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2016 se mostra inspirador para Caio T. e a Gop Tun

2016 se mostra inspirador para Caio T. e a Gop Tun

São Paulo está efervescente. A capital cultural do país atravessa um momento que pode vir a se tornar histórico no futuro. Núcleos estão disseminando a cultura da boa música eletrônica a todo vapor, o público nunca pesquisou tanto antes e os artistas da cidade estão desbravando fronteiras até então inexploradas no campo da arte. O resultado disso é uma cena absolutamente criativa, que apesar das dificuldades do mercado se sustenta com o suor e o amor de profissionais que dão a cara a tapa e buscam entregar algo que fuja da rota dos grandes eventos – esses também em franca expansão. Uma das figuras que formam esse cenário é o DJ Caio T., um dos líderes do coletivo Gop Tun, que traz a Dekmantel para o Brasil esse mês. Conversamos com ele para entender um pouco mais de todo esse trabalho que vem sendo desenvolvido.

1 – Olá, Caio! É um prazer conversar com você. Podemos começar falando a respeito do trabalho que você tem desenvolvido na Gop Tun. Como surgiu a ideia da marca e quais foram os primeiros passos da crew?
O prazer é meu! : ) Gop Tun nasceu como um grupo fechado no Facebook para troca de música entre amigos… depois de 2 anos ali resolvemos abrir uma Fan Page e compartilhar parte do conteúdo que trocávamos entre nós. Depois de algum tempo nós começamos a fazer festas pequenas em bares e clubs e finalmente depois de 1 ano mais ou menos resolvemos fazer nossa 1ª festa independente com produção, curadoria e promoção 100% nossa…

2 – A lista de artistas que a Gop Tun já trabalhou é impressionante e passa por nomes Floating Points, Mano Le Tough, dOP, HNNY, entre outros. Como é feito o processo de curadoria de vocês e quais são as principais dificuldades de montar a logística de um evento independente?
Todos nós pesquisamos muito. Até hoje compartilhamos em um grupo de trabalho novidades e artistas que nos agradam. Tentamos trazer para nossas festas aquilo que entendemos ser tendência de alguma forma, sendo assim o processo é bem natural. Ao longo do tempo conseguimos nos organizar com um calendário e bookar os artistas com mais antecedência. Quando começamos tínhamos que normalmente aproveitar artistas que estavam em tour por aqui o que era muito mais simples em termos de logística, com o tempo começamos a fazer diretamente nossos próprios bookings para poder trazer artistas que gostávamos e dificilmente viriam. Sempre encontramos bastante dificuldade para vendê-los aqui, muitas vezes trouxemos artistas que tocaram apenas em nossa festa. Hoje temos mais facilidade para bookar estes artistas pois temos parceiros que acreditam em nossa curadoria mesmo sem conhecer o artista, isso com certeza trará um impacto positivo nos line-ups do Gop Tun em 2016.

3 – Recentemente, você se envolveu em um novo projeto, o Na Manteiga. Fale um pouco mais sobre a ideologia do mesmo e o que o canal tem buscado explorar.
O Na Manteiga é uma rádio digital com sede em São Paulo. Temos uma loja em uma Galeria e lá gravamos programas com artistas que consideramos ter fit com nossa proposta. Desafiamos o artista a tocar ali algo que dificilmente ele tocaria em uma pista, visando expor um lado b muitas vezes desconhecido pelo público. Procuramos explorar bem a arte do ‘crate-digging’ buscando convidar artistas que de alguma forma são seletores dentro de seu gênero. Semanalmente postamos 2 Sets as segundas e quintas, são sets de 1h/ 1h20 gravados em nossa loja com edição de vídeo.

4 – Você possui uma identidade muito forte ligada a house music. Conte pra nós como foram seus primeiros contatos com o gênero e quais são os artistas que representam sua principal base de influências dentro do segmento atualmente.
Sempre gostei de House mas acho que passei a pesquisar de forma profunda esta vertente uns 8 anos atrás. Sempre frequentei a cena eletrônica de SP, clubs, festas e muitas vezes viajava para o exterior para ir a festivais e clubs, acho que assim como muitos meu paladar musical foi construído dentro das pistas. Four Tet, James Holden, Carl Craig, Ricardo Villalobos, Harvey… a lista vai longe.

5 – Ainda sobre a Gop Tun, em Janeiro a marca apresenta um showcase da Dekmantel no Brasil. Como tem sido trabalhar na produção desse evento?
Está dando um baita trabalho mas extremamente compensador! Esta é nossa maior e mais complexa empreitada, desde o approach feito com os donos do Dekmantel em Julho do ano passado até a escolha dos artistas, a logística, a venue foram horas exaustivas de trabalho para podermos soltar o evento em uma época que normalmente as pessoas estão de férias. Mas deu certo, o Dekmantel se mostrou um super parceiro e nos ajudou a transformar em realidade o que vínhamos conversando a meses, de fato é a marca que mais nos inspira e tem um DNA semelhante ao nosso.

6 – Para finalizar, uma pergunta bastante pessoal. O que a música eletrônica representa em sua vida?
Hoje ela representa praticamente tudo. Este ano mergulhei de cabeça no Gop Tun e Na Manteiga, larguei uma carreira de 12 anos no mercado, pesquiso e respiro música na maior parte do meu dia, idéias a mil, a estrada pela frente é longa.


Alan Medeiros é publicitário, sócio-fundador do Alataj e nome por trás da Beats n’ Lights Management.

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