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Vitrola | Brasilidades pelas mãos de quem sabe: Ta...

Vitrola | Brasilidades pelas mãos de quem sabe: Tahira no comando!

Semana passada anunciamos o Vitrola como uma coluna fixa do Alataj. Hoje, apresentamos o primeiro podcast do ano – quarto da série aqui no canal. Para começar 2017 ouvindo brasilidades pelas mãos de quem sabe, convidamos nosso querido amigo Tahira para uma seleção musical pra lá de especial. Ele é um dos nomes mais aclamados do país quando o assunto é a pesquisa de referências genuinamente brasileiras dentro da música. No Vitrola de hoje, Tahira nos entrega um mix exclusivo de 46 minutos e também fala um pouco sobre seu relacionamento com a música brasileira. Confira abaixo:

Com a palavra, DJ Tahira:

Em meados de 1997 comecei a me interessar por musica brasileira por causa do acid jazz, estilo musical que era forte na Europa e eu adorava. Foi lá que percebi o tremendo respeito que o mundo tinha pela nossa cultura. Cresci nos anos 80 e foi uma época que a FM não dava muita importância a MPB, samba e outros gêneros. O rock era muito forte e o que tocava nas rádios eram bandas de rock pop nacional: Ultraje a Rigor, Capital Inicial, Legião Urbana e por ai vai… Ou seja, sons que não tinham quase nada de brasileiro de influência.

Eu também não tive uma educação musical de família que me ajudasse a prestar atenção nisso. Era o mais novo de três irmãos, meus país ouviam música japonesa, meu irmão scorpions e minha irmã Abba. Enfim, tava foda. Voltando pra época do acid jazz, eu fazia parte de mailing list de jazz moderno onde tinha gente do mundo todo. Lá descobriram que eu era brasileiro e um dos membros era colecionador de musica brasileira. Ele pediu que eu comprasse uns discos para ele – naquela época eu não gostava de musica brazuca. Então, vi o lance pelo lado da grana e topei a proposta. O cara me fez uma lista monstruosa: Banda Black Rio, Claudia, André Penazzi, Batucada Fantástica, Tom Jobim, Orlandivo, etc.  Comprei quase todos os discos e – por curiosidade – fui ouvir. Pensei comigo: que diabos esse gringo quer com essa musica?? Ouvi tudo e no dia seguinte respondi que não achei nenhum. Peguei todos pra mim. Foi assim minha iniciação na musica brasileira. Vida louca, não?

Vinte anos depois continuo um apreciador de nossa musica. Ela é uma das maiores influências nas minhas produções, principalmente a parte rítmica. O groove brasileiro é único, ninguém no mundo tem a nossa pegada, principalmente quando se fala de sons afro-brasileiros (onde atualmente minha discotecagem e pesquisa é focada). Também sou muito fã de produções novas, sempre fui. Gosto do que é feito na modernidade e o Brasil nunca foi tão criativo como hoje. Desde dos sons mais roots até os eletrônicos, estamos em um excelente momento criativo que só tem a melhorar. Viva a música!

Tracklist:

Gilberto Gil – É Menina
Siba – Mel Tamarindo (Tahira Edit)
Milton Nascimento – Louva Deus
Baianas de Ipioca – Boa Noite (Tahira Rework)
Renata Rosa – Laranjeiras
Samba Coco Raizes de Arcoverde – Gode Pavao
Fafa de Belem – Naturalmente (Bernardo Pinheiro Re-edit)
Joeblack – Voltar
Caetano Veloso – Badaue
Karina Burh – Do Pila
Nana Vasconcelos – Tiroleo
Joyce – Aldeia de Ogum (Oribata Re-edit)


Alan Medeiros é publicitário, sócio-fundador do Alataj e nome por trás da Beats n’ Lights Management.

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