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Alataj entrevista VJ Picolé

Alataj entrevista VJ Picolé

Você já parou pra pensar quão importante é a iluminação de um club ou festival naquele momento ápice da noite? Nada que acontece com as luzes é por acaso. Se você está se sentindo amplamente envolvido com o som de uma festa, certamente o VJ tem um papel importante nesse sentimento, já que ele está em posição de mexer amplamente com o seu visual neste momento.

Bons VJs são responsáveis por construir uma história usando imagem em alinhamento com o som. Não há dúvidas que eles são capazes de transformar positivamente um ambiente envolto da música eletrônica – hoje este cenário é um dos principais campos de atuação para videotecagem. Assim como o DJing, o VJing diz muito sobre o agora, sobre criar uma história que em paralelo ao ambiente se torne marcante para o público. No Brasil, temos alguns profissionais destaques nesse segmento e um deles é Henrique Patesser Corrêa aka VJ Picolé.

Picola possui uma larga experiência trabalhando com festivais no Sul do Brasil e é um dos responsáveis por construir e executar o poderoso sistema de iluminação do Warung Beach Club – uma das referências nacionais no que diz respeito ao assunto. Aliando técnica apurada e criatividade, Henrique se tornou um dos profissionais mais respeitados do país e não por menos merece destaque por aqui. Confira nosso bate-papo com ele:

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Alataj: Olá, Henrique! Tudo bem? Obrigado por nos atender. O VJing do Warung é um projeto que eu admiro muito por ele não ter se rendido as facilidades e tendências da tecnologia – como por exemplo, uso excessivo de paineis de led. O que você pode nos contar sobre o processo de construção dessa identidade visual?

Olá Alan tudo ótimo! Eu que agradeço por esse espaço. Ao longo de sua historia o Warung foi um club que tem como principal referência a natureza e o lugar aonde esta estabelecido, de frente para o mar rodeado de vegetação e próximo a um grande centro urbano. Isso que fez aquele lugar se tornar incrível, a simplicidade e atenção detalhes.

Então por esse motivo a equipe se dedica aos detalhes e qualidade em utilizar os recursos sempre buscando manter a harmonia entre musica e natureza, dando destaque a identidade e arquitetura do Warung.

Um nascer do sol com Jamie Jones e Seth Troxler, um long set do Hernan Cattaneo, uma virada de ano com Green Velvet ou uma breve passagem do CarlCox, são esses momentos que ficam marcados e fazem a diferença na vida de muitas pessoas e nos buscamos que seja da maneira mais agradável e impressionante.

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Como é pra você trabalhar com duas pistas tão diferentes? Quais são as principais diferenças e dificuldades entre Inside e Garden para o trabalho de um VJ?

Esse é um trabalho que sempre foi feito por 2 VJs e 2 iluminadores, coordenação e projetos são feitos pelo Jejê e Luís Gustavo Zagonel e quem passa o pente fino no padrão de qualidade é o gerente Eduardo Quirino. A principal dificuldade é sempre deixar as pistas em sincronia e harmonia com o DJ, horários entre 22hrs e 00hrs tem uma temperatura e opacidade mais intenso com cores mais relaxantes para receber o publico e no restante da noite é acompanhando os DJs direto dando destaque e percepção da sonoridade, mas também em alguns momentos diminuindo a intensidade do brilho e movimentos para não cansar a pista.

O trabalho do VJ em muitos casos é decisivo para performance de uma faixa no dance floor. Quais estratégias você utiliza para ter uma melhor sincronia com o som?

A estratégia é entender de mixagem e produção musical. Um VJ de clubs tem que ter o domínio de mixagem e conhecimento de como funcionam os arranjos e frequências. É importante também estar sempre em sincronia com as cores. O trabalho é praticamente igual do DJ, eu faço uma pesquisa da sonoridade de cada artista e durante a noite vou elaborando as mixagens visuais junto com o DJ e o iluminador, sempre dando destaque na sonoridade e atento as transições e breaks.

Há alguma história curiosa ou engraçada que você já passou e poderia nos contar?

Ano que vem vou fazer 10 anos de Warung. Comecei lá em meados de 2009 como ajudante da equipe de som e foram muitas historias que não teria como compartilhar todas, mas tivemos algumas marcantes como a vez que o Ricardo Villalobos chegou atrasado e tocou no Inside e depois no Garden completamente maluco. Em um Carnaval, acho que 2011 um helicóptero pousou dentro do Warung e destelhou todo o Garden foi uma confusão e quem estava na pista não entendia nada [risos].

Assim como DJs e produtores, certamente você tem as suas performances preferidas. Quais você destacaria?

Essa é difícil pois são tantas referências iradas, ainda mais com o avanço da tecnologia. Atualmente vem surgindo muita novidade mas vou citar algumas mais atuais: o novo show do Eric Prydz ,HOLO; o estúdio Weirdcore.tv; o VJ Toshiro e pra fechar a galera da United VJs.

Como você enxerga o atual momento do VJing no Brasil? O que ainda é necessário fazermos para evoluir no que diz respeito ao reconhecimento da importância desse profissional?

Eu diria que é um momento muito bom, existem vários profissionais e artistas se destacando e fazendo um excelente trabalho. Como citei anteriormente a galera da United VJs participou da abertura das olimpíadas do Rio 2016 e esse ano trouxeram o VJ Torna para o Brasil. Há também o Vigas e a galera do VJ Suave que estão mostrando que o VJ também é um artista.

Na minha opinião o cenário estÁ em uma boa fase, somos um mercado e profissão que está evoluindo. Por isso o reconhecimento também está evoluindo os clubes e artistas estão levando os VJs para a estrada e gerando seu próprio conteúdo. Isso é bom, faz os artistas se movimentarem e ter destaque.

Um VJ tem diversas necessidades e isso exige buscar ferramentas, então nem sempre é possível executar um trabalho sozinho, é necessário muito conhecimento e experiência para planejar, criar e executar um projeto complexo. Com isso os custos são altos e essa tem sido a maior dificuldade, convencer o contratante e entregar um projeto que atende as expectativas e orçamento.

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Quais foram os projetos mais complexos que você já trabalhou até aqui? O que você pode nos contar sobre eles?

O mais complexo com certeza é o Warung Tour. Estou há 5 anos nesse projeto e vai além do trabalho de VJ. Cada tour tem um cenário e estrutura diferente e são muitos detalhes para projetar a experiência do Warung respeitando as características do local. Pode ser em uma praia paradisíaca em Guarapari ou em um aeroporto privado em Foz do Iguaçu: tornar esses eventos incríveis com todos os detalhes que lembrem o Warung é muito complexo.

São 7 anos como VJ e são muitos projetos vou lembrar brevemente: TribalTech eu trabalhei em 5 edições e a complexidade desse evento é a quantidade de VJs que colaboram. Isso é interessante pois a curadoria fica com o VJ Vigas e tem um line up completo com os melhores artistas em diferentes performances, sempre com muita liberdade e criatividade. Alguns outros incluem: CreamFields, Dream Valley, Warung Day Festival, TRIBE 2012, Loop360 (DVD) e outros. 

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8 – Para finalizar, uma pergunta pessoal. O que a música representa em sua vida?

Música para mim é qualidade de vida, é historia, é arte, é definir um momento, é ter um incentivo, é sobre se sentir bem, é apreciar. Trabalhando lado a lado com a música e sendo expectador de diversos estilos eu posso falar que o mais importante é a alegria e a diferença que ela faz na vida das pessoas. Trabalhar próximo ao estilo de música que eu gosto é muito bom e me deixa muito feliz. Fico empolgado em ver a galera curtindo e ter meu trabalho envolvido. Só tenho a agradecer a música por isso.

A MÚSICA CONECTA.


Alan Medeiros é publicitário, sócio-fundador do Alataj e nome por trás da Beats n' Lights Management.

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