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As transformações que fizeram de Wehbba um dos exp...

As transformações que fizeram de Wehbba um dos expoentes brasileiros do techno

Vocação. Segundo dicionário “tendência ou inclinação natural que direciona alguém para uma profissão específica”. Para alguns, ela se manifesta ainda na infância, para outros ela demora a chegar. Em alguns casos, ela chega de forma avassaladora, em outros parece não existir. Mas e quando ela vem em mais de uma frente e você precisa decidir qual caminho seguir?

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Esse é apenas um dos pontos de partida da história do brasileiro Wehbba, que trocou os consultórios de odontologia pelo estúdio de produção e São Paulo por Barcelona em busca de um lugar ao sol no mundo da música. Mesmo com a possibilidade de seguir uma carreira de sucesso fora dos palcos, a música pareceu falar mais alto na vida de Rodolfo. Mais do que vocação, talento e inteligência na percepção das melhores oportunidades, também fizeram a diferença na carreira do DJ e produtor que atualmente reside na Espanha e confirma que mudar para a Europa foi um ponto de transformação e renovação na sua carreira.

Agora, com uma experiência de pista que já ultrapassa a barreira de uma década, Wehbba possui no catálogo releases por selos de renome internacional, como Bedrock, Tronic e Systematic. Referência brasileira no cenário internacional do techno, ele se mostra preparado para uma agenda cheia de tours, que passou ou irá passar por lugares como Oriente Médio, Nova Zelândia, Estados Unidos, Europa e claro Brasil. Convidamos o artista para assinar o mix 278 do Alaplay Podcast e, de quebra, responder algumas perguntas para nossa entrevista. Confira: 

1 – Olá, Wehbba! Obrigado por nos atender. Atualmente você mora em Barcelona, certo? De que forma a áurea criativa da cidade tem contribuído para sua evolução enquanto artista?

Olá, o prazer é meu! Sim, vivo em Barcelona há cerca de dois anos, e foi uma das melhores mudanças que já aconteceram na minha vida, tanto profissional quanto pessoal. Desde que resolvi me mudar, estava decidido a dar um rumo diferente a minha carreira, e dividir melhor o lado dos “negócios” do lado artístico, e ao fazer tudo com mais calma e mais clareza, ambos os lados se desenvolveram muito mais e mais rápido que nos meus primeiros 10 anos de carreira. Nunca estive tão feliz com o que estou produzindo e tocando, e nunca me senti tão livre e realizado quanto agora.

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2 – Laurent Garnier, Danny Tenaglia e Stephan Bodzin, são apenas alguns dos bons artistas que você ja pode colaborar. Há algum projeto em collab que está sendo desenvolvido no momento? Como você se sente trabalhando nesse formato?

Eu tenho focado em trabalhar sozinho, pois ao longo dos anos acabei deixando a minha individualidade de lado e trabalhei com muita gente, seja remixando ou criando junto, o que é muito legal e me fez crescer muito como artista, mas o meu momento agora é mais introspectivo. O único projeto que tenho atualmente e que envolve outro artista é um EP de remixes que fiz para o projeto E-Dancer de Kevin Saunderson, de um dos seus maiores clássicos, chamado “Pump The Move”, que vai sair em uma colaboração inédita entre os selos KMS, do próprio Kevin, com Tronic, do meu parceiro de longa data, Christian Smith. Os remixes serão lançados em formatos digital e vinil, e servirão como divulgação do novo álbum do projeto E-Dancer que deve sair até o meio do ano, o primeiro álbum de Kevin Saunderson com esse nome desde 1992!

3 – Antes de seguir prioritariamente sua carreira como músico, você trabalhou como dentista, certo? Em que momento houve o ponto de virada na sua vida e você optou por seguir seu grande sonho?

Eu já tocava desde a época da faculdade e me envolvi com produção musical mais profissionalmente assim que me formei, então as duas coisas andaram juntas desde o começo. Só me senti obrigado a deixar a odontologia quando começaram a acontecer turnês internacionais, por volta de 2006, pois tinha que ficar muito tempo longe das clínicas e isso atrapalhava o tratamento de alguns pacientes, foi aí que tive que escolher, e pra ser bem sincero não foi uma decisão muito difícil.

4 – Tronic, Bedrock e Systematic são alguns dos selos que já receberam suas faixas. Na sua visão, qual a importância de liberar música por um selo que tem um formato de trabalho mais profissional? Isso realmente tem feito a diferença na sua carreira?

Tudo na minha carreira sempre fluiu muito naturalmente nesse aspecto desde o início, talvez por determinação minha, porém eu criava as músicas, fazia contatos, os DJs tocavam, os selos se interessavam, a reputação crescia, e mais selos se interessavam. Depois de um certo nível fica mais fácil o acesso a qualquer selo, eu não desvalorizo meu trabalho em hipótese alguma disponibilizando faixas gratuitamente ou lançando por alguma plataforma que não tenha os mesmos princípios e ideais que eu tenho, ou que compartilhe ou apoie a minha visão artística, em especial nos dias de hoje, e acredito que isso acaba atraindo coisas cada vez melhores.

5 – Dentre tantos lugares incríveis que você já se apresentou, há algum que represente a você uma energia especial e inesquecível? Se sim, qual?

São muitos realmente, graças a Deus! Mas talvez a minha apresentação no Skol Beats em 2004, com o meu primeiro live act, tenha sido uma das que mais me marcou, por ser o primeiro festival que eu toquei, por ser um sonho alcançado – pois desde a primeira Skol Beats em 2000 eu me imaginava tocando lá, mesmo não sendo nem DJ amador ainda….ou por ser numa época de ouro da música eletrônica no Brasil, e talvez eu possa considerar aquela apresentação, incluindo o tempo de preparação para ela, como o início realmente de toda a minha jornada até aqui.

6 – Como você avalia no momento a atual situação do mercado brasileiro? Na sua opinião, se você tivesse se mantido por aqui, sua carreira estaria no mesmo patamar que se encontra hoje?

Eu saí do Brasil num momento em que vi minha carreira estagnada, quando notei que eu tinha mudado tanto a minha essência pra poder me adaptar ao mercado nacional (que vinha em uma fase extremamente limitada), que já tinha perdido quase toda ela, inclusive chegando a afetar minha carreira internacional. Acho que saí no momento certo, no final de 2014, e passei por um processo de auto-renovação maravilhoso, deixei de tocar no Brasil por 1 ano inteiro, saí da minha agência de anos, tudo pra poder me concentrar em voltar a minha essência e ganhar uma nova perspectiva, e na Europa tive mais liberdade pra isso. Dito isso, acredito que o momento no Brasil é de metamorfose, lembro de ter vivenciado algo parecido por volta de 2009/2010, quando voltei a morar no Brasil depois de uma temporada de 4 anos na Europa, e o potencial é muito grande! A diversidade parece estar voltando a ter espaço, muitas coisas estão acontecendo no cenário musical e “político” no mercado brasileiro, e eu tenho muita esperança de que a gente possa ter uma cena saudável, diversificada e que faça parte integralmente – bi-lateralmente – do circuito internacional.

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7 – Gigs, lançamentos, tours… o que podemos esperar para a sequência de 2017?

Meus lançamentos começam em Abril, como mencionei anteriormente, com os remixes para Kevin Saunderson, porém tem muita coisa bem legal que ainda não posso divulgar, talvez esse seja o melhor ano da minha carreira nesse sentido. Quanto a gigs e tours, o ano começou puxado com turnês na Australia, Nova Zelândia e Estados Unidos, intercaladas com gigs na Europa e Oriente Médio, e em Abril devo passar um período no Brasil visitando minha família, o ano está só começando!

8 – Para finalizar, uma pergunta pessoal. O que a música representa em sua vida?

A música é o meu propósito.

A música conecta as pessoas! 


Alan Medeiros é publicitário, sócio-fundador do Alataj e nome por trás da Beats n' Lights Management.

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