Os núcleos desempenham papel fundamental na formação de novos artistas. Eles possuem a capacidade de introduzir esses nomes no mercado, incentivar a pesquisa e contribuir para a renovação da cena. O detroitbr de Itajaí, praticamente dispensa apresentações. Desde o começo da história da marca há uma filosofia em apoiar jovens talentos, promover a união com nomes da vanguarda e entregar algo realmente diferente ao público. Uma das novas apostas do grupo é a dupla Hetich, formada por Bruno Furtado e Victor Antônio da Silva. Há um ano eles estão em um grande processo de pesquisa musical, buscando influências profundas dentro do techno e aprimorando uma identidade musical que promete bastante. Convidamos o duo para uma entrevista e eles também gravaram um podcast exclusivo para a Troally que você pode conferir logo abaixo. Música de verdade por gente que faz a diferença!

1- Como surgiu a ideia de seguir a carreira de DJ?

Aconteceu naturalmente, há quase dois anos. Estávamos voltando de uma festa, e um amigo comentou conosco que iria comprar uma controladora para começar a tocar, naquele momento não tínhamos ideia de quais equipamentos um DJ usava, e isso despertou nossa curiosidade. Nesse período pudemos nos dedicar melhor, conhecendo os desafios da profissão, e foi através desse estimulo que compramos nosso setup inicíal: CDJ200 – Pioneer e DJX 700 – Behringer

Inicialmente, não conhecíamos pessoas que nos ensinariam a tocar, nossa relação com os profissionais da área naquele momento, era a relação de público/DJ, e devido ao dinheiro investido nos setup, acabamos impossibilitados de fazer um curso, restringindo nossa busca por conhecimento a internet, onde, através do meio, buscamos apostilas disponíveis, canais no youtube, entre outras plataformas que nos nortearam. A partir desse momento, somado a prática, começou surgir convites de amigos para tocarmos em festas privadas, aumentando nossa rede de contatos, fortalecendo ainda mais a vontade de seguir carreira como DJs.

2- Vocês planejaram ser uma dupla desde o principio? Como é a historia da amizade de vocês?

Nos temos uma amizade de curto tempo, nos conhecemos em 2013, porém sempre existiu uma conexão muito forte, e quando percebemos, estávamos sempre juntos, no mesmo ambiente, vivendo das mesmas experiências, o que fez com que nos tornássemos grandes amigos. Algumas das principais características nós já tínhamos, antes mesmo de ser uma dupla eram o respeito, confiança e conhecimento sobre o outro, faltava apenas entrosamento e pensando em carreira artística, não estarmos juntos desde o principio seria inviável.

3- Conte-nos um pouco sobre as influencias de vocês, tanto os artistas da linha musical em que vocês se espelham atualmente como os que hoje em dia já não fazem parte do repertório, porém foram essenciais na evolução.

Vamos começar pelo passado… Inicialmente tínhamos gostos musicais apostos, o que fez com que nosso case fosse uma grande salada de Ben Klock, Chris Liebing, Len Faki, Dixon, Mano le Tough, Maceo Plex, Tale of Us, entre outros. Naquele momento essa gama de artistas eram nossas influências, não tínhamos ideia de como era a fundo o campo de pesquisa dentro da música eletrônica.

Começamos a chegar perto do que acreditamos ser nosso ideal, quando começamos a frequentar o detroitbr, a convite de Eduardo Roslindo. No primeiro momento foi um pouco assustador, sair da zona de conforto e nos deparar com aquele novo universo repleto de experimentalismo, mas ao mesmo tempo desafiador. O detroitbr nesse periodo se tornou nossa escola, assim como posteriormente o WAN – Without a Name. A soma desses dois projetos fez com que mergulhássemos em um caminho sem volta inspirado no Dub Techno/Minimal tendo como referencias estrangeiras Monomood, Alessandro Crimi, Echologist, Grad_U, Deepchord, Dubfound, Enzo Leep, e as referência brasileiras voltadas para Gromma, Doriva Rozek, Stekke e em especial Idee, projeto de Renne Mussi que fez uma das apresentações mais belas do ano, nos mostrando que esse é caminho que buscamos artisticamente.

4- Qual foi o papel do detroitbr na formação do artista que vocês estão apresentando neste Troally?

Foi de extrema importância, frequentamos o projeto desde sua criação. Anterior ao detroitbr, nossa relação com a música era apenas de diversão e ao participar do projeto sentimos algo diferente, algo que vai além da música, um ambiente cultural rico em disseminar a arte em diferentes camadas.

Acreditamos que um dos fatores de maior relevância nesse processo, foi o cuidado que os membros do projeto tiveram conosco. Desde o início, contiveram nossa ansiedade, esperando o tempo certo de maturação. Foi um trabalho de um ano, nos bastidores, silenciosamente, até que na décima edição fomos escalados para um b2b com Petrius, onde tivemos a oportunidade de tocar para uma média de 500 pessoas, algo inédito até o então.

Dentro desse universo conseguimos conhecer pessoas como Mohamad, Petrius e André Anttony, que além do Dudu sempre nos apoiaram. O detroitbr também nos possibilitou conhecer outros projetos como Sounds in da City, Embed, HTBC, Undr182, Yard, Wan e Dark Room, que na soma de tudo transpiram um pouco do que vamos apresentar pra vocês.