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Thaísa Dias nos convida para uma viagem aos anos 6...

Thaísa Dias nos convida para uma viagem aos anos 60, passando por suas influências contemporâneas

Muitos dizem que nosso gosto musical é um reflexo das experiências que acumulamos durante a vida e que artistas contemporâneos são capazes de exercer papel influenciador maior em nossas escolhas. Sim, de fato é muito mais propício estarmos em contato com obras musicais recentes em relação ao que já foi apresentado no passado. Mas, para grandes entusiastas se adentrar em estilos e artistas de décadas anteriores não é necessariamente uma escolha e sim o único caminho plausível para se conectar a influências mais verdadeiras com suas almas musicais. Este é o caso de Thaísa Dias, apaixonada pela música sob diferentes frentes e dona de um gosto musical capaz de inspirar qualquer pessoa a ter uma sexta-feira ainda melhor. Hoje ela é nossa convidada para assinar o Weekchart. A música conecta as pessoas!

Segunda-feira: Ninna Simone – Sinnerman [Philips Records]

Começar de que jeito né? Primeiro agradecendo o Alan pois fiquei super feliz pelo convite e super empolgada. Queria também começar do começo, mais ou menos na década de 60 que foi onde o mundo ouviu pela primeira vez as minhas grandes influências musicais e por coincidência, ou não, também a década que eu na verdade gostaria de ter nascido [risos] e com uma música de 1965 dela a Ninna Simone que dispensa qualquer tipo de introdução né? Mulher forte, ultra talentosa e com um legado que chega a me faltar o ar quando começo a falar. Queria muito também colocar um T-Bone Walker pra começar ou um Thelonius Monk mas não resisto à plenitude do talento dela, por isso escolhi essa música que é cheia de energia e que pra mim é um espelho da alma da Ninna.

Terça-feira: The JB’s – (It’s Not The Express) It’s The J.B.’s Monaurail [People Records]

The JB’s foi a banda que acompanhou o James Brown até metade da década de 70, entre indas e vindas e desavenças com o James (que não era nada fácil de lidar) eles acabaram acompanhando outros artistas como Bobby Bird, Lyn Collins e também tinham seu próprio repertório. Nesta música eu acho incrível o instrumental e o álbum em que ela foi lançada o “Hustle With Speed” de 1975 é tão bom quanto, um tanto suspeita pra falar, mas eu sou muito fã de música negra (já deu pra perceber acho), mas muito mesmo, bitolada seria a palavra certa para definir!

Quarta-feira: Guru – Take a Look (At Yourself) do álbum Jazzmatatazz Vol. 1 [Chrysalis Records]

Esse álbum de 1993 com certeza é um dos que mais ouvi na minha vida. Ele mistura rap com jazz e é um dos trabalhos que marcaram a década de 90 no hip hop como a “golden age”, uma era de ouro mesmo para o gênero e para mim também. Nessa música que eu escolhi, o Guru faz uma parceria com Roy Ayers que eu amo e é uma super referência para mim também e tem um sample de uma música de 1968 (olha a década de 60 aí denovo) chamada “Book Of Slim” do Gene Harris & His Three Sounds que eu gosto muito também. Vale a pena conferir também se rolar uma curiosidade. https://youtu.be/kKNHmGNiqvw

Quinta-feira Mr. V – Somethin’ with Jazz (Session Victim Remix) [Razor’N’Tape]

Quando eu encontro algo contemporâneo e que tenha suas maiores influências enraizadas nas mesmas referências que citei anteriormente, eu morro de amores na hora e o duo Session Victim é com certeza um desses nomes. Esse label Razor’N’Tape preza bastante por essa mistura da House Music com disco, rap, blues e jazz e foi logo de cara pra minha lista de labels preferidas. A música original é de 2006 e não deixa nada a desejar para este remix, eu gosto demais dela também!

Fim de semana: Pascal Viscardi – Where Pathways Meet (Original Mix) [Love Notes From Brooklyn]

Last but not least! Bom começa tudo pelo nome dessa label que já apelou e ganhou né? Pelo menos pra mim… E não para por aí, o dono dela o Nathaniel Jay que obviamente administra a label lá do Brooklyn mesmo é o curador e também o poeta responsável pelas notas ou poemas que vem junto com o disco que são exclusivas para cada release (!!!!) e a nota que vem nesse release em específico é a seguinte:

“This piece of vinyl
Kills facists!
Counter-Culture
Is the revolution!
The Underground
Is the Movement!
There’s is no turning back
Now that we are both compliant
We are brothers
In the same struggle”


Alan Medeiros é publicitário, sócio-fundador do Alataj e nome por trás da Beats n' Lights Management.

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