READING

Alataj entrevista Traffic Jam

Alataj entrevista Traffic Jam

Conteúdo powered by BURN Energy

É muito comum o uso de alter egos dentro da música eletrônica. Maceo Plex, Loco Dice, Jackmaster e outros grandes medalhões do nosso atual cenário estão aí para comprovar isso. Nesse mesmo ponto de reflexão, é interessante observar como alguns artistas se envolvem com tamanha intensidade com seus projetos, ao ponto de praticamente se tornarem uma tradução do que está sendo proposto no campo artístico.

João Pedro por exemplo é muito mais conhecido no campo da música pelo seu nome artístico. Como ele mesmo confessa em sua bio, a cada dia Traffic Jam é mais parte de sua vida – a máxima também vale para o contrário. Inicialmente o projeto nasceu como um duo ao lado de Ricardo Albuquerque, um dos principais DJs do brasil na atualidade. Através da nova alcunha eles buscam criar um som que pudesse transformar qualquer engarrafamento (tradução da palavra) em um momento agradável.

+ Entrevista com Albuquerque sobre a Radiola

Com a saída de Albuquerque, João manteve os planos iniciais do projeto, pisou no acelerador e pouco a pouco vem conquistando um merecido espaço na cena nacional. Como parte da crew Radiola desde o início, Traffic Jam é um dos expoentes da gravadora e label party curitibana e hoje já coleciona boas aparições em clubs do calibre de Beehive, Vibe e Warung. Cada vez mais respeitado dentro da cena house do Brasil. João Pedro está pronto para explorar o que há de mais profundo em sua música: uma mistura ousada e totalmente original de referências. Confira nosso bate-papo exclusivo com o artista:

1 – Olá, João! Tudo bem? Você é parte do Radiola desde o início. Quão importante o crescimento e as experiências do núcleo foram para o seu desenvolvimento enquanto artista?

Olá Alataj, tudo bem! Foram fundamentais, se eu tenho esse trabalho hoje foi devido a minha proximidade com o núcleo. Ter visto como uma ideia se desenvolveu em uma gravadora, uma festa e um coworking me motivou a querer trabalhar nesta área e a proximidade com os artistas me ajudou a formar meu senso crítico e a querer desenvolver o meu próprio senso artístico.

2 – Como exatamente João Pedro se tornou Traffic Jam? Hoje, quais são seus principais objetivos com o projeto?

Tudo começou por volta de 2010, 2011. Nessa época eu estava aprendendo a discotecar, sem grandes pretenções, eu gostava muito de música eletrônica e essa era um meio de eu me aprofundar mais e me divertir, claro. Com a proximidade com o Ricardo Albuquerque, um dos meus melhores amigos, falando diariamente sobre música, indo em festas juntos, acompanhando a criação da Radiola e tudo que envolve uma amizade de aficionados por música, tivemos a ideia de criar algum projeto para tocarmos juntos e expressar tudo que conversávamos. Na época ele já era DJ profissional e eu um estudante no começo da caminhada, decidimos o nome Traffic Jam, engarrafamento em inglês e a ideia era fazer um som tão agradável que tornasse até um congestionamento um momento agradável [risos]. Fizemos uma apresentação sob esse nome em Curitiba em 2011, porém, por estarmos vivendo momentos diferentes, eu aprendendo a discotecar e ele já como profissional, seguimos carreira solo, mas como o nome era bom, acabei “roubando” para mim.

3 – Você possui um relacionamento muito próximo a cena de Curitiba e também com o litoral de Santa Catarina. De alguma maneira, essas duas regiões contribuíram para sua evolução?

Do mesmo jeito que a Radiola foi fundamental, frequentar festas em Curitiba e em Santa Catarina foi essencial para a criação do meu gosto musical e também para eu conhecer a cultura clubber. Tendo o privilégio de ter clubs que abriam semanalmente trazendo artistas internacionais e talentos locais, ajuda muito para você apurar seu gosto. Destaque para Curitiba é o Club Vibe e também os grandes festivais, XXXperience e TribalTech. Em Santa Catarina, minha maior escola e lugar preferido até hoje é o Warung. Ver os Djs tocando long sets e muitas vezes destacando como melhores festas que tocaram, tendo tocado no mundo todo, me sensibilizou de uma maneira que eu percebi que ali tinha algo especial e se eu soubesse aproveitar esse “feeling” poderia me ajudar muito como pessoa e como artista.

4 – Ao redor do globo, uma nova geração de produtores tem conquistado um espaço importante no circuito internacional. Na sua visão, para quais rumos a house music está caminhando neste momento?

Como todos os estilos de música eletrônica, o House tem muitos sub-gêneros, tenho visto com muito destaque a “especialização” desses sub-estilos, muitos produtores e festas descobrindo, ou melhor, especializando seu gosto e indo a fundo. Como o acid-boogie-disco da Dekmantel, minimalismo de alemães e franceses, a pegada pista e mais dub de labels inglesas como a Fuse London, o clássico mas sempre atual e moderno dos Americanos. Então o espectro é muito grande, vejo com bons olhos isso e creio que cada vez mais artistas estão se alinhando e criando músicas e festas interessantes pelo mundo e aqui no Brasil também, creio que nosso clima e nossa cultura são totalmente favoráveis para uma House Party.

A própria Radiola com sua pegada moderna e dançante voltada para pista de dança e agora com a sub-label Sonido Profundo, focando em lançamentos e festas com o estilo mais progressivo e deep que gostamos muito mas não fazia tanto sentido em uma Radiola Label Night ou lançamento pela Radiola Records. Então creio que essa versatilidade e possibilidades sejam muito positivos no momento em todo o mundo.

5 – Warung, Beehive, Club Vibe. O que representa pra você, estar inserido no calendário de marcas tão fortes no cenário eletrônico brasileiro?

Para um artista brasileiro (e do mundo também) não tem coisa melhor do que tocar nos melhores clubs. Para mim é muito emocionante, principalmente por frequentar a maioria deles há anos. Sempre é uma aposta quando lhe trazem pela primeira vez, então o foco e o objetivo é continuar a trabalhar para ser um artista interessante para esses clubs, que sempre chamam os melhores, continuarem a lhe contratar.

Traffic Jam @ Warung Beach Club 12/05/2017

Video da minha estreia no Warung Beach Club tocando na Radiola Label Night!Confiram!!

Posted by Traffic Jam on Monday, May 29, 2017

6 – O que podemos esperar do Traffic Jam para o segundo semestre de 2018?

Podem esperar mais maneiras de expressar minha música, minha primeira track vai ser lançada agora no segundo semestre. Lancei meu podcast chamado Trafficast, com a ideia de tocar músicas que eu gosto mas que não necessariamente eu toco no meus sets ao vivo, de diferente estilos, voltada para ouvir, quem sabe, em congestionamentos, como a ideia inicial do meu nome artístico sugere [risos].

7 – Para finalizar, uma pergunta pessoal. O que a música representa em sua vida?

A música é a minha vida, foi através dela que tive momentos inesquecíveis, que fiz meus melhores amigos e que decidi que seria o trabalho que eu faria. Então é o que eu respiro e o que eu quero fazer por toda ela.

A MÚSICA CONECTA. 


Alan Medeiros é publicitário, sócio-fundador do Alataj e nome por trás da Beats n' Lights Management.

RELATED POST

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

INSTAGRAM
SIGA-NOS