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Vitrola | A mistura única e apaixonante da Banda Black Rio. Confira entrevista exclusiva!

Uma das grandes atrações do Marisco Festival que acontece esse fim de semana em São Paulo (leia entrevista com seu organizador aqui) é a presença da banda Black Rio. Formado em 1976, o grupo carioca que apostou na mistura de funk, samba funk, soul, jazz e claro, black music, fez sucesso no Brasil e no exterior com diferentes formações, sempre preservando a identidade sonora do projeto idealizado pelo saxofonista Oberdan Magalhães.

Entre discos desejados por milhares de aficionados musicais (como é o caso de Maria Fumaça, por exemplo) e apresentações em diversos países do globo, a essência da BBR foi mantida e em 2011, foi lançado o último disco da banda até aqui, assinado pela gravadora inglesa Far Out Recordings. Super Nova Samba Funk mostra a unificação da música negra em uma variedade de ritmos e tem participações especiais de Gilberto Gil, Caetano Veloso e Elza Soares.

A Black Rio é uma das atrações mais esperadas do Marisco Festival e após mais de 40 anos segue sendo referência do que a música brasileira tem de melhor. Tivemos a sorte de entrevistá-los às vésperas do evento. Confira o resultado desse bate-papo:

1 – Olá, amigos! Obrigado por nos atender. Inegavelmente, a Black Rio é uma banda com a cara do Brasil. Ainda assim, é possível dizer que referências de fora tiveram o mesmo peso na construção da identidade musical?

A do James Brow fundamentalmente, e outras influências do início da década de 80 como: Earth Wind And Fire, Sly And Family Stones, Funkadelic entre outros. Porém, a banda tinha influências dos músicos daqui do Brasil também, como: Eumir Deodadto, Moaçir Santos, Maestro Cipó, Don Salvador, Raul de Souza, Tincuãs, Erlon Chaves entre outros. Tudo se fundia produzindo uma sonoridade antropofágica

2 – Jazz e funk se fundem nas canções da Black Rio, certo? Na visão de vocês, qual faixa representa melhor esse mix de estilos?

Maria Fumaça, ela é muito representativa no trabalho, um arranjo que definiu a cara da banda no Brasil e posteriormente para o mundo. Porém a música mais difundida hoje pelos DJs novos e da old school é a musica Mister Funk Samba, talvez por ela dialogar mais como o funk setentista original e por ser essencialmente um funk dentro dos modelos internacionais mais cartesianos e com uma pequena vírgula de samba.

3 – Quais pontos fizeram a Black Rio ser conhecida além das fronteiras brasileiras?

A criação de uma linguagem antropofágica que fundiu o funk americano da década de setenta com o samba e outros ritmos brasileiros, produzindo assim uma sonoridade única, totalmente nova no cenário mundial e chamando muito mais a atenção no mercado internacional como: Inglaterra, Alemanha, França, USA e Japão. Várias bandas internacionais tentaram copiar a BBR, mas como existia uma vivência muito grande dos músicos em relação a nossa música, seria impossível reproduzir o lado brasileiro que existia na primeira formação, como o samba… só morando no Rio de Janeiro.

4 – Como vocês buscam manter a identidade de uma banda que já teve tantas formações?

A BBR é uma verdadeira escola, existe uma estética a ser seguida e isso permanece devido a uma pesquisa constante nas obras das outras formações, pesquisa em algumas partituras e esboços deixados pelo meu pai Oberdan Magalhães (líder e mentor da primeira formação). Há pesquisas de reprodução de todos os instrumentos, rítmicos, melódicos e harmônicos dos arranjos originais e tendo essa base fica mais fácil para criar novos arranjos e composições tendo essas referências originais solidificadas.

A imagem pode conter: 3 pessoas, pessoas tocando instrumentos musicais e pessoas no palco

5 – O álbum Supernova Samba Funk teve participações importantíssimas, não é mesmo? Falem um pouco sobre a sensação de colaborar com nomes do calibre Elza Soares e Gilberto Gil.

São todos apoiadores da BBR já há muito tempo, Gil por exemplo tocou com meu pai e eram grandes amigos. Ele compôs a música Saci Pererê exclusivamente para a banda, ela deu título do terceiro disco da BBR. Caetano fez o Bicho Baile Show que foi ao vivo mas acabou virando um disco também dito como o preferido pelo próprio Caetano. Elza trabalhei em vários discos e shows. Ou seja, eles sempre entenderam o valor patrimonial da banda e por conta desse elo de vários trabalhos já realizados conjuntamente.

6 – Vocês tem planos para lançar um novo disco em breve?

Sim, já está sendo desenvolvido. Inclusive é o disco de 40 anos da BBR, um disco que vai ser com uma maioria de músicas instrumentais, com uma pitada de algumas cantadas, porém será um álbum que vai contemplar os velhos grooves da banda, mas voltado pra uma concepção setentista de execução e gravação. Contando também com participações especiais como: Azymuth, Heddi Vogel, Angélica Sanzone e Elza Soares.

7 – Lançar com um selo inglês (Far Out Recordings) deu uma visibilidade maior para a Black Rio no exterior?

Nem tanto, quando chegamos na Europa a primeira vez em Paris, fomos recebidos por um grande público que já conhecia o trabalho ao ponto de cantar as músicas. O Grande divulgador da BBR sempre foi o som, o poder da música, que quando é consistente cria assas e vai se espalhando pelo mundo da boa música.

8 – O que só a música brasileira tem?

Solaridade e uma rítmica muito pessoal, encadeamentos harmônicos que retratam a nossa paisagem desde de Villa Lobos, muita diversidade musical. Qualidades que não existem tanto em outros lugares, só aqui mesmo nesse nosso Brasil para comportar tanta beleza estética e única.

9 – Para finalizar, uma pergunta pessoal. O que a música representa na vidade vocês?

Simplesmente tudo, vivemos para ela, a serviço dela e ao lado dela todo tempo. Costumo dizer que música não é profissão, é missão, mas uma missão que vale a pena seguir, principalmente quando olhamos para trás e vemos um legado muito bem sedimentado, sendo um agente de grande contribuição para a cultura musical mundial.

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A música conecta as pessoas! 


Alan Medeiros é publicitário, sócio-fundador do Alataj e nome por trás da Beats n' Lights Management.

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