Xama entrevistas: Climão

Para que uma festa ou coletivo se mantenha em alto nível em um cenário tão diverso e repleto de opções como o da música eletrônica, é necessário trabalhar alguns diferenciais frente ao seu público. O que acontece é que muitos acabam entrando em um ciclo vicioso de crescimento e de edições cada vez maiores, deixando de lado algo profundamente valioso: o contato próximo com o público.

O coletivo carioca Climão preza por esse toque intimista em suas edições. Criado por Gigios e Carrot Green, o núcleo tem oferecido um ar de novidade a dance music underground na cidade maravilhosa, com festas que mais possuem uma atmosfera de encontro musical entre amigos, na cabine e na pista.

Ambos os residentes estão escalados para tocar no Xama – Gigios abre a Selvagem na Colina dia 28 enquanto Carrot Green toca em duas ocasiões: no Xama Bar dia 30 e um dia depois Gop Tun na Virada. Conversamos com Gigios para entender mais sobre o Climão, suas peculiaridades de trabalho, relacionamento com o público e expectativa para o Xama 2019. Cola junto:

Alataj: Olá! Tudo bem? Podemos começar com um panorama geral do Rio de Janeiro e da Climão? Quais sãos os prós e contras de estar estabilizado por aí?

Climão: Moro no Rio há 7 anos e este é o melhor momento que eu já vi na cena. Festas novas super legais, cheias de personalidade, público ótimo, música boa e tudo super independente, longe dos clubs. Temos labels, loja de disco e bons DJs. Tem pistinha na Comuna todos os dias. Dialogamos com a cena brasileira e mundial, mas valorizando cada vez mais os talentos locais. Muita coisa mudou nos últimos anos e agora acredito que estamos numa direção muito boa. Desafios sempre existem em qualquer cena, mas hoje em dia, no geral, vejo um cenário muito positivo no Rio.

A figura do DJ residente tem sem fortalecido muito entre os principais coletivos do Brasil. No caso de vocês, como foi esse processo de escolha até chegarmos a esses nomes que representam a Climão hoje?

Na Climão os residentes são apenas eu e o Carrot Green. Somos amigos há quase 10 anos e já tivemos algumas festas juntos antes. Na Climão, geralmente nem chamamos convidados, tocamos só os 2 a noite inteira. Desde que nos conhecemos sempre curtimos muito música juntos então é bem natural ficarmos 10, 12 horas botando faixas de todos os estilos sem qualquer tipo de conversa ou planejamento sobre o que tocar. Um confia no outro e sempre da certo.

Muito se fala sobre a valorização do cenário regional para o fortalecimento macro da cena. No RJ, como vocês têm buscado alavancar esse aspecto? Há um diálogo com outros coletivos e marcas ligadas à arte de um modo geral?

Foi com isso em mente que resolvemos fazer a rádio da Climão. Tem sido muito divertida a interação com outros DJs do Rio e de outros lugares do mundo. Sempre tivemos muita amizade com a Comuna, desde as outras festas que fazíamos e lá sempre foi um lugar de troca, com espaço pra todo mundo mostrar seu som, live, projeto visual. Então foi natural a rádio acontecer lá.

Como surgiu o convite para ser parte do Xama? O que isso representa na história da Climão?

Os amigos da Gop e Selvagem falaram comigo quando estavam planejando o festival. Somos todos amigos, acompanhamos o nascimento da ideia e ficamos na torcida pra se tornar realidade. Quando deu certo fiquei muito feliz com o convite. Vai ser o quarto ano novo que passo na Bahia, sempre com muitos amigos e música. Este é um momento muito especial. Achei incrível que o Xama priorizou artistas nacionais dessa vez e estou muito animado pra conhecer o som de alguns coletivos que ainda não conheço.

Pensando e fala do um pouco mais da nossa cena como um todo. Quais alternativas vocês consideram viáveis para termos uma cena mais sustentável nos próximos anos?

Acho que festivais como o Xama são muito bons pra cena nacional, justamente porque é onde é possível todo mundo se conhecer e se ouvir e partir disso novas coisas vão nascer. O que eu acho legal da nossa cena é que as festas tem nascido e crescido de uma forma muito orgânica e natural, com muita amizade, luta, posicionamento e claro, música muito boa. Por esses motivos eu acredito que a cena do Brasil é a mais interessante do mundo atualmente.

Se você pra resumir a história musical da Climão em apenas uma frase, qual frase você usaria?

Musica sem distinção de gênero e muita amizade.

Para finalizar, uma pergunta pessoal. O que a música representa em sua vida?

Música pra mim é a força mais poderosa que existe. Acredito que a vibração da musica é capaz de transformar e curar as pessoas. Existe algo muito poderoso acontecendo quando pessoas dançam juntas no mesmo ritmo e vibram nas mesmas frequências. São nesses momentos que as nossas diferenças são esquecidas e somos unidos por algo muito mais forte e verdadeiro. Quando comecei a sentir isso, fez toda a diferença na minha vida.

A MÚSICA CONECTA. 


Alan Medeiros é publicitário, sócio-fundador do Alataj e nome por trás da Beats n' Lights Management.

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