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Soul Beats | Os 25 anos de carreira do DJ Andy

Soul Beats | Os 25 anos de carreira do DJ Andy

Quem frequenta a noite em São Paulo provavelmente já ouviu falar, ou já esteve, nas festas e festivais nos quais Anderson Capeda já se apresentou. Mais conhecido como DJ Andy, o artista e empresário está celebrando, neste ano, 25 anos de carreira. Profissional premiado dentro e fora do país, Capeda é consagrado como “o melhor artista internacional” pela conceituadíssima premiação britânica Drumandbass Awards. Em território brasileiro, é tricampeão como melhor DJ de drum and bass pela revista DJ Sound (2005/2010/2011).

Com passagem em diversos países, como: Inglaterra, Alemanha, Áustria, Canadá e Estados Unidos, Andy pode ser considerado como um verdadeiro furacão das pistas de dança. Aquelas e aqueles que já presenciaram alguma apresentação do artista, sabe que a mão do DJ não é leve quando assume a posição de “maestro”. Tomorrowland Brasil, Spirit Of London e Skol Beats são exemplos de grandes festivais que o artista já se apresentou. Além dos eventos open air, DJ Andy já teve a honra de se apresentar em uma das pistas mais icônicas do cenário eletrônico internacional: o fabric London. Atualmente, Capeda é residente na Mono Club, junto com Júlio Torres apresenta o Vinyl Sessions e possui um programa (a Bass Go Boom – DnbSessions) na respeitadíssima rádio online BassDrive.

No aspecto empresarial, Andy coordena junto com os sócios Jeff Paiano e Roberto Scarfuro a Mono Club, casa noturna localizada em São Paulo. No intuito de endossar a comemoração que está marcada para o dia 12 de agosto, no Hotel Prince Tower (São Paulo, SP), conversamos com o DJ Andy. Confira:

1 – Primeiro eu gostaria de lhe agradecer pela entrevista. Por você ser um profissional que atua ativamente no mercado de trabalho há 25 anos, é uma grande honra estar trocando estas palavras…

Eu que agradeço o espaço

2 – Como e quando você começou a sua profissionalização como DJ?

Profissionalmente foi no Club Over Night, finalzinho de 91 para 92 , mas foi em 92 que realmente fui anunciado como o mais novo DJ do club. Eu era RP do club e meus patrões sabiam que eu já fazia os bailinhos e pequenas festas, ai eles me falaram que queriam mudar a cara da matinee, deixar o pessoal que trabalhava na cabine de som, com uma linguagem mais jovem, ai me fizeram o convite para ser DJ. Entre 6 a 8 meses fiquei meio que de segundinho (fazia o horário das lentas), até que depois que o DJ Badinha saiu eu fiquei sozinho como DJ oficial do club .

3 – De onde vem o nome DJ Andy e quais são as melhores memórias atreladas a ele ao longo destes 25 anos de profissão?

Andy vem do meu nome Anderson, agora sobre as as melhores memórias é meio difícil, pois são vários momentos, cada fase ou época teve vários especiais, como por exemplo: o dia que fui anunciado como o mais novo DJ residente da Over Night, a 1˚ gig fora de São Paulo, ter tocado em todas edições do Skol Beats, o Tomorrowland, as turnês Internacionais, Europa, América do Norte e América do Sul. Ter tocado no aniversário do fabric em Londres e ser um dos headliners da noite, os festivais 1Nation, Global Gathering, West Fest Festival, Randon Concept entre outros, ser eleito um dos 3 melhores DJs Internacionais do mundo na votação do Drum n Bass Awards de Londres em 2016, tudo isso foi de grande emoção. Mas, o que vale mesmo a pena é ter o respeito e o carinho das pessoas.

4 – Ao longo da sua trajetória profissional, com certeza você se deparou com diversas evoluções e, porque não, revoluções do cenário da música eletrônica nacional e internacional. Poderia citar as mais marcantes para a sua carreira?

Pra mim uma das mais marcantes foi no início dos anos 90, a era clubber, tanto musical quanto no comportamento cultural do público, era uma mistura de muitas mudanças ao mesmo tempo. Na música tínhamos a house, techno, hardcore e jungle techno juntos na mesma noite. Todos dançavam um pouco de tudo sem rótulos e as pessoas saiam felizes ao fim da noite

5 – Por um tempo você trabalhou com outros gêneros musicais antes de chegar no drum and bass, quando e de que forma você começou a se interessar pelo dnb?

Bom, posso dizer que fui um dos precursores nesse movimento. No começo eu, Marky e Julião, batíamos o pé para poder passar informações para o público. Lógico que cada um em seu club – isso na época do inicio do hardcore/jungle. Logo em seguida conhecemos os DJs Pafife e o Koloral, que atuavam mais na zona sul, e assim unimos forças para divulgar cada vez mais o som do DnB. Mas antes no início de minha carreira, tocava muita house, hip house, acid house, soul, cool music, hip hop e raggamuffin. Tudo isso era o que eu gostava de tocar, até que normalmente fui seguindo a evolução da musica. Quando teve a fusão da batida quebrada com elementos da house, techno, hip hop e reggae, foi arrebatador e exatamenet aonde que tudo começou. Sempre procurava tocar coisas diferentes para poder educar meu público, fui muito influenciado por artistas como Rebel MC (que hoje é o CongoNatty), NJOI, Bizarre Inc, Altern 8 , Moby, The Prodigy, SL2, Shut Up and Dance, Baby D, Dj Hype e por aí vai.

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6 – O que faz o seu coração bater mais forte é o seu trabalho como DJ, estou certo? Por que não se dedicar a produção musical de forma intensificada?

Sim, sempre fui apaixonado pela cultura DJ e deixava essa coisa de produção como 2˚ plano, até porque, eu queria ser muito bom no que se dizia a técnica/mixagem. Hoje em dia é diferente, lógico que continuo apaixonado e sempre serei mais DJ do que produtor, mas agora estou em fase de trabalho do meu álbum, muito mais focado no estúdio para poder mostrar e de repente disponibilizar as músicas ainda esse ano.

7 – Além do aspecto artístico, você auxilia e coordena projetos ligados à música. Poderia contar um pouco sobre os trabalhos que têm desenvolvido?

Acho que foi uma coisa natural ao meu ver, pois como nossa cultura como brasileiro sempre puxa para o lado mais popular  e muitas vezes não há um lugar que eu possa tocar meu som com liberdade, acabava por fazer minhas próprias festas e assim educar meu publico musicalmente. Também acho que por ter sido RP lá no começo da Over Night, tenho essa facilidade de estar mais próximo ao público.

8 – Especificamente sobre a sua festa de 25 anos de carreira: por que uma festa? E o que este evento representa para a sua carreira?

É meio que para unir dois públicos. O presente e as pessoas que me acompanhavam nos anos 90. Mostrar o que a música pode fazer e quebrar barreiras, é mostrar que mesmo com 25 anos atuante, eu ainda tenho muito para aprender. Posso dizer que é um marco em minha trajetória e me preparo para mudanças significativas. O mundo mudou, e consequentemente a forma como as pessoas consomem música também. 2017 é um ano desafiador para mim, meu som e meu repertório são atuais, mas sem deixar de contar a história da nossa cena através da música, todas as pessoas que já me ouviram tocar sabem e reconhecem isso instantaneamente. Meu objetivo agora é alcançar a nova geração, que é influenciada por big names internacionais da atualidade, mas que não fazem ideia que no Brasil temos feito coisas incríveis há décadas.

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9 – De que forma os convidados para esta super festa estão conectados com a sua profissão? 

DJ Andy: São meus heróis , infelizmente alguns que eram pra estar não puderam por conta de agenda, mas todos foram escolhidos com muito carinho. Todos são de muita influência em minha formação e referência musical.

Bizarre Inc foi um dos grandes hit makers dos anos 90, não só na cultura warehouse rave com clássicos como Play With Knives (música que comemora 25 anos e que também vai comemorar conosco) até outras que são mais house como: I Gonna Get you e Took My Love. Então a conexão com eles é meio que contar minhas referências do início dos anos 90.

Dave Angel é uma lenda do techno, sempre fui fã dele, um dos artistas que revolucionou a cena em Londres por levar a influência do Detroit techno em suas músicas e fazer toda a diferença. Para a festa ele faz a conexão de quando também tocava techno em meus sets, mas para festa ele vai fazer um set totalmente atual e contemporâneo, mostrando quão grooveado e funkeado pode ser o bom e velho estilo criado em Detroit.

Dillinja é um dos produtores de dnb mais reverenciados, desde início do Jungle até o estilo atual. A marca dele é o grave da 808 marcante e as vozes distorcidas. Heavy sound com uma linha de bateria marcante e o puro som do drum n bass. Ele até criou um sistema de som exclusivo para atingir as baixas frequências do DnB, especificamente em suas músicas: é o Valve Sound System.

Bryan Gee é o padrinho, dono do selo V RECORDINGS. Ele é o responsável por abrir portas para minha carreira internacional, não só minha, mas de nomes como Marky, Patife e muitos outros. Bryan sempre foi um visionário, foi ele que lançou as primeiras produções de Roni Size, Dj Krust & DJ Die, Dillija e por aí vai. Podemos dizer que Gee tem um amor especial para com o Brasil, sendo assim com certeza é uma das pessoas importantes caminha trajetória e não poderia passar sem ele.

Mc Darrison é um fenômeno, já trabalhou com Ed Solo, Skool Of Thought, Fatboy Slim, Deekline, Ed Rush, Optical, Total Science, Wayz, DJ Mace, Krafty Kuts, Freestylers, JFB e Baymont Bros. Já toquei com ele algumas vezes em Londres e com certeza a presença de palco dele faz toda diferença – ele consegue colocar fogo na pista. Do line up nacional, todos meio que se cruzam com minha história, dividir a cabine com alguns por muito tempo, outros foram e ainda são aliados nessa missão de levar a boa música para as pessoas.

10 – Sobre o futuro: como você se imagina daqui a 5 anos?

Acredito que ainda tocando muito pelo Brasil e o mundo a fora. Quero continuar levando minha paixão para as pessoas, podendo passar um pouco da minha bagagem para elas.

A música conecta as pessoas! 


Lucas Portilho é um apaixonado pela cultura dnb e responsável pela coluna Soul Beats no Alataj

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