Um herói do underground berlinense. Assim é descrito Mike Dehnert pela Hardwax, uma das mais tradicionais lojas de discos do mundo. O talentoso produtor alemão é o tipo de artista que cria uma música com tamanha identidade, que seu som quase que se transforma em um sub gênero, difícil de ser categorizado, mas perfeito para uma noite intensa no dance floor.

A frente da Fachwerk, Mike Dehnert colocou uma série de lançamentos fortes assinados por artistas como Oleg Mass, Roman Lindau, Rydell e claro, seus próprios trabalhos. Mike também colaborou para selos com história na cena internacional. Entre estas marcas estão Pampa Records, Echocord Colour, Hart & Tief e Clone Basement Series, sempre com trabalhos atemporais e de forte personalidade.

Esse fim de semana, Dehnert vem ao Brasil pela primeira vez e promete trazer algumas novidades importantes em seu formato live no Terraza Music Park em Floripa e no D-EDGE em São Paulo. Às vésperas dessa tour e do lançamento de seu novo álbum, encontramos o artista para uma entrevista, que além do bate-papo exclusivo, nos concedeu em primeira mão uma das faixas do seu novo LP. Confira abaixo:

1 – Olá, Mike! Tudo bem? Obrigado por nos atender. Ao observarmos seu live, podemos perceber uma real identidade ao decorrer das faixas. Criar seu próprio estilo é uma de suas preocupações no processo criativo?

Meu próprio estilo vem do meu processo criativo, muitas pessoas me perguntam sobre isso mas não consigo explicar, não consigo falar sobre. É como se falar sobre música fosse o mesmo que dançar arquitetura, impossível.

2 – Na posição de head do Fachwerk, quais foram os principais ensinamentos que você obteve? Há alguma programação especial relacionada ao aniversário de 10 anos da gravadora?

Me ensinou a não pensar demais. Sobre o aniversário de 10 anos, vou fazer uma grande noite do label no Tresor Club (todos os pisos) no dia 26/08, com todos os meus artistas.

3 – Após tanto tempo atuando na cena techno, o que você de tira de melhor do aspecto humano desse mercado?

Para mim é sempre muito interessante ver como a música funciona. Não importa qual cultura, país ou continente ela está. Música para mim é uma das linguagens universais além da matemática, claro. Poder viajar ao redor do mundo fazendo algo que sou apaixonado é realmente incrível.

4 – Quais são suas expectativas para tour no Brasil? O que você tem escutado sobre o país nos últimos anos?

Não tenho expectativas. Vou pular no Brasil e… vamos ver. Ok, eu sei que o Brasil é um país enorme com paisagens incríveis e pessoas loucas maravilhosas, então estou ansioso por isso.

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5 – Quando você lança sua música fora da Fachwerk, quais são os pontos que você observa para escolha do selo?

Hmm… um destes pontos é a história do label. Se é uma história verdadeira ou apenas uma história de conteúdo, e claro, tenho que gostar dos releases, do conceito por trás do selo, a ideia.

6 – O que mais tem te motivado no processo criativo atualmente? Há algum novo estilo, artista ou movimento musical que você descobriu e queira compartilhar conosco?

Talvez seja a minha história em Berlim. Quando adolescente, fui a clubes de techno na cidade e cresci com muita música “nova estranha e louca”. Havia também muito espaço em Berlim após a queda do muro, muito espaço para a cultura e coisas novas. Eu sentia que não tinhamos limites ou restrições, apenas por existir naquele tempo. Ninguém nos dizia que tínhamos que comprar isso ou aquilo para sermos legais, ou que tínhamos que fazer isso para sermos legais, então… eu comecei a ser criativo. Acho que essa é a coisa mais importante para começar no processo criativo, você precisa de tédio para manter o seu cérebro livre de outras influências, assim você começa a ser criativo. Só posso compartilhar este conhecimento, não há um artista especial.

7 – Você é do tipo que produz um monte de faixas e as mantém em “segredo” no seu estúdio ou geralmente lança todas as suas produções?

Também tenho muitas faixas produzidas apenas para os meus DJ sets.

8 – Gigs, novidades, lançamentos… o que podemos esperar de Mike Dehnert ainda para 2017?

Tenho um novo álbum a ser lançado chamado Providing Home como 2×12” e digital pela Fachwerk. Depois tenho um projeto na Dimension Records (uma nova label do Dimension Festival) e continuo trabalhando em novos EP’s.

9 – Para finalizar, uma pergunta pessoal. O que a música representa em sua vida?

Paixão!

Música de verdade, por gente que faz a diferença!