações. Pode curar você, mas também destruir. Pode ser uma terapia ou o seu sentido na vida. Há músicas que você carregará pelo resto da vida. Muitas memórias estão conectadas à música. Momentos de dor, tristeza, felicidade e amor.

10 – Para finalizar: sabemos que vocês vieram de escolas musicais diferentes e que a mistura das referências de cada um foi muito importante no processo e construção do andhim. Mas e agora, após quase 10 anos trabalhando juntos, como é possível se manterem plenamente motivados e inspirados no projeto?

Veja a resposta anterior. Música é vida. Criar música e apresentá-la ao redor do mundo é o maior privilégio que poderíamos ter alcançado. Ser criativo e criar é a nossa motivação. Fazer as pessoas dançarem e sorrirem é a nossa motivação. Então, nós continuaremos fazendo isso até que ninguém mais queira escutar nossa música. Antes de tudo, estamos fazendo isso para nós e nosso prazer. É nosso hobby e sempre será.