A música eletrônica underground possui algumas peculiaridades interessantes na América do Sul. Ao contrário de outros grandes polos do planeta, aqui são os núcleos independentes que desempenham um trabalho árduo e de muito esforço para que os amantes do house e techno de vanguarda possam ter acesso a festas onde a música e a experiência do público sejam os verdadeiros focos. No Uruguai, a figura de Nacho Cabanelas é fortemente ligada a esse circuito. Ele é o organizador da festa No Way Back, que entre outros nomes já levou artistas como Lamache e Tati Pimont para tocar na capital uruguaia. Conversamos com Nacho para entender um pouco mais a dinâmica desse trabalho, confira abaixo o resultado juntamente com a participação do DJ em nosso podcast. Música de verdade, por gente que faz a diferença!

1. Olá Nacho! É um prazer falar com você. Para começar nos conte como a música entrou na sua vida.

Olá, o prazer é meu. Bom, eu comecei por curiosidade quando era adolescente, naquele momento me deparei com artistas e festas que se juntavam e hoje em dia já há um movimento interessante aqui em Montevidéu.

2. Você é uma pessoa que preza pela qualidade do vinil, tanto é que organiza a “No Way Back” em Montevidéu no Uruguai, uma festa focada na cultura do vinil. Conta pra gente como é trabalhar com uma festa com esse perfil.

Eu gosto muito desse formato e isso marca também uma tendência musical que vem crescendo bastante por aqui. Em meu círculo, todos tocam com vinil. Temos muitos grandes artistas jovens que já amam esse formato também.

3. No final do ano passado você levou uma de nossas convidadas, Tati Pimont, para a “No Way Back”, logo em seguida fizeram a ponte pra você tocar aqui no Brasil na festa “Arte Inn” da nossa – também – convidada Carolina Hollanda. Como que rolou todo essa conversa e quais experiências você conseguiu tirar dessa passagem aqui pelo Brasil.

Foi muito bom passar um tempo com a minha amiga Tati, descobrir muitas pessoas, artistas e lugares – conhecer a D-EDGE, algo que sempre quis ir em São Paulo. O Rio de Janeiro também foi maravilhoso. Só tenho experiências e lembranças boas do Brasil.

4. A cena underground brasileira tem crescido. Festas independentes vem ganhando respeito e espaço bem direcionado para o público que busca qualidade. Isso tem gerado o começo de uma “revolução” no mercado, que revela cada vez mais novos artistas regionais. Gostaria de saber como que funciona a cena em Montevidéu através de festas independentes e como que a galera apoia os DJs locais que estão apresentando novas sonoridades para o público.

Aqui a cena é muito desenvolvida, porque temos um clube que acredita nisso. O Phonoteque está em sua quarta temporada e tem sido a força principal para este desenvolvimento, ao colocar a música e a arte acima de tudo. A galera já costuma ir todos os sábados para ouvir música boa e desfrutar do lugar, eles realmente fazem uma boa pista de dança. Graças a isso, as festas independentes podem rolar, já que muitos DJs fizeram “fama” lá e o público que sai em Montevidéu quer desfrutar de música.

5. O Dj Koolt está sempre presente nos lines que você tem organizado. Na ultima edição da sua festa você tocou ao lado dele juntamente com o DJ francês Lamache. Como foi essa experiência e como é ter um lenda como Koolt sempre apoiando os seus eventos?

O DJ Koolt é minha principal referência, não só meu mas como de todo país. Ele sempre apoia os DJs e festas undergrounds daqui, seja tocando, ajudando ou ensinando. É legal trabalhar com ele, pois é uma pessoa humilde e muito profissional. Temos muita sorte de poder escutá-lo por aqui, tomara que isso aconteça pra sempre

6. Para finalizar, uma pergunta pessoal. O que a música eletrônica representa na sua vida?

Arte, trabalho, e um estilo de vida também. Quase todos os lugares que eu vou ela está presente, conheci pessoas e locais incríveis por causa dela. A música é quase tudo pra mim.