Xama entrevistas: NEUE

2018 ficará marcado na história da Gop Tun e Selvagem como ano de estreia do Xama. A poucos dias da abertura do festival, a organização já anunciou um sold out, que sem dúvida alguma é fruto de um trabalho cuidadosamente planejado para este que certamente é um dos principais desafios da jornada de todos os núcleos envolvidos.

Entre os coletivos escalados para o Xama, o único representante do extremo sul do país é a NEUE, festa de Porto Alegre que ao decorrer do ano apresentou nomes como Barbara Boeing, Dekmantel Soundsystem, Bufiman, Dani Souto, Esa Williams e Mr Mendel. A marca é uma fiel representante do movimento house na capital gaúcha e atualmente atravessa o momento mais maduro e consistente de sua caminhada na música.

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No Xama, eles estarão representados pelo b2b de seus residentes e fundadores, JP e PH, que tocam no Xama Bar dia 28 de Dezembro, das 16h a 18h. Dando números finais a nossa série de entrevista que abriu diálogo com todos os núcleos envolvidos no festival, falamos com os cabeças da NEUE. Vale lembrar que: nos vemos em Algodões!

Alataj: Olá! Tudo bem? Podemos começar com um panorama geral de Porto Alegre? Quais sãos os prós e contras de estar estabilizado por aí?

NEUE:Porto Alegre é uma cidade muito rica culturalmente, há inúmeras iniciativas empreendedoras e artísticas de extrema qualidade por aqui. Porém, a situação econômica do país e especialmente do RS acabam por desestimular a continuidade de vários projetos, que para seguirem existindo acabam se mudando para o centro do país.

A figura do DJ residente tem sem fortalecido muito entre os principais coletivos do Brasil. No caso da NEUE, como foi esse processo de escolha até chegarmos a esses nomes que representam vocês hoje?

A NEUE começou há cerca de três anos atras como uma brincadeira entre amigos. Na época eu (JP) ainda não tocava mas tinha amigos que sim e fui aprendendo, sempre me interessei por sons diferentes do que rolavam nas festas por aqui, na época era muito Techno, Trap ou House comercial. Com o passar do tempo fui definindo mais meu gosto musical até chegar na linha que toco hoje em dia que também é a linha da NEUE. Depois de um tempo o Pedro acabou entrando no projeto e agregou todo o gosto dele pela pegada groove e música brasileira. O nosso processo foi bem pelo gosto pessoal mesmo. Hoje podemos dizer que a NEUE, por parte dos residentes, segue a linha Disco-House-Ítalo-Acid-Etinic-Brasil..

Muito se fala sobre a valorização do cenário regional para o fortalecimento macro da cena. Em Porto Alegre, como vocês têm buscado alavancar esse aspecto? Há um diálogo com outros coletivos e marcas ligadas à arte de um modo geral?

Sim, especialmente aqui em Porto Alegre, o diálogo entre todos coletivos e marcar ligadas à arte e entretenimento são muito importantes para qualquer projeto crescer e se expandir. Sempre procuramos parcerias com estabelecimentos e tentamos buscar DJs de outros coletivos que tenham semelhança com nosso projeto para agregar. Já passaram pela NEUE a Paula Vargas do coletivo de meninas GRETA, o GB da Base, Landosystem da Disconexo entre outros amigos e parceiros. Também buscamos pensar parceiros fora do ramo musical, tentando agregar outras formas de arte como o light design, dança, fotografia entre outras…

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Como surgiu o convite para ser parte do Xama? O que isso representa na história da NEUE?

Sempre gostamos do trabalho da Gop Tun/Selvagem. Nos primórdios da NEUE trouxemos o Gui Scott, no ano passado fizemos a Gop Tun aqui em Porto Alegre e também já tocamos com a Selvagem em alguns momentos. Mas foi agora no meio do ano que fizemos um showcase do Na Manteiga aqui em POA e que colocamos a pressão final no Caio e ele cedeu [risos].

Com certeza é um grande momento para a NEUE, esse ano está sendo bem especial como um todo, a festa amadureceu, nosso trabalho está sendo visto e por consequência convites e oportunidades estão aparecendo.

Pensando e falando um pouco mais da nossa cena como um todo. Quais alternativas vocês consideram viáveis para termos uma cena mais sustentável nos próximos anos?

Acredito que quanto maior for a troca e união entre todos (compartilhamento de artistas, intercambio entre DJs, troca de conhecimento e informação) melhor para todo mundo. Acho que isso já está acontecendo, ano passado aqui na NEUE já tivemos as presenças da Moretz, Dani Souto, da Gop… são sempre momentos de trocas de experiências muito importantes. O XAMA acho que está aí para expandir esse intercâmbio e aumentar as conexões entre todos.

Se você pra resumir a história musical do COLETIVO em apenas uma frase, qual frase você usaria?

Resumiria mais ainda e diria apenas uma palavra: “PISTINHA”. Esse nome começou como nome de uma noite B da NEUE no Clube Doma e acabou caindo no gosto da galera, hoje em dia é pistinha pra cá, pistinha pra lá. Acho que essa palavra define bem nosso role e o nosso estilo de som que sempre buscou apresentar algo diferente e espontâneo.

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Para finalizar, uma pergunta pessoal. O que a música representa em sua vida?

A música sempre foi a forma de arte que mais consumi. Ela conecta, celebra, une. Está presente em todos os momentos da minha vida, sejam eles bons ou ruins. É uma maneira de se expressar, ela traz um pouco de mágica e sentido para a vida. Como disse Nietzche ‘’sem a música, a vida seria um erro’’.

A MÚSICA CONECTA. 


Alan Medeiros é publicitário, sócio-fundador do Alataj e nome por trás da Beats n' Lights Management.

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