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Guy Gerber, seus rumores e sua genialidade

Guy Gerber, seus rumores e sua genialidade

Guy Gerber – original de Israel, mestre dos long sets e dono de um humor peculiar – começou a fazer sucesso 10 anos atrás e até hoje intriga as pistas por onde passa, os jornalistas com quem fala e os artistas com quem colabora. O fator intrigante é que o DJ e produtor tem seu próprio jeito de pensar, agir e interagir com musica, além de opiniões bem fortes sobre como o underground deve ser, para que continue sendo o contrario do comercial.

Who did this ?identify yourself ?

Uma foto publicada por Guy Gerber (@guygerber) em

Seu primeiro contato com a musica foi por meio do rock, Gerber é fã assumido de Joy Division e muitas das suas tracks ainda hoje apresentam o som de guitarras – instrumento que ele adora adicionar, quando a track pede e o conjunto existe em harmonia. Seu primeiro álbum, Late Bloomers, foi lançado pela Cocoon – label do gigante Sven Vath – em 2007, seguido da parceria que fez com o Resident Advisor em 2012, Who’s Stalking Who? em 2013 e o icônico 11:11 com Puff Daddy em 2014. Dono de um dos calendários mais agitados da industria, somente em Maio o DJ viajou para 12 cidades em 10 países diferentes. Sua energia é impressionante e por causa disso não é raro ver o Israelense tocar sets de 8, 10 e até 12 horas – como fez no Burning Man em 2014 em um marco legendário, sem duvidas.

Um bom exemplo de sua genialidade musical é a parceria que fez com o rapper Puff Daddy em 2014 – citada no parágrafo acima. Em entrevista para a THUMP os dois narram como se conheceram no Burning Man e um dia Daddy ligou para Gerber dizendo que gostaria de fazer uma colaboração. A intenção era trazer um som para uma pista aonde aquele som não fosse esperado – e até bem vindo – como era feito em NY nos anos 90, auge das festas de garagem, limelight e liberdade na pista – tanto para os DJs com suas escolhas musicais quanto para o público com suas expressões pessoais. São poucos os DJs que conseguem misturar dance music com hip hop e ainda manter-se fiel a sua imagem underground. Gerber o fez com louvor e por brincar com o comercial de uma forma tão inusitada, é que ele continua surpreendendo o seu público – afinal ninguém quer ouvir um set de 12 horas tocando a mesma coisa o tempo todo não é?

Em 2014, Gerber parte para uma nova empreitada com sua label/festa/experiencia audio visual Rumors. Basicamente tudo começou com uma festa nas praias de Ibiza que cresceu para viajar o mundo convidando outros artistas para participarem e oferecerem uma experiencia um tanto quanto exótica e com uma pegada tropical do underground. A marca tem uma identidade visual que, ironicamente, brinca com o quanto seu criador é alvo constante de fofoca. Rumors que traduz para rumores, so tem uma frase como descrição na sua pagina do Facebook: “anything that might have or will happen and people will be talking about” (qualquer coisa que já tenha acontecido ou vá acontecer que terá pessoas falando sobre”). Alguns dos seus destinos incluem o Art Basel de Miami – semana de arte badaladíssima – Chinatown de Los Angeles – primeira vez que alguém fez uma festa naquela area diga-se de passagem – e até nosso querido Warung – Gerber tocou em solo brasileiro em fevereiro desse ano. Nesse verão do hemisfério norte, Rumors tem residência no resort Destino em Ibiza todo domingo, iniciada no dia 22 de Maio e com vim previsto para o dia 16 de Outubro. A festa começa as 5  da tarde todos os dias para que o clima seja descontraído e realmente tropical – nada melhor que o por do sol de Ibiza. Alguns dos convidados já confirmados são Bob Moses, Dubfire e Thugfucker.

Como todo gênio, Gerber oferece um ar, tanto nas entrevistas que dá quanto como se expressa nas redes sociais, de ser impossível de se penetrar. Não se sabe aonde ele irá a seguir e muito menos o que se está pensando no momento. Mas como qualquer gênio, sabe-se que será revolucionário, dançante e dará muito o que falar. A musica conecta pessoas!


Georgia Kirilov é estudante de jornalismo e história da arte e acredita que criar é um ato político. Escreve sobre as nuances e sutilezas no caleidoscópio da música eletrônica sempre colocando-o em paralelo com o contexto social e político dos locais por onde passa e explora.

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