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SPE 2018 | Um intercâmbio cultural poderoso: Dekmantel São Paulo

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Por Caio Taborda

Quando comecei a pensar em como se tornou possível trazer um festival como Dekmantel para São Paulo, fui atropelado por quase três anos de memórias de conversas, apostas, especulações, sucessos e muito aprendizado. São vários momentos minúsculos e realizações pontuais que acabam se perdendo dentro do quadro geral (e gigantesco) que é produzir um festival no brasil. Confesso que deu até uma certa preguiça tentar destrinchar tudo [risos].

Eu realmente acredito que nada disso seria concretizado, com o sucesso e escopo que teve, se não fosse o momento extremamente fértil da cena independente na cidade. Essa base sólida nutrida pelas festas e coletivos que estão dando o sangue pra criar e manter a cena independente de São Paulo foi essencial – parece até contraditório, pois estamos falando de “mais uma marca gringa” que entra no mercado, mas eu posso dizer com toda certeza que sem o fator local, não teria dado certo. A nossa esperança é que, de alguma forma, ajude a criar um contexto de sustentabilidade para iniciativas sérias dentro da cena, que, como nós e os outros coletivos da cidade, pensem no longo prazo.

O fator afinidade entre Gop Tun e Dekmantel com certeza foi ingrediente primordial dessa receita – o fato de antes de mais nada sermos amigos ajudou bastante. Além disso, tanto o Gop quanto o Dekmantel têm a música na mais alta estima e tudo que construímos nessas duas edições têm origem numa ligação profunda e verdadeira que se refere exclusivamente à ela e na possibilidade de criar as melhores condições possíveis do público apreciá-la. Com essa premissa muito bem enraizada na relação, todos os problemas e suas soluções foram se desenrolando com mais facilidade. A qualquer momento que houvesse um entrave, por qualquer motivo, era pra essa realidade que voltávamos – e esse sempre será o norte da nossa produção: o cuidado com o público.

Esse cuidado vem de querer oferecer pros outros o que queremos pra nós também – é proporcionar aquilo que nós esperamos quando somos público. Isso engloba um capricho em questões mais macro como um line-up carinhosamente curado e um layout bem pensado e projetado, ao mais detalhado como ter capas de chuva e protetor para todos, um bar funcionando sem fila e banheiros limpos e de fácil acesso. Acho que o grande lance aqui é que temos o mesmo grau de preocupação com o detalhe do que temos com os elementos maiores do festival. Parece óbvio agora que leio isso, mas na hora do corre é muito fácil deixar os detalhes passarem batido. Tem também uma mistura que é muito nossa, que vai da música à experiência visual que oferecemos – no sentido mais amplo da palavra. Tudo é pensado para intensificar ou maximizar a diversão de quem vai. O ambiente de descoberta musical é algo fundamental, claro, mas a cenografia e toda a preocupação com o conforto e bem-estar do público são primordiais também – não tem como uma experiência te passar uma energia boa se você está desconfortável.

Isso tudo só é possível construir com um time de produção foda – não só naquilo que fazem mas em entender aquilo que precisa ser feito. Nosso time de produção é desses. São muitos caciques trabalhando juntos, e falar a mesma língua não basta, temos que escutar a mesma língua. Nós usamos soluções, materiais e mão de obra locais que de alguma forma exaltam as qualidades do local escolhido. Desde a construção do palco ao segurança bem brifado, é necessário ter um time de produção redondo e uma equipe entrosada. Isso inclui brifar com cuidado e paciência a equipe que impacta diretamente no público: seguranças, brigadistas, equipe de limpeza e staff do bar. Ter uma equipe de segurança mal orientada, por exemplo, pode trazer desdobramentos graves pro festival além de destruir a experiência de muita gente. É muito importante pra nós que toda a equipe saiba entender nossos convidados e tenha tato para abordá-los da melhor maneira possível em qualquer situação. Damos muito valor ao fato de, em 2 anos de festival, não termos tido problemas com briga ou até mesmo remoção de um convidado por uso pesado de drogas.

Esses tempos folheando alguma revista, passei por uma matéria do Simon Sinek e li um trecho que ficou na minha cabeça e que resume bem como funcionam as coisas – não só nesse meio do qual estamos falando, mas também na era em que vivemos. “100% dos clientes são pessoas. 100% dos empregados são pessoas. Se você não entende de pessoas, você não entende de negócios.” Esse é o meu foco e o foco do Gop Tun para qualquer “negócio”: as pessoas.

A MÚSICA CONECTA. 


Alan Medeiros é publicitário, sócio-fundador do Alataj e nome por trás da Beats n' Lights Management.

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