Xama entrevistas: Alter Disco

Um coletivo cultural que explora a diversidade de música eletrônica e suas influências, apresentando alternativas sonoras para as pistas. Assim se auto descreve a Alter Disco, núcleo curitibano que tem se posicionado como referência na capital paranaense e, como todo bom coletivo, além de conquistar um importante destaque com suas festas, também tem revelado excelentes diggers para o cenário nacional.

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Barbara Boeing, Phil Mill, Rotunno e De Sena formam a linha de frente da Alter Disco e dão vida aos sonhos vividos em conjunto não somente por este quarteto, mas pelo fiel público que o acompanha. A história da Alter diz muito sobre um sistema de trabalho do it yourself: superando barreiras das mais diversas origens, eles conseguiram trazer para Curitiba alguns artistas que são verdadeiras referências para formação musical do núcleo e merecidamente hoje ocupam uma posição privilegiada na cena.

Dando sequência a nossa série de entrevistas com os núcleos participantes do Xama 2019, convidamos Barbara Boeing para representar a Alter Disco nesse bate-papo responsa que revela alguns detalhes importantes em torno da tripulação escalada para nos guiar musicalmente na Península de Maraú entre os dias 26 de Dezembro e 3 de Janeiro. Confira abaixo:

Alataj: Olá! Tudo bem? Podemos começar com um panorama geral de Curitiba e da Alter Disco? Quais sãos os prós e contras de estar estabilizado por aí?

Alter Disco: Curitiba é uma cidade com um baita histórico na música eletrônica, com certeza uma das precursoras neste quesito no Brasil. A partir de 93, o club Rave já estava trazendo os sons das danceterias europeias pra cidade e desde então a cultura eletrônica se fortaleceu e se disseminou em várias vertentes.

A nossa capital é uma cidade nem tão pequena e nem tão grande. Por ela estar crescendo, conhecemos muitos frequentadores que têm ouvidos abertos pro novo, pro diferente e essa abertura é importantíssima para troca entre festa-público.  Por ela ser relativamente pequena ainda, isso nos dá a flexibilidade de mostrarmos artistas novos aos nossos ouvintes. Creio que isso aconteça pois, por estarmos com 6 anos de existência e sermos de certa forma pioneiros no nosso som na cidade, inserindo novos estilos como old-school House, Afro, Disco, Lo-Fi, Ítalo, Baleárico, entre outras linhas, conseguimos montar um público muito fiel e que mesmo não conhecendo os nossos artistas, eles confiam na nossa curadoria. Montar algo assim em um cidade pequena é muito difícil, sempre nadamos contra a maré! Sabíamos que se nós não trouxéssemos os nossos artistas favoritos iríamos só escutar o que não gostamos, com poucas exceções.

A figura do DJ residente tem sem fortalecido muito entre os principais coletivos do Brasil. No caso da Alter Disco, como foi esse processo de escolha até chegarmos a esses nomes que representam vocês hoje?

Acredito que nunca foi uma escolha, foi um processo natural entre amigos que tinham uma banda como hobby, amavam música em todas as suas formas e foram migrando para a música eletrônica, cada um no seu momento, com um background diferente, mas com uma paixão gigantesca por música de todos os tipos.

Com o término da banda, as festas entre amigos iniciaram, e a cada mês, os encontros ficaram mais frequentes, com sets mais abrangentes e algumas esquisitices, e assim, o espírito da Alter Disco veio a tomar uma forma mais palpável.

Muito se fala sobre a valorização do cenário regional para o fortalecimento macro da cena. Em Curitiba, como vocês têm buscado alavancar esse aspecto? Há um diálogo com outros coletivos e marcas ligadas à arte de um modo geral?

Sim, já fizemos parcerias com outras festas até mesmo dividindo artistas que gostávamos porque tínhamos uma similaridade musical. Já contamos também com a presença de artistas plásticos nascidos ou que moram em Curitiba, como Eduardo Amato, Gustavo Francesconi e Jah que performaram e/ou criaram a sua arte dentro da nossa festa.

Além disso, buscamos também envolver amigos e parceiros com outros focos como brechós, cafés e lojas para que ocorra uma divulgação interessante para as duas partes, sempre criando relações win-win. Também estamos sempre dispostos a dialogar com outros núcleos e tentar trazer um pouco do nosso ideal sonoro pra mais pessoas. O objetivo é fazer a música e os artistas que amamos irem mais longe na cena curitibana.

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Como surgiu o convite para ser parte do Xama? O que isso representa na história da Alter Disco?

A Alter Disco nunca havia sido bookada com 100% dos residentes, portanto, pra nós esta é uma experiência nova. Como somos melhores amigos, cremos que isso será divertidíssimo além de ser um degrau acima para o selo Alter Disco, olhando pelo lado profissional da coisa. Esperamos que o nosso som agrade o público para que isso possa se repetir mais vezes.

Pensando e falando um pouco mais da nossa cena como um todo. Quais alternativas vocês consideram viáveis para termos uma cena mais sustentável nos próximos anos?

Artistas locais e coletivos locais, que através de amigos e amigos de amigos conseguem fazer a cultura da música, do interesse pela pesquisa, da busca por novidade e abertura pro som se expandirem e se estabelecerem. Claro que é maravilhoso trazer os DJs gringos que nós amamos, mas sem esses agentes locais, os soldados no campo de batalha, é impossível angariar esse público que vai estar quase tão implicado como os próprios DJs no lance da música. Pra engrenagem funcionar é preciso esse trabalho da disseminação local e de inclusão de mais cabeças que se dedicam e amam o som.  Além disso, acredito que manter um custo benefício para o nosso público, ou seja, assegurar que eles vão ouvir música boa por um valor relativamente baixo é essencial.

Se você pra resumir a história musical da Alter em apenas uma frase, qual frase você usaria?

Em uma frase não sei, mas em uma expressão seria “GALINÓIA”! Em referência a um infame vídeo do youtube, uma atitude recorrente dos DJs da Alter Disco quando a pista está fervendo e todos os residentes estão bem afim de colocar seu disco ou pen drive pra girar, aí vira aquele b2b2b2b infinito…

Para finalizar, uma pergunta pessoal. O que a música representa em sua vida?

A música me acompanha nos meus piores e melhores momentos, saber que eu posso transformar experiências não tão boas da minha vida em algo lindo musicalmente falando, é uma oportunidade única e tenho certeza que levarei isso pro resto da minha vida.

A MÚSICA CONECTA.


Alan Medeiros é publicitário, sócio-fundador do Alataj e nome por trás da Beats n' Lights Management.

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