Quando o espanhol Wade participou da nossa coluna Troally no ano passado, ele já possuía lançamentos importantes por labels como Moan e Avotre. Entretanto, sua carreira deu uma alavancada considerável nos últimos meses, com releases que alcançaram o topo do Beatport e turnês pelos principais países das cenas techno e house internacional. Essa semana o jovem artista está de volta ao Brasil – seu debut foi em Cuiabá no mês de Maio – para três apresentações que prometem. A primeira é hoje na Moving, tradicional noite de Quinta-feira do D-EDGE. As demais acontecem no sábado, durante a tarde na Radiola TV em Curitiba e a noite em Papanduva, na Field Club, para aniversário da SITAR feel&music. Conversamos com Wade, que nos contou detalhes sobre o momento atual de sua vida profissional, lançamentos recentes e expectativa para sua segunda passagem pelo Brasil. A música conecta as pessoas!

1 – Olá, Wade! Obrigado por falar conosco. Esse ano, você fez sua estreia ao Brasil e poucos meses depois está de volta. Como foi a primeira experiência por aqui e quais são suas expectativas para essa nova tour?

A verdade é que aa primeira vez em Cuiabá foi espetacular, um público muito entregue e com muita vontade na pista.
Passei esse tempo como uma criança, foram duas horas intensas de set. Agora volto com mais vontade para tocar em um club mítico como é o D-EDGE em São Paulo. Tudo isso é um privilégio pra mim

2 – Frequentemente, você tem alcançado posições de destaque no chart do Beatport. Como tem sido organizar a agenda de lançamentos e o que essas conquistas representam para você?

E muito difícil organizar a agenda de lançamentos com a tua equipe e as labels em questão. Sempre há variáveis externas que podem fazer que haja vários lançamentos consecutivos ou que você fique alguns meses sem lançar, mas acho que estamos trabalhando bem nesse aspecto. Alcançar altas posições no chart do Veatport é, como eu sempre digo, uma sorte ou privilégio. Tento inovar minha música de um jeito que agrade a mim e ao público. Graças a Deus estou me saindo bem e estamos vendendo muito nesses últimos meses. Espero continuar acertando nisso.

3 – No mês de Julho você passa por 4 países diferentes em 10 gigs. Certamente, essa é uma rotina agitada, que te muitas vezes te obriga a dormir pouco, comer de forma prática e passar horas em aeroportos. Como você faz para conciliar sua saúde mental e física, em meio as viagens?

É o que eu levo de pior, dormir se converte as vezes um pesadelo constante. É difícil encontrar o momento para dormir, tem fim de semana que eu durmo 3 ou 4 horas somente, já que não consigo encontrar o relaxamento físico-mental para conciliar o sono, mas suponho que irei aprendendo com o passar do tempo.

4 – Como você vê as produções e a cena atual no Brasil? Você já ouviu algum material brasileiro recentemente?

Vejo uma cena 100% no auge. Sigo vários produtores/DJs como Fancy Ink, DJ ANNA, Volkoder, etc. Todos esses tem bom respeito dentro da cena européia. De fato, acho que DJ ANNA trabalha muito bem no mercado europeu na atualidade. O Brasil é um país gigante no qual devem existir milhares de DJs que não conheço, os quais com certeza são muito bons.

5 – Suas últimas gigs tem sido marcadas por alguns b2b interessantes, com artistas como Miguel Bastida e Jay Lumen. Como é pra você tocar nesse formato?

Tocar num b2b com Miguel Bastida é sempre especial, além de companheiros de trabalho/agência também temos uma relação de amizade próxima o que faz com que o trabalho seja levado de uma maneira especial. Com Jay Lumen foi algo heroico pra mim. Sempre segui ele de perto e o admirei desde que eu era uma criança praticamente, para mim foi uma honra em todos os sentidos.

6 – Fale um pouco sobre o seu relacionamento com as gravadoras que você trabalha. Há alguma que você gostaria de destacar?

Trabalho atualmente com labels como Suara, Relief, Lost Records. Gostaria de destacar o ótimo trabalho da Suara, é como uma família para mim e me fascina lançar música com eles. Eles possuem uma forma de trabalho profissional e a equipe é muito amável, é para mim um dos melhores selos de música eletrônica já que abrange todos os campos.

7 – Produzir alguns remixes parece ser algo que te agrada bastante, não é mesmo? Fale um pouco sobre a sua experiência trabalhando com remixes

Sim, eu gosto bastante de trabalhar em remixes, já que posso dar uma ideia que eu acredite que a versão original necessite. Gosto de fazer remixes que soem diferentes das originais, digamos que seria fazer um “original mix” ao original mix. Nestes próximos meses verás novos remixes em selos como Suara, Kling Klong, Be One Records e Formatik.

8 – Para finalizar, uma pergunta pessoal. O que a música representa em sua vida?

A música é criação, expressão de sentimentos do teu pensamento, simplesmente algo que queres dizer e este seria o único jeito de expressar. Me atrevo a dizer que é fundamental na vida de qualquer pessoa, te faz perder a cabeça e sentir que estas em outro lugar quando tu quer estar. A música é arte, onde tu pode fazer dela o que tu quiser, onde tu brinca e se diverte. O que seríamos sem a música? Na realidade não sei, mas tenho certeza que a vida seria bastante chata.