Ponty Mython é um DJ e produtor russo que atualmente vive na Lituânia. Desde 2012, ele tem empurrado seus próprios limites em busca de uma house music original e com elementos que soem de maneira própria. Em 2013, Alex (seu nome de batismo) foi selecionado para participar do Red Bull Music Academy Bass Camp, experiência que lhe deu força para alcançar um dos principais labels do cenário.

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Desde então, Ponty Mython já passou pelo catálogo de gravadoras do calibre de Toy Tonics, Burnin Music, Quintessentials, Quartet Series e Dirt Crew Recordings, aonde construiu uma relação mais próxima. Seu estilo de produção e discotecagem são frequentemente conectados a raízes étnicas e seu recente sucesso Slippin’ into Darkness faz referência direta aos beats africanos.

Em busca de artistas que soem inovadores e autênticos, encontramos Ponty e o convidamos para um bate-papo + mix exclusivo para a Troally. O DJ e produtor russo nos concedeu uma visão interessante sobre a atmosfera de suas produções, importância das gravadoras em sua carreira, atual cenário da dance music na Rússia e mais:

1 – Olá, Aleksandr! Prazer falar com você. Claramente, suas produções apresentam a atmosfera real da house music. Entretanto, é possível observar traços de outras culturas musicais presentes em sua música. Como você chega até esses elementos?

Comecei a fazer música pelo meu amor à house music clássica, com todas as raízes necessárias do funk e disco. Mas a evolução de um gênero é imparável, assim como minha música e até hoje o house se fundiu com qualquer coisa mesmo que distante da dance music. Música étnica, dream house, balearic e todos os tipos de misturas – estou realmente dentro disso agora.

2 – Quartet Series, Dirt Crew e Toy Tonics são parte do que há de melhor em termos de gravadoras na cena house. Como é seu relacionamento com cada uma delas? Como cada uma dessas gravadoras contribuiu na sua evolução enquanto artista?

Por trás desses labels há pessoas ótimas e com um gosto incrível na música. Não posso dizer que nos vemos com frequência, mas estamos sempre conectados e o apoio deles me ajudou muito. Até mesmo com Toy Tonics e Quartet, nós só lançamos uma música mas essas músicas foram uma das maiores. “Slippin into darkness” pela Toy Tonics eu toquei o verão todo ao redor do mundo.

3 – Como você avalia o atual momento da música eletrônica na Rússia? O público jovem está realmente interessado em consumir música eletrônica de qualidade? Há bons clubs? Como o governo enxerga a cultura relacionada as cenas house e techno?

Me mudei da Rússia há 3 anos, mas acompanho tudo que está acontecendo por lá. Quando eu estava saindo de São Petersburgo, não havia nenhum clube, mas hoje posso nomear a vocês dezenas de clubes. Infelizmente, com o o crescimento surgiu uma grande oposição do governo. Fechou esse mês o melhor clube de techno de Moscou, Rabitsa, incluindo o massacre policial exigido, foi um verdadeiro choque para toda a comunidade da música eletrônica na Europa.

4 – Quão importante é ter uma própria identidade musical na sua opinião? Você costuma produzir suas faixas pensando em DJ sets ou não necessariamente?

Ter uma identidade musical é a única maneira de conseguir satisfação no que você está fazendo. Caso contrário, você se torna boring. Ao mesmo tempo, tudo sempre começa com a imitação, mas precisa levar você ao seu próprio som em algum estágio. Sempre produzo músicas pensando em como elas soariam em uma festa e eu toco todas as minhas coisas. Às vezes, até metade do meu set são músicas assinadas por mim.

5 – Sabemos que a Rússia, assim como o Brasil, possui um cenário político um tanto quanto conturbado. Na sua opinião, artistas devem usar a música e outras formas de arte como um meio de expressão sociopolítico? Você acredita no poder de transformação social da música?

Não posso declarar que o artista deve usar a música para mudar coisas maiores (embora eu seja uma pessoa muito política e defenda ideias liberais na política e na sociedade, especialmente no meu país de origem). A criação e a arte não são obrigadas a mudar o mundo, elas têm uma natureza totalmente diferente – as pessoas não fazem música por quererem mudar alguma coisa, mas sim porque vem de dentro e não pode ser interrompido. Então, é muito pessoal – usar sua criação contra a estupidez e o mal no mundo, ou apenas deixá-la ser como é – por diversão/para o rádio/para 10 ou 1000 pessoas, ou apenas para seus ouvidos. Mas, se eu soubesse como ajudar a pobre situação política na Rússia com minhas músicas e festas, sem dúvidas, eu tentaria.

6 – Gigs, novidades, lançamentos: o que podemos esperar de você para o restante de 2017?

Algumas coisas estão saindo. No outono, estou aguardando 2 EPs pelo label We Will Always Be A Love Song – originais e remixes com ótimos reworks de Nebraska, Black Loops, Jay Haze e Bal5000. Mais tarde, preparei um EP fantástico para meu label preferido, Omena Records, e para o ano que vem, um novo EP para Futureboogie. Mas, antes de tudo, a grande compilação Deep Love na Dirt Crew.

7 – A título de curiosidade: quais são seus 3 discos preferidos do momento?

Se é pra escolher algo que não é antigo, mas já se tornou clássico, eu nomearia estes: Cosmic Pink Glass, Fleeting Wax, Cocktail D’Amore.

8 – Para finalizar, uma pergunta pessoal. O que a música representa em sua vida?

É uma das poucas coisas que me fazem feliz. Basicamente, essas coisas são: música, pessoas e viagens.

Música de verdade, por gente que faz a diferença!