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5 selos que ensinaram ao techno seus primeiros passos

Irmão mais novo do Chicago House, o Techno tem suas raízes em gêneros afro-americanos como o Funk, Soul, Electric Jazz e artistas como Kraftwerk, Giorgio Moroder e Maurizio Dami. Suas ideologias tecnológica e futurista são contemporâneas à sociedade pós industrial americana na qual o conhecimento humano e o acesso à informação são os determinantes primários da distribuição de poder.

Extensa é a lista de gravadoras que já deixaram sua marca em 3 décadas de Techno. Seleciono aqui 5 destas que foram muito importantes e tiveram papéis complementares nos anos que o estilo ainda engatinhava. A música conecta as pessoas! 

Transmat – Detroit (1986)

Label boss da Transmat e um dos pioneiros do Techno, Derrick May enxergava que a experimentação musical era alcançada utilizando a tecnologia para a constante reprogramação da realidade e a maximização do ser humano.

Ao lado de alguns dos seus primeiros lançamentos como Strings of Life (1987), Beyond the Dance (1989) e The Beginning (1990), artistas como Carl Craig, Stacey Pullen, Joey Beltram, Octave One, Aril Brikha e Suburban Knight “conseguiram levar o Techno a dezenas de diferentes direções ao mesmo tempo, tendo o tipo de impacto expansivo que John Coltrane teve no Jazz” (Dan Sicko, 2010).

Kompakt – Colônia (1993)

Espírito comunitário é a chave do sucesso desse selo alemão.  Seu prédio é a residência de 4 de seus 5 label bosses, um estúdio de produção, loja de discos com +500 lançamentos pela Kompakt, suas sub-labels e +150 artistas, uma distribuidora musical e uma agência de bookings. O estilo lúdico, elegante, sensual e por vezes engraçado da gravadora é traduzido em um Techno hedonista bem diferente da estética dura e seca de Berlim.

Além do som dos fundadores Wolfgang Voigt, Jörg Burger, Michael Mayer, Jurgen Paape e Reinhard Voigt, o selo recebeu em mais de duas décadas de história artistas como Justus Köhncke, Patrice Baumel, Matias Aguayo, Kaito e Gui Boratto. Ainda sob o guarda-chuva da Kompakt, o brasileiro lançou em 2013 a D.O.C. Records, sub-selo que administra a carreira e lança produções de artistas brasileiros como L_cio e Elekfantz.

Underground Resistance – Detroit (1989)

Originalmente formado por Jeff Mills, Mike Banks e Robert Hood, Underground Resistance utilizou do ativismo politico, da sua própria música e muito estilo para reduzir a desigualdade racial americana da sua época. Evidentes nas mensagem gravadas em seus discos, vocais e sonoridades, o selo encontrou no anti-marketing a estratégia para impedir a comercialização do Techno. Sua abordagem pragmática fomentou um estilo de vida que é seguido (ou serve de inspiração) para uma infinidade de produtores do gênero que até hoje rejeitam ferramentas mercadológicas para promoverem seus trabalhos.

As músicas do UR criaram um senso de introspecção, experimentação e habilidade de explorar suas próprias capacidades para mudar o “eu” e o mundo ao seu redor.

R&S – Ghent (1984)

Apesar de pequena, a Bélgica sempre soube se colocar musicalmente com muita originalidade. Foi lá que o Acid House se misturou com o EBM (electronic body music – som intenso, industrial, rápido e sombrio) para criar o New Beat, considerado por muitos a primeira estética européia do Techno. Renaat Vandepapeliere e Sabine Maes (R&S) foram pioneiros dessa cena em meados dos anos 80, criando o selo que foi um dos primeiros “estábulos musicais” para produtores europeus, sem perder o teor global dos talentos por ela licenciados.

Artistas que fizeram parte da primeira fase da história do selo foram Paula Temple, Jaydee, Aphex Twin, Biosphere, The Source Experience/Robert Leiner e Model 500. Vandepapeliere suspendeu as atividades do selo entre 2000 e 2006, ano que retorna com nova sede em Londres para lançar nomes como James Blake, Pariah, Space Dimension Controller, Blawan e Radioslave.

Plus 8 – Windsor (1990)

A segunda onda de produtores de Detroit Techno sem dúvida foi marcada pela gravadora de Richie Hawtin e John Acquaviva. Faixas tocadas na velocidade “+8%” do pitch de suas tocadiscos foram a inspiração para o nome do selo que é considerado um dos primeiros a ter um roaster realmente global, usando de estéticas sonoras autênticas, visão, experiência de produtores musicais e promoters de eventos para ganhar notoriedade internacional.

Progressivo, ácido e percursivo, Hawtin e seus aliases Chrome, Circuit Breaker, F.U.S.E., Plastikman, States Of Mind (com Acquaviva) e Cybersonik (com Acquaviva e Daniel Bell) ajudaram a expandir os horizontes musicais de uma geração de ouvintes em compilações como “From Our Minds To Yours” (1990) e “Blueprints For Modern Technology” (1993). Além deles, nomes como Kenny Larkin, Speedy J e Ken Ishii também fizeram seu debut na Plus 8.

 


Alan Medeiros é publicitário, sócio-fundador do Alataj e nome por trás da Beats n’ Lights Management.

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