Se existisse um livro a respeito da história da música eletrônica desde o dia de seu surgimento até hoje, certamente Marco Resmann teria um capítulo bem especial nele. Isso por que o alemão acompanhou de perto – quase de dentro – o crescimento da febre da música eletrônica na Alemanha. Isso inclui, obviamente, Berlim. O maior polo cultural do assunto no mundo. Ao decorrer da sua respeitável carreira ele contribuiu com a criação de projetos como Luna City Express e Pan Pot. São anos dedicados a música eletrônica. Envolvimento esse que o levou a contribuir com marcas de peso como por exemplo Moon Harbour e Watergate. Para nós, apenas uma palavra define ter Marco Resmann em nosso canal: HONRA.

1 – Olá, Marco! Muito obrigado por falar conosco. Berlin é com certeza um dos polos da música eletrônica mundial. Fale um pouco como sua cidade natal o influenciou para que você se tornasse o artista que é hoje.

Olá e obrigado por conversar comigo. Berlim é de fato um dos polos mundiais no assunto e isso me influenciou muito, como eu fiz praticamente todas as minhas primeiras experiências com a música eletrônica aqui. Como DJ e produtor eu definitivamente aproveitem muito o movimento Techno e Rave que aconteceu no início dos anos 90 por aqui.

2 – Sua música também é fortemente ligada ao projeto Luna City Express. Como surgiu essa parceria com o Norman Weber e como funciona essa sintonia artística entre vocês?

Eu conheci meu parceiro Norman Weber em uma festa chamada “Millennium” na Itália. Pouco depois ele se mudou para Berlim. Então começamos a tocar juntos como uma dupla. Promovemos festas em Berlim e produzimos juntos. Em 2004, fundamos o projeto Luna City Express e em 2005 nós lançamos o nosso primeiro lançamento na Moon Harbour. O projeto é 100% House. Marco Resmann mais techno, dub e experimental. É mais fácil para mim para separar os dois projetos no estúdio do que como um DJ. Há sempre registros que eu toco em ambos.

3 – De 2002 pra cá você tem participado ativamente da cena eletrônica europeia. Seja sob nome de Phage, Pan Pot, Luna City Express ou em trabalhos junto as labels. Certamente, você acompanhou o processo de evolução e profissionalização que tem acontecido com o mercado no século 21. O que você considera melhor e pior se compararmos a cena a 10 anos atrás?

Do meu ponto de vista não há algo algo pior nem melhor. A evolução é um processo natural e eu acho que nós temos que lidar com isso mesmo que isso não nos agrade as vezes. As pessoas hoje em dia interagem de uma maneira completamente diferente com a música e, infelizmente, o apreço por ela se perdeu um pouco. Todo mundo quer ter música boa com menos dinheiro. Isso me irrita mas eu posso compreender ao mesmo tempo. É uma parte dessa evolução. Música está disponível em muitas maneiras diferentes (plataformas. Da perspectiva de um DJ você não vê que ainda há muito DJs que tocam em vinil nos dias de hoje, apesar de termos a sorte de ter tantas lojas de discos na Europa. Há uma evolução técnica muito emocionante acontecendo. Eu não gosto de toda essa evolução, mas eu gosto de coisas que me ajudam a facilitar a vida no estúdi, bem como durante a minha viagem como um DJ.

4 – Quais motivos levaram você a fundar sua própria label, a Upon You Records?

Eu sempre tive a idéia em mente de ter minha própria label, mas eu nunca tive o impulso de fazer isso. Marcus Meinhardt foi a pessoa que me deu o impulso para fazê-la. Ele também me apresentou ao meu parceiro de label Hawks Grunert. Nós dois mantemos o lado comercial das coisas enquanto Marcus se afastou para se concentrar exclusivamente em sua produção criativa. Ele lançou seu próprio selo também.

5 – Fale um pouco sobre sua história e identificação com o Watergate, club que você é residente a quase 10 anos.

Eu sou uma parte da família Watergate desde 2006. Daniel Dreier me apresentou a tripulação de lá e eu joguei os meus primeiros shows no club junto com ele. Desde que eu sou uma parte da agência Watergate e lanço pela Watergate Records, minha ligação com o clube não é primariamente shows mais. Se você tocar por um longo tempo tão regularmente em um clube como a Watergate. Tocando em horários diferentes, do warm up até o encerramento, isso acaba causando um grande impacto na sua carreira. Durante esses anos, eu tenho evoluído uma grande afinidade para o warm up, que eu raramente toco fora de Berlim. Eu acho que essa é a parte mais importante de uma noite.

6 – Para encerrar. Gostaria que você deixasse aqui suas impressões a respeito de sua primeira tour no Brasil. Como foi tocar no D-Edge e no Warung? Foi dentro de suas expectativas?

Para ser honesto, não era a minha primeira vez no Brasil. Toquei no D-Edge antes, apesar de fazer bastante tempo já. Acho que foi em 2011 como Luna City Express. É um bom clube com um bom sistema de som, uma grande multidão e uma reserva contemporânea. Warung realmente me impressionou. Eu estava lá pela primeira vez e todas as minhas expectativas foram superadas. Eu ainda estou feliz e espero estar de volta em breve!