Alataj entrevista Tessuto

A cena eletrônica de São Paulo pode e deve ser considera uma das mais importantes do mundo e razões não faltam para justificar tal afirmativa. Além de possuir um circuito clubber e de festas independentes consolidado, há também um alto fluxo de eventos com diferentes formatos/propostas e artistas da cidade tocando e produzindo em alto nível.

Um desses expoentes é Paulo Tessuto, responsável pela icônica festa Carlos Capslock e pelo label MEMNTGN, esse dirigido em parceria com L_cio. Paulo acaba de completar 10 anos de carreira e se reafirma em uma fase de intensificação nos trabalhos de estúdio e pesquisa musical. Seus últimos sets nas recentes edições da Caps e no Dekmantel São Paulo 2018 receberam uma grande leva de elogios, prova de que tal empenho e dedicação tem alcançado os resultados desejados.

Techno extravaganza at its best. Say hello to one of São Paulo's leading key figures: Tessuto​!

Techno extravaganza at its best. Say hello to one of São Paulo's leading key figures: Tessuto!É o supra sumo do techno. Vem dar um oi pra um dos figuras mais importantes da cena Paulistana: Tessuto.

Publicado por Dekmantel em Sábado, 3 de março de 2018

A nosso convite, Tessuto respondeu algumas perguntas sobre sua experiência de uma década frente as pistas, trabalho com o MEMNTGN, futuro da Capslock e muito mais. Corre pra ver:

Alataj: Olá, Tessuto! Tudo bem? Essa é uma pergunta retórica, mas certamente importante nesse momento de celebração pelos seus 10 anos de carreira. Como exatamente começou sua ligação com a música eletrônica?

Tessuto: Meu primeiro contato foi ainda criança, devia ter uns 6 anos, Minha prima comprava aquelas revistas de música eletrônica dos anos 90 que vinham com um CD. O favorito dela era o Prodigy. Com 16 anos eu fui na minha primeira festa, ver o Marky tocar numa quinta do Lov.e.

A Capslock, mais do que uma festa, se tornou um movimento na noite paulistana. Inevitavelmente muita coisa mudou desde o surgimento da festa, certo? O que você mais sente falta?

Eu diria que as coisas mais se transformaram e adaptaram do que mudaram. A essência da festa continua sendo a mesma: non sense, sério debochado. Toda vez que acaba uma edição eu fico sentindo falta e lembrando dos momentos. São dois meses de trabalho condensados em 12 horas de festa e depois tudo evapora. A nostalgia se renova a cada edição.

Os últimos seus que tive a oportunidade de escutar me soaram bem maduros e bem construídos. É possível dizer que sua preocupação com a parte técnica tem evoluído nos últimos tempos? Como você enxerga seu perfil de discotecagem?

Que legal que você comentou isso! É muito bom quando o trabalho que você desenvolve é reconhecido. Sim, há um ano mais ou menos eu comecei a me dar conta que eu não estava me dedicando tanto a minha carreira de DJ e produtor por conta da festa estar consumindo grande parte do meu tempo. Então comecei a administrar melhor minha rotina para poder focar nas pesquisas, técnicas e também pra ficar no estúdio.

Recentemente você articulou uma ação interessante com o Instituto Goethe. Conta pra gente como foi e quais foram os principais aprendizados desse trabalho:

O evento foi muito produtivo e bom para vermos tantas pessoas de diferentes partes da cidades e diferentes movimentos se unindo para discutir ideias para melhorar as condições para os produtores independentes. Pra mim, o maior aprendizado foi ver que esse diálogo é algo muito construtivo para essas cenas e micro cenas que co-existem em São Paulo. Isso precisa continuar.

Sua experiência em pistas fora do país é algo bastante expressivo. De uma forma geral, quais são as principais diferenças que você sente quando toca em outros países?

Cada lugar tem sua cena e sua cultura e cada gig é sempre uma nova experiência. Com certeza aqui no Brasil a cena é mais recente e ainda passa por estágios que alguns países na Europa já passaram. Isso torna o nosso mercado mais frenético. A pegada social que as festas daqui assumiram também é algo muito especial e de certa form singular.

MEMNTGN, seu selo ao lado do L_cio, mudou a forma com você enxerga a música como business? Quais são os principais planos do label para 2018?

Eu não diria que mudou, mas sim nos fez enxergar novos horizontes. Business está longe de ser a forma como enxergamos o label. Na verdade é tudo sobre investimentos tanto em nossas carreiras, como nos artistas residentes da Casplock. Queremos vislumbrar uma profissionalização em todos os âmbitos. Nosso mercado precisa muito disso, grande parte das pessoas ainda são muito amadoras, ou por falta de condições ou interesse mesmo. Além de poder profissionalizar e ter mais respaldo, a gente também quer poder lançar músicas que acreditamos.

Viver em uma cidade intensa como São Paulo certamente tem seus prós e contras. Até aqui, de que forma SP tem impactado seu crescimento enquanto artista?

Acho que estar em São Paulo acaba impactando mais meu pulmão do que minha carreira – brincadeira [risos]. Estar aqui sempre foi crucial pra mim, pois é um dos grandes polos de festas do Brasil. Fora isso é muito bom estar em contato com tantas culturas diferentes. Talvez se, há 7 anos, a Capslock tivesse começado em outra cidade do Brasil, não teríamos dado certo.

Para finalizar, uma pergunta pessoal. O que a música representa em sua vida?

Inspiração.

A MÚSICA CONECTA. 


Alan Medeiros é publicitário, sócio-fundador do Alataj e nome por trás da Beats n’ Lights Management.

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