Nos sentimos realizados e encantados quando encontramos produtores que criam e entregam música fora do padrão que tanto estamos acostumados a acompanhar. Esse sentimento se torna ainda mais especial quando o artista em questão é brasileiro e desbrava as fronteiras do mundo levando uma música cheia de originalidade e identidade. EXZ é a alcunha artística de Alexandre Silveira, produtor de mão cheia e dono de um live impactante. Ele entrega os lançamentos a selos como AKUMANDRA e Frente Bolivarista, marcas que compactuam com a filosofia musical presente em seu cotidiano. Conversamos com Alexandre que nos passou informações muito interessantes sobre o momento atual de sua carreira. Vale a pena conferir. Música de verdade, por gente que faz a diferença! 

1. Olá Alexandre, um prazer conversar com você! Há um ano atrás encontrei o teu EP Mangue, escutei ele e achei de uma qualidade imensa e que fosse de produção de algum gringo pelo estilo, depois de quase um ano encontrei você em um live para a Radio Vírus e descobri que era brasileiro. Como você enxerga o crescimento desse seu estilo aqui no Brasil?

O prazer é todo meu, obrigado pelo convite! Acho que esse tipo de som vem ganhando cada vez mais espaço. Você tem diversos produtores(as) e DJs por todo o Brasil que recebem cada vez mais atenção tanto aqui quanto la fora. Acho que por incorporar elementos mais orgânicos acaba atraindo um público mais amplo, além disso temos vários coletivos organizando festas e eventos que abrem espaço para este tipo de som.

2. Os sons que você produz levam muita musicalidade, harmonia e instrumentos como guitarra, flauta, piano entre outros. Você tem alguma formação musical ou foi aprendendo conforme sua produção foi evoluindo?

Eu tento sempre pensar na questão harmonica para tornar a faixa mais interessante, acho parte essencial pra chegar em certas sonoridades. Eu gosto bastante também de conseguir timbres que transmitam o que quero com aquele elemento e aí utilizo de tudo, instrumentos acústicos, sintetizadores, drum machines. Acho que é algo que define muito da track, se consigo achar um timbre que transmita determinado clima/atmosfera a parte harmônica e rítmica vem naturalmente. Sempre estudei conforme sentia necessidade, hoje em dia tem muito material na internet com as mais variadas abordagens que ajudam bastante.

3. Você está constantemente fazendo apresentações em Berlin nas festas Sisyphos e Katerblau com a Voodoohop, e também na Soukmachines em Paris, além de outras pela Europa. Qual a diferença da cena de lá comparada com a daqui nessa linha de som que tu segue?

Acho diferente, aqui em São Paulo a cena gira mais em torno de festas que ocupam diferentes espaços e que muitas vezes vão além da música enquanto o Sisyphos e o Kater Blau são clubs que rolam de sexta até segunda a noite, são atmosferas diferentes. A Voodoohop consegue levar um pouco do clima das festas pros clubs lá porque também envolve cenografia, performances e isso ajuda a trazer algo novo pro espaço e envolver mais o público.

4. Imagens, músicas, movimentos sociais levam artistas a tirar algo que queiram passar na ideia de suas produções. De onde você tira as suas?

Antes de começar a produzir música eletrônica eu escutava bastante coisa dos anos 60-70. Hoje em dia tenho pesquisado mais música eletrônica mesmo. Eu gosto bastante de temas relacionados a ficção cientifica, sempre imagino meu live como uma jornada por diferentes ambientes e atmosferas, acho que a música consegue passar sensações que vão além do que conhecemos para descrever. Eu até fiz uma track, que ainda não esta lançada, na qual eu uso o áudio do conto “The Last Question” do escritor Isaac Asimov, vale a pena ler. (A track esta mais ou menos no minuto 38 do live da Radio Virus.).

5. Como você enxerga o momento atual da cena brasileira e especialmente de São Paulo? É possível relatar uma considerável evolução nos últimos anos?

Acho que a cena em São Paulo vive um momento ótimo, tem bastante gente produzindo e tocando música boa e tem bastante gente trabalhando pra que esses eventos aconteçam da melhor forma possível, acho que no momento cada coletivo esta entendendo como fazer isso tudo acontecer da maneira mais sustentável para todos, produção, público e artistas, ainda mais que São Paulo não é uma cidade barata para se viver.

6 – Para finalizar, uma pergunta pessoal. O que a música representa em sua vida?

Um meio para troca de experiências.