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O Axel Boman nos passou uma tranquilidade admiráve...

O Axel Boman nos passou uma tranquilidade admirável

Axel Boman é um DJ, produtor e dono da label – junto com Petter Nordkvist e Kórnel Kovács – sueca Studio Barnhus. Boman se formou em belas artes em 2010 e em 2013 lançou seu primeiro, e por enquanto único, álbum que leva o nome de Family Vacations. Ele já trabalhou com diversas labels, incluindo Pampa Records, Hypercolour e Moodmusic, mas atualmente está focado no trabalho do seu próprio empreendimento. Boman toca um house cheio de alma e com referências diversas, oferecendo músicas como “Hello” e “Purple Drank” que, apesar de parecerem distantes, casam muito bem juntas e formam um artista que tem um repertório vasto, interessante e multifacetado. O house é muitas vezes julgado pelos Techno Lovers, mas Boman surpreende e agrada quem o deixa entrar. Para a minha primeira matéria aqui no Alataj (já era dona da coluna semanal Non-Blasé, mas agora faço parte integral do time) entrevistei o sueco sobre seus planos, referências artísticas e sobre seu trabalho com o Studio Barnhus.

1- Como você acha que a faculdade de belas artes influenciou sua maneira de criar música? Você é consciente das maneiras que os diversos meios de expressão artísticos se encontram na música enquanto você cria seu próprio som?
Acima de tudo, meu estudo acadêmico de arte me deu TEMPO. Eu tive 5 anos para experimentar, brincar e testar coisas sem ter que me preocupar com os problemas do dia a dia como ter um trabalho e procurar por gigs. Eu realmente acho que é incrível quando você tem esse tipo de liberdade. Ultimamente eu tento tirar um mês aqui e ali aonde eu só crio música e posso me sentir menos estressado. Eu não estou preocupado com combinar diferentes disciplinas artísticas nas minhas produções, mas se acontece estou feliz!

2- Eu sei que você, Petter e o Kórnel, trabalham juntos no Barnhus como os donos da label, DJs e produtores, correto? Você pode me explicar qual a diferença no processo criativo de quando você cria um single com o Studio Barnhus comparado com quando você o faz com labels como Permanent Vacation, Moodmusic, Glass Table, Hypercolour, Tartelet ou Pampa Records, por exemplo?
Eu acho que não tem uma diferença nítida, a não ser pelo fato de que eu realmente confio na opinião do Petter e no Kórnel quando se trata de escolher música para um lançamento. Eu também estou profundamente envolvido na parte visual do lançamento na minha própria label, mais do que eu estaria em outra eu acredito. Eu amo essa parte de ser o dono de uma label.

3- Esse ano marca 3 anos desde que você lançou Family Vacations, você planeja lançar um álbum ou um EP logo?
Ao invés de lançar um álbum eu decidi lançar uma série de EP’s em 2016. A quantidade de música neles será provavelmente igual a de um album, mas eu quero valorizar o formato que eu amo tanto, vinil 12’’.

4- Você é um artista muito completo, sendo um produtor e DJ, você tem a responsabilidade artística de produzir e fazer performances (em gigs, festivais, baladas…), mas ser o dono de uma label também te dá a oportunidade de interagir com outros artistas e trabalhos diferentes, como tudo isso se relaciona para você? Quais são as vantagens e as desvantagens?
A melhor parte é, claro, poder criar amizades com artistas incríveis, lançar suas músicas e fazer tudo isso de uma forma que todos os envolvidos estejam orgulhosos e felizes. A parte ruim é rejeitar música ou fazer com que um artista acabe desapontado de alguma forma. Tem muito o que se pensar quando você decide ser responsável pelo resultado final de um artista, que vai muito além de só ter certeza de que a música vai ser lançada, nós ainda estamos aprendendo como lidar com tudo isso!

5- Mais sobre o Barnhus, como você combina seu trabalho solo e suas ideias com o coletivo da label? Você planeja criar um álbum ou um EP que leve seu nome, o do Petter e o Kórnel eventualmente? (Eu vi seu Boiler Room x Red Bull Music Academy DJ set e vocês soaram fantásticos!)
Nós sempre tocamos juntos, nós três, mas não produzimos tanto juntos. Ainda temos que explorar isso e soa como algo fantástico para se ter no futuro! Nós colaboramos com muitas pessoas em diferentes constelações, mas talvez tocar, viajar, trabalhar no mesmo lugar, ser dono de uma label e amigos já é bastante tempo divido juntos – se nós adicionarmos produzir juntos talvez explodiríamos (risos.)

6- Suas próprias produções são fantásticas, mas seus remixes também são muito bons de se escutar. Eu acho muito interessante como DJs e produtores podem adicionar sua própria personalidade para a visão de outro artista sem diminuir o processo criativo envolvido na produção do single. Você pode adicionar um pouco nos altos e baixos no tópico de remixes vs. produções próprias?
Eu ODEIO fazer remixes! Mas quando me pedem para fazer um eu fico todo animado e feliz e as primeiras horas tentando fazer algo com o remix são incríveis. Mas daí eu atinjo uma parede e começo a me duvidar se posso realmente terminar isso e passo MUITO tempo nisso. Aí eu começo a odiar a track original e meu remix mais ainda. Eu sempre faço umas 100 versões e odeio todas, no final acabo mandando a que eu menos odeio e rezo para que eles gostem para que a tortura acabe… Mas daí alguns meses passam e eu escuto o remix e normalmente fico bem feliz com o resultado! Acho que faz parte do processo criativo normal?

7- Na maioria dos sites você é listado como um DJ de House (como Resident Advisor e Discogs), mas hoje em dia as linhas entre House/Deep House/Tech House, e alguns ainda podem dizer que até o Techno, estão bem borradas. Pegue um set de 3 horas por exemplo, não é um extended set, mas muita coisa acontece naqueles 180 minutos, contar o tempo e medir o BPM de cada track não é algo que cada clubber está pensando na pista. Essas definições normalmente vem da soma final de tracks em um set (se você tocou tracks mais tech house/deep house/house) ou das reviews dos críticos. Eu acredito, porém, que ninguém é capaz de realmente entender arte como a mesma foi criada sem falar com o artista, então como você definiria seu som Axel?
Talvez meu som seja “nostálgico-inocente-house de chicago-pop-com-afro-romântico-influenciado-por-dub-reggae.”

8- Você tem um set dos sonhos (com locação, palco, etc..)?
Eu quero fazer uma rave no meio do inverno debaixo das luzes dos céus nórdicos em um lago congelado no norte da Suécia. E daí a mesma festa no meio do verão perto do mesmo lago (sem os mosquitos.)

9- Quais são seus planos para o futuro? Para sua carreira solo e para o Studio Barnhus.
Eu quero que o Studio Barnhus cresca e que nós comecemos a fazer dinheiro, para que possamos investir nos nossos artistas e em um novo espaço para o nosso estúdio e um escritório para nós! Para mim mesmo eu só quero achar calma e paz para continuar fazendo música e deixar minha namorada feliz.


Georgia Kirilov é estudante de jornalismo e história da arte e acredita que criar é um ato político. Escreve sobre as nuances e sutilezas no caleidoscópio da música eletrônica sempre colocando-o em paralelo com o contexto social e político dos locais por onde passa e explora.

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