Alataj entrevista Trikk

A cena eletrônica mundial carece de um ar inovador sempre que tendências parecem apontar para o mesmo lugar. Quando isso acontece, nomes como o do português Trikk surgem com força em um cenário acostumado a reconhecer com louvor boas novidades. Membro do seleto time de artistas da Innervisions, B. Deodato é, sem dúvida alguma, um revolucionário musical de seu tempo.

Natural de Oporto, este jovem artista português começou sua jornada profissional na música eletrônica em meados de 2012 e logo no primeiro ano de carreira já emplacou um release pela Get Physical Music em compilação assinada pelos Catz n Dogz. Mais tarde, em 2015, Trikk também lançou pela Pets Recordings, gravadora gerenciada pela dupla polonesa. Entre outras peças do catálogo, se destacam os trabalhos para Truesoul em 2014, Optimo Trax em 2016 e Hotflush Records em 2013. Entretanto, nenhum release alcançou tamanho sucesso quanto seus trabalhos pela Innervisions.

Com o suporte de Dixon, Âme e companhia, Trikk emplacou verdadeiros hits, como Vilara, Bela, Devila, Kunu e Toukan. Foi justamente pelo selo berlinense que ele lançou seu aclamado álbum Mundo Ritual em 2017, trabalho que abriu muitas portas para sua música, incluindo o Brasil. Após uma estreia elogiadíssima no D-EDGE Festival em Abril, B. Deodato está de volta para uma sequência de gigs arrebatadora: Sexta-feira no D-EDGE e sábado em dose dupla no Rio Grande do Sul; Levels em Porto Alegre e Sunset Sessions em Santa Maria. Aproveitamos sua passagem pelo país para um rápido bate-papo:

1 – Olá, Trik! Obrigado por nos atender. Sabemos que a cena eletrônica de Portugal passa por um momento especial. Como você avalia essa fase o que ainda precisa ser trabalhado para o futuro?

Olá, é um prazer. Portugal desde os anos 90 teve algo especial com o movimento rave, apelidado de A Paradise Called Portugal, nome que foi dado pela revista Muzik Magazine UK. Desde então algo especial começou a acontecer, depois com o boom e a facilidade de fazer musica com os novos softwares que foram aparecendo, como o Ableton Live, muitos produtores novos apareceram, foi uma evolução natural. Acho que para o futuro apenas falta aos produtores portugueses fazer musica para o resto do mundo e não apenas para cenas locais, mas eu acho que cada vez mais Portugal está no mapa dos circuitos internacionais.

2 – Ao longo dos últimos anos você construiu um relacionamento muito interessante com a Innervisions, casa de alguns dos seus principais releases. Quão importante Dixon e todo time da gravadora tem sido para o seu desenvolvimento?

Sim, tem sido muito importante para meu desenvolvimento como artista e pessoa. Eles deram-me e dão muito suporte, não só em lançar a minha música para o mundo, mas também para alcançar muitos objetivos como DJ.

3 – Em Setembro você retorna ao Brasil após um debut muito elogiado no D- EDGE Festival em Abril. Quais são suas expectativas? O que você destacaria em relação as pistas brasileiras após sua primeira passagem?

Estou muito contente por ter a oportunidade de voltar ao Brasil mais uma vez. Durante o D-EDGE Festival senti muito amor por parte das pessoas que estavam napista, não esperava tanto. As minhas expectativas são bastante simples, apenas quero que seja uma boa festa e que as pessoas tenham um bom momento comigo.

4 – Na minha opinião, você é um dos poucos artistas contemporâneos capaz de criar algo realmente inovador e com identidade dentro da atual cena eletrônica. É possível dizer que a busca por um perfil diferenciado é uma de suas prioridades no estúdio?

Obrigado pelo elogio. Não procuro especificamente ser diferente. A música que faço vem de dentro de mim e sinto que é bastante natural, acho que é um culminar de alguns fatores, ouço muita musica diferente e consumo arte em geral, o que me ajuda a atingir o que eu quero no estúdio.

5 – Após o lançamento de Vilara em Abril deste ano, quais são os próximos projetos que devem ganhar a luz do dia? Você tem projetado um novo álbum para o futuro?

Neste momento estou a trabalhar em alguns projetos para o próximo ano, remixes vão sair este ano ainda também, um álbum é algo que eu quero fazer, mas precisa de ser com calma porque desejo construir algo especial, para mim e para os ouvintes.

6 – Porto, Londres e Berlim. Como cada uma dessas cidades contribuiu para o seu amadurecimento artístico?

Todas contribuíram, cada uma tem algo especial para mim, Porto foi onde eu estava numa fase experimental, onde comecei a fazer musica, enquanto Londres foi onde descobri muita musica diferente como Jungle, Post-Punk, New Wave ou até mesmo Noise, o que me ajudou a ter uma percepção musical muito grande. Por fim, Berlim é o culminar de tudo o que aconteceu até agora, descobri o que quero fazer para o resto da minha vida musical – eu acho.

7 – Para finalizar, uma pergunta pessoal. O que a música representa em sua vida?

Representa tudo, estou envolvido com musica durante o dia todo, menos quando estou a dormir obviamente [risos]. É muito importante, me move para o futuro mesmo estando no presente.

A MÚSICA CONECTA. 


Alan Medeiros é publicitário, sócio-fundador do Alataj e nome por trás da Beats n' Lights Management.

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