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A efervescente cena house da Irlanda possui mais um candidato a herói: Hubie Davison

A conexão entre as cenas britânica e irlandesa deu o tom inicial da carreira do jovem Hubie Davison, um artista capaz de representar emoção através de melodias como poucos outros conseguem fazer. Assim como outros promissores artistas de seu país de origem – Irlanda -, ele pode e deve ser considerado uma das joias mais preciosas de uma nova geração da house music, que ainda conta com nomes como Denis Sulta, Mall Grab e Kornél Kovacs ao falarmos de um cenário continental.

Com uma curta, porém fortíssima discografia, Hubie conseguiu demonstrar sua identidade sonora em selos do calibre de Leisure System e Regraded. Falando um pouco mais sobre o segundo citado, ter o apoio de Midland (frontman da gravadora) foi parte importante na caminhada de Hubie, que despontou com ainda mais força para o cenário house internacional após Sanctified, EP que inclusive teve sua faixa-título em destaque no canal do Boiler Room.

Apesar de jovem, Davison já comprova ter know how necessário para equilibrar seus talentos entre boas produções e sets bem construídos. Valencia, Londres e Berlim (aonde já se apresentou inclusive no Panorama Bar) são apenas algumas das cidades que já receberam seu talento. É bem verdade que seu nome ainda não está na boca do povo brasileiro, mas isso pode ser diferente em um futuro breve. Com muito orgulho, apresentamos a edição 102 da Troally com esse promissor artista:

​1 – Olá, Hubie! Obrigado por nos atender. De longe, nós temos a impressão que a house music tem crescido bastante na Irlanda nos últimos anos. Fale um pouco sobre a cena no seu país.

Obrigado! Sou surpreendido frequentemente pela energia das cenas locais na Irlanda. Ocasionalmente, quando faço gigs em partes do país que eu achava que fossem mais rurais, há uma participação surpreendente, as pessoas realmente conhecem suas coisas e também estão esperando ouvir algo novo. Além disso, parece que estou ouvindo algo de grandes artistas e labels saindo da Irlanda a cada semana, se juntando a uma lista já impressionante – há muito a ser mencionado, mas estou pensando em Jheri Tracks, Orange Tree Edits, Major Problems, Brame & Hamo, Or:La, Wah Wah Wino, toda a crew da All City, etc… Vale a pena conferir tudo!

++ Relembre a passagem de Brame & Hamo pelo Alaplay

2 – Há menos de um ano, você participou da gravação do Boiler Room durante o AVA Festival. Como foi essa experiência? Seu processo de preparação para o set foi diferente de outas gigs?

Foi um dia incrível. Há algo nas multidões em Belfast. Estive de volta depois disso e novamente tive momentos incríveis. Meu setup antes da maioria das gigs tende a ser o mesmo – passo o dia anterior me preocupando que não tenho música o suficiente e acabo encontrando muitas coisas que não escutava há um tempo, assim como novas faixas, então fico muito empolgado para tocá-las. O set do Boiler Room é, obviamente, um pouco diferente, porque há câmeras e luzes, mas a energia foi tão boa quando cheguei que não tive nada com que me preocupar.

A imagem pode conter: 2 pessoas, multidão, céu e atividades ao ar livre

3 – Artistas como você, possuem uma visão diferenciada da música enquanto arte. Nós a compreendemos como uma forma de conexão entre as pessoas. Como você a enxerga?

Essa é uma pergunta realmente interessante e acho que você a pregou muito bem – conexão é o objetivo da maioria das formas de arte. Há uma percepção que vem cedo na vida, que estamos todos fundamentalmente sozinhos, é incrivelmente difícil compartilhar experiências e ideias de forma eficaz ou de modo significativo. Coisas como música, pintura ou literatura (ou qualquer outra forma de “arte” – Brian Eno a definiu como “qualquer coisa que os humanos não precisam fazer para sobreviver”) trabalham para preencher essa lacuna, para nos fazer sentir menos sozinhos juntos.

4 – Qual é a importância da Leisure System em seu desenvolvimento como produtor?

Foi a primeira vez, realmente, que as pessoas ligadas à cena que estava me influenciando ouviram a minha música e sentiram que se encaixava com o que elas queriam fazer. É uma coisa poderosa. Acho que sou um pouco outlier no catálogo – a música lançada na Leisure tende a ser mais difícil do que eu apresento, mas estou constantemente impressionado e influenciado por sua lista e lançamentos – como Objekt, Dopplereffekt, Rob Clouth, JETS e Barker, todos são incríveis para ouvir e tentar desconstruir.

5 – Quando você produz suas músicas, geralmente você começa com uma ideia fixa na cabeça ou prefere deixar as coisas fluírem naturalmente?

Muitas vezes, começo com um humor fixo ou sentimento que quero explorar, em seguida deixo as coisas fluírem. O processo tende a mudar muito, dependendo de quais instrumentos estou tocando, equipamentos que estou usando e discos que estou ouvindo.

6 – Panorama Bar, Corsica Studios e Longitude Festival são apenas alguns dos lugares que você já passou. De uma forma geral, você se sente mais tranquilo para tocar seus sons preferidos em uma atmosfera grandiosa de um festival ou em um ambiente mais intimista como o dos clubs undergrounds?

Em geral, sinto que tenho mais liberdade para tocar meus gostos mais populares em festivais. Para uma direção mais dura, mais experimental, em clubes menores. Mas tento o meu melhor para tocar o que sinto, independente do ambiente. Muitas vezes é difícil, mas eu sempre aproveito melhor um set que sinto que não estou limitado em tudo.

7 – Sobre a cena no Brasil, o que você sabe a respeito? Há algum artista que você tem acompanhado recentemente?

No topo da minha cabeça, o único disco brasileiro recente que tenho é um de Japa Habilidoso que saiu há alguns anos. Olhando seu site estou vendo vários nomes que vou ter que me familiarizar com.

8 – Para finalizar, uma pergunta pessoal. O que a música representa em sua vida?

Fui a uma oficina de caridade há alguns anos, liderada por Theo Parrish, que é um tanto quanto herói para mim. Alguém perguntou para ele o porquê de ele fazer música, e ele respondeu, simplesmente: “porque ela faz eu me sentir melhor”. Não consigo pensar em uma resposta melhor do que isso.​

A imagem pode conter: 2 pessoas, pessoas em pé e atividades ao ar livre

Música de verdade, por gente que faz a diferença! 

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Ouça e baixe o novo EP de Hubie, chamado someonelove


Alan Medeiros é publicitário, sócio-fundador do Alataj e nome por trás da Beats n' Lights Management.

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