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Review | Junction 2: terceira edição do festival é marcada por altos e baixos

Por Inácio Martinelli

No último sábado, aconteceu em Londres a terceira edição do Junction 2, principal festival de techno da cidade. Com um line up estelar, que reuniu nomes do calibre de Carl Cox, Adam Beyer, Nina Kraviz, Dixon, Âme, Tale of Us e Maya Jane Coles, todos os ingressos esgotaram com semanas de antecedência. Porém, apesar do sucesso de público, nem tudo funcionou como planejado e a (falta de) organização fez o evento perder alguns pontos.

Acompanhado de duas amigas, cheguei ao festival por volta de 14h30 e a fila já estava grande, mas andando rápido. Em cerca de 20 minutos, entramos no Baston Manor Park, localizado a uma hora de metrô do centro de Londres. Porém, para a nossa surpresa, outra imensa fila nos esperava do lado de dentro. Dessa vez, para comprar tokens que seriam usados nos bares. Decidimos dar uma volta e retornar para essa missão mais tarde.

O festival possuía cinco palcos distintos em uma área não muito grande, o que facilitava a locomoção entre eles. No line up, diferentes abordagens do techno. Um dos destaques foi a dupla Mind Against, que confirmou a boa fase e atraiu um bom público para o seu set no início da tarde. Já o duo italiano Tale of Us, como de costume, acertou em cheio com seus graves inconfundíveis e sons que alternavam momentos obscuros com melodias intensas.

Uma boa surpresa foi o b2b da suíça Sonja Moonear com o uruguaio Nicolas Lutz, velho conhecido dos paulistanos. Mais voltado para o minimal, o set deles casou perfeitamente com o palco The Woods, que era rodeado por um belo conjunto de árvores em uma área mais escondida do parque. Sem dúvidas, esse era o melhor lugar do festival e, logo em seguida, Joy Orbison deu continuidade à atmosfera criada pela dupla.

A grande atração do evento era o b2b entre Adam Beyer e Carl Cox. Porém, localizado embaixo de um viaduto, o Main Stage já dava sinais de lotação desde o meio da tarde e ficou intransitável durante a apresentação conjunta da dupla, problema recorrente em festivais londrinos. Demos preferência ao conforto e fomos conferir a última hora do long set de Âme e Dixon – decisão que se provou acertadíssima. Os maestros do selo Innervisions possuem um repertório invejável e sabem como ninguém comandar a pista. Apesar de soar genérico em alguns momentos, a mistura de techno e house dos alemães é dançante na medida certa, agrada à diversos públicos e combina em cheio com festivais.

No entanto, o Junction 2 foi a prova de que música boa não é o único quesito para um evento se destacar hoje em dia. Se em 2017 tudo funcionou perfeitamente, esse ano a experiência do festival deixou a desejar, com filas excessivas, sistema de tokens ineficiente e muito lixo espalhado por todos os cantos. Apesar dos erros não terem comprometido por completo a diversão, saímos com a sensação de que os ótimos nomes no line up não foram o suficiente para tornar a edição de 2018 realmente especial.

A MÚSICA CONECTA. 


Equipe de reação do portal Alataj, focada em levar conteúdo cultural ao público antenado na música eletrônica.

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