Sem dúvidas, uma das datas mais esperadas do verão para quem curte um bom tech house na pista. Santé e Sidney Charles chegaram ao Brasil com uma expectativa alta em torno de seus trabalhos. O desafio era grande para a dupla de jovens artistas alemães, entretanto, eles passaram longe de decepcionar.

O tech house é um estilo complicado. Ele em especial, exige uma identidade bem definida para os produtores que buscam se destacar, caso contrário, tudo soa exatamente igual. Sidney e Santé, possuem essa característica. Ambos são artistas consolidados dentro do gênero. Sidney Charles, é mais versátil, flutua com maior técnica e facilidade entre o techno e o house, com produções muito boas em ambas as vertentes. O primeiro grande acerto da noite, foi colocá-lo para fechar a festa. Por mais que Santé tenha mais nome no Brasil – ele já havia tocado outras vezes por aqui, ao contrário de seu companheiro – Sidney possui uma linha de set um pouco mais intensa que a sua. Por isso, a escolha sugeriria uma progressão mais coerente.

O warm up da noite ficou nas mãos de Bernardo Ziembik. O residente da Terraza BC tinha um importante desafio pela frente, o maior de sua história junto a pistinha de Floripa. Bernardo, é um DJ com habilidade e experiência para atuar dentro do techno e do house e nessa noite, optou corretamente por um set mais “houseado”, que em momento algum atropelou o que viria na sequência e teve dois pontos altos: Sua construção e a track final, uma justa homenagem a David Bowie ao som de “Let’s Dance”.

Ao receber a pista ao som de um clássico do pop, muito bem inserido no contexto da noite, o artista de Berlim certamente entendeu a mensagem que o brasileiro deixou para o resto da noite. Era hora de dançar, muito. Santé fez um set predominantemente tech house, que não teve uma construção progressiva, mas viajou entre momentos enérgicos e um pouco mais calmos, no tom certo para o que Sidney faria na sequência.

A essa altura da noite, a situação estava como em uma jogada extremamente bem armada entre defesa, meio campo e ataque. Sidney Charles teria apenas a missão de finalizar a jogada com classe. Em um set que se aproximou em alguns instantes da apresentação de Santé, o DJ e produtor de Hamburgo teve momentos de maior explosão na pista, com o techno mais presente em seu repertório. Sidney tocou várias faixas de seu álbum House Lessons, lançado no ano passado pela Avotre, entre elas “TXL” e “Horny”. Além dessas, tocou também seu novo EP para a Truesoul na íntegra. O grand finale veio com o remix de Lee Walker para a “Freak Like Me”, um dos hits do último verão em Ibiza que tem se mostrado potente nas pistas brasileiras.

O saldo da noite é bastante positivo e reafirma a curadoria do Terraza como uma das mais inovadoras do Brasil. Em pouco menos que 10 dias, Petre Inspirescu, DJ W!LD, &ME, Sidney Charles passaram por festas do club. Até o fim do mês que vem ainda teremos Danna Ruh, Sonja Moonear, Sammy Dee e Felipe Valenzuela. Definitivamente, 2016 será o ano da pistinha. A música conecta as pessoas!