Max Graef, DJ e produtor alemão, está a caminho do Brasil para a comemoração dos 5 anos do coletivo curitibano Alter Disco. Antes disso, conversamos com ele sobre sua trajetória pessoal, influências e o que o trouxe até seu momento atual. O resultado foi a prova de que Max é tão tranquilo e espontâneo quanto o seu som, um paralelo bem interessante com o coletivo que está o trazendo para terras tupiniquins, pois a Alter tomou forma de uma maneira tão orgânica quanto Graef produz seu som e leva sua vida.

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Graef mora em Berlim, porém seu som não tem nada a ver com o que normalmente sai da meca atual do Techno e do Minimal. Com referências que vão do Jazz ao Nu Disco, gêneros musicais não impõem limites para a sua produção, muito pelo contrário, são nesses limites e vertentes alternativas que Graef floresce em todo o seu esplendor com um som que realmente tem a sensação de algo fresco e novo. Confira abaixo nosso bate-papo:

1- Olá Max, é um prazer falar com você. Primeiramente, você só tem 24 anos certo? Esse é um lugar bem impressionante para se estar nessa idade. Você sente que, as vezes, é responsabilidade demais para processar? Como você lida?

Eu não sinto como se eu tivesse mais responsabilidades por ser jovem. Eu só faço o que me dá vontade e é incrível que tantas possibilidades se abriram por causa disso.

2- Sabemos que Markus Lindner – da OYE records – foi um dos seus mentores. Você ainda trabalha lá? Pode nos falar um pouco mais sobre essa relação é como afetou seu som?

Eu parei de trabalhar lá faz um tempo. Eu não estava fazendo um trabalho incrível para ser sincero – eu definitivamente prefiro a posição que lida com os clientes. Markus sempre me deu muito apoio e ótimos concelhos de produção nos últimos anos. Oye e Markus foram muito importantes.

3- Seu som não é o que normalmente sai de Berlim, que é muito mais dark e quadrado de certa forma. Como a cidade influencia sua produção musical e sua relação com música eletrônica?

Berlin é um lugar muito legal para se viver, mas musicalmente eu nunca me senti muito confortável com a cena. Eu gosto do dark também, mas eu acho que o mais importante é se manter aberto para todos os tipos de música. Eu não quero me limitar a nada.

4-Você prefere live sets ou DJ Sets? Porque?

Dois mundos diferentes. Tocar na banda é incrível – comandar o deck também.

5- Seu primeiro álbum, Rivers of the Red Planet, foi lançado pela Tartelet. Qual é sua relação com a label, além dos seus lançamentos é claro?

Eu ainda sou muito amigo com o Emil da Tartelet, mesmo nós não nos vendo mais tão frequentemente. Eu gosto muito dos releases (o que é bem óbvio já que a grande maioria dos artistas são meus amigos) – provavelmente lançarei de novo pela label no futuro.

6- Eu estava lendo algumas matérias sobre você no RA e em uma delas você mencionou o Madlib como referência. Ele se inspirou muito no Brasil e chegou até a produzir um álbum inteiro aqui (Madlib Medicine Show No. 2: Flight to Brazil from 2010) você se inspira com os nossos sons também?

Música brasileira é muito inspiradora. Pessoas como Verocai ou bandas como Karma foram muito influenciais na minha música e nas minhas produções. Eu também adoro mixar com tracks brasileiras.

7- Sua track Pinkelpause kit den Peanuts foi citada pelo RA como a mais característica do seu som em 2014. Já fazem 3 anos e eu preciso dizer que ainda concordo com essa frase, pois essa track de fato me impressionou muito. Quantos samples estão aqui? Como foi o processo de criá-la?

É uma track bem velha – eu não necessariamente concordaria com essa frase, mas eu ainda gosto muito da track. Não consigo me lembrar de tudo que usamos como sample. Produzir com o Luds/Labuzinski é sempre divertido porque ele tem ideias malucas que influenciam minha produção de uma maneira curiosa.

8- Como você consegue coexistir entre o seu gosto musical pessoal – que é tão eclético e de certa forma exótico para a grande maioria de DJs e produtores – e o que pode ser tocado em uma festa – para o agrado do público?

Eu acho que muito pode ser tocado em uma festa, porém por mais que eu goste de explorar do Jazz ao Juke, eu também curto tocar um set mais simples de house ou techno de vez em quando. Eu só quero me manter entretido.

9- Você produziu 6 das 10 tracks no álbum Freedom TV do Wayne Snow. Como foi produzir o álbum de outro artista? Como é diferente de produzir sua própria música?

Eu gosto de produzir música para outras pessoas. Interação é muito beneficial durante um processo criativo. Eu adoraria fazer mais produções para outros músicos no futuro.

10- Você tem o imprint Money $ex com o Glenn Astro, com quem você também co-produziu seu último album The Yard Work Simulator, que foi lançado pela icônica label Londrina Ninja Tunes. Quais aspectos da sua música e a do Astro são parecidos e quando vocês diferem? Quais são as dinâmicas da co-produção?

Nós nos tornamos muito amigos com o passar dos anos e temos uma abordagem parecida com música. Quando nossos gostos diferem de vez em quando se torna algo muito interessante pois precisamos achar algo com que os dois concordem. Eu acho que nós achamos algo vital e fluído quando nós produzimos juntos.

11- O que mudou na sua produção desde o seu primeiro álbum até o seu último?

Muito e nada ao mesmo tempo. Eu ainda trabalho da mesma forma, mas com muitas novas e diferentes influências e ideias na minha cabeça é claro. O estúdio é maior e agora nós (IMYRMIND, Glenn e eu) temos novos sintetizadores, efeitos e instrumentos para brincar. O MCP ainda é tão importante quanto mixar no software.

12- O que você está escutando no momento?

Meu álbum preferido no momento é Ton Steine Scherben – “Wenn die Nacht am tiefsten…”

13- Aonde você se vê daqui 5 anos?

Na academia. Eu realmente preciso emagrecer…

Max Graeff é a atracão principal dos 5 anos da Alter Disco e você pode descobrir mais sobre o evento aqui.

Música de verdade, por gente que faz a diferença!