Se ao lembrar de música eletrônica na Alemanha a primeira palavra que vem a sua cabeça é techno, certamente você precisa se aprofundar no trabalho de caras como Kapote, um talentoso DJ e produtor que não mostra muito sobre sua personalidade na web, mas dá show em seus releases que são liberados principalmente pela gravadora berlinense Toy Tonics.

Kapote é umdos artistas permanentes da gravadora baseada em Berlim. Ele e nomes como COEO e Black Loops lançam com frequência pelo label e ajudaram a criar o tom de voz bastante forte da marca. Como DJ, uma curiosidade: este artista alemão costuma fazer o caminho contrário da maioria dos disck jóqueis, já que prefere iniciar seus DJ sets com bpm elevado e ir diminuindo gradativamente. Ouça sua participação na Troally:

Além de uma forte paixão pela house music, Kapote também é um grande fã da música brasileira e possui uma larga coleção de discos de nomes como Banda Black Rio, Marcos Valle e Elis Regina. Bom, chega de spoilers, para saber mais sobre o artista, confira abaixo o resultado do bate-papo que tivemos com ele:

1 – Olá, Kapote! É um prazer falar com você. Sentimos que a house music verdadeira está se fortalecendo novamente e tem ficado cada vez mais presente na cena. Você concorda com essa afirmação? Como você avalia o atual momento do estilo?

Sim, vocês estão certos. Há 10 anos a house music estava quase morta, mas desde então muitos estilos do house voltaram. Mas, enquanto o techno e certas formas de deep house melancólico já estão começando a desaparecer – o lado mais funky do house e o slow house parecem ter cada vez mais fãs. Gosto disso!

2 – Nós já entrevistamos a crew da Toy Tonics e sabemos que as coisas por aí fluem de maneira bastante natural e orgânica. Você acredita que dessa forma (sem ter um plano de negócios definido) os resultados artísticos alcançados são mais relevantes dentro da gravadora?

Sim, somos todos amantes da música com um grande horizonte musical. Assim a forma como todos nós fazemos música (e tocamos) é muito intuitiva, emocional, não com o cérebro, mas com o coração, alma e estômago. A música tem que ser uma coisa relacionada a amizade e natural, isso é o que nós celebramos aqui, essa é a raiz da house music.

3 – Ainda sobre a Toy Tonics: quão importante é o trabalho e a consistência do label no seu processo de amadurecimento enquanto artista?

Acho que verdadeiro artista nunca pode ficar na mesma vibe, ou então ele não é um artista, porque a criatividade precisa de evolução, não estagnação. Então, o que acontece na Toy Tonics é uma evolução lenta dos sons. Provavelmente em 3 anos teremos um som total – mas crescerá naturalmente, passo a passo.

4 – Um dos recentes lançamentos do selo (faixa também presente em seu mix) traz um sample da canção brasileira Amigo Branco. A música produzida no Brasil é uma referência para o trabalho de vocês? Como vocês chegaram até essa canção original?

Esse foi um remix feito pelo COEO da Alemanha, provavelmente eles amam a música brasileira tanto quanto eu. Particularmente tenho muitos discos brasileiros, principalmente da década de 1970: Marcos Valle, Banda Black Rio, Elis Regina, Deodato, etc. Acho que tenho mais discos brasileiros do que alemães! A história musical de vocês é incrível, acho que os primeiros heróis da house music também foram fãs da música brasileira funk… consigo sentir isso.

5 – É interessante analisar como você tem adotado uma postura criativa e fora da caixa, mas ainda assim com muita identidade no que diz respeito aos seus DJ sets. Atualmente, como tem funcionado sua preparação para as gigs? Você tem priorizado a compra por discos ou o digital é o formato de mídia mais usado durante as suas apresentações?

Toco vinil e CDs, não USB. Gosto de tocar um DJ set bem eclético, o que significa: não só um estilo, mas viajar do house para o funk italiano ou new wave alemão, hip hop instrumental lento e outras coisas com uma vibe mais sexual. Provavelmente sou um dos poucos DJs que começa rápido e acaba devagar, inicio em 122bpm e às vezes acabo em 60 bpm.

6 – Todos os seus lançamentos me parecem bastante consistentes e bem produzidos. Há algum que você considera melhor ou mais especial?

Gosto de todos eles igual!

7 – Para encerrar, uma pergunta pessoal. O que a música representa em sua vida?

Um orgasmo constante!