Xama entrevistas: Selvagem

Dando sequência a nossa série de entrevistas com os núcleos responsáveis por fazer o Xama acontecer, convidamos Augusto Olivani e Milos Kaiser para uma sessão de perguntas sobre a Selvagem, coletivo/alter ego/festa que ao lado da Gop Tun detêm a opção de organizadores do Réveillon.

Certamente a Selvagem é um dos maiores expoentes do crescimento que a cena independente de São Paulo teve do início da década até aqui. Das tardes despretensiosas no Paribar as noites intensas em galpões, fábricas e locações das mais diversas da capital paulista com milhares de pessoas em movimento, Augusto e Milos imprimiram um perfil muito interessante para o projeto e fizeram algo extremamente raro e difícil: com o mesmo nome, também desenvolveram uma carreira artística de reconhecimento internacional.

Nesse bate-papo exclusivo, Augusto Olivani aka Trepanado (que já passou por aqui com um belíssimo mix para a Troally) responde nossas perguntas base para os coletivos participantes do Xama e aumenta ainda mais a nossa ansiedade e animação para Dezembro. Confira abaixo enquanto a playlist montada por eles para o Spotify da Gop Tun rola no seu fone de ouvido:

Alataj: Podemos começar com um panorama geral de São Paulo da Selvagem? Quais sãos os prós e contras de estar estabilizado por aí?

Augusto Olivani: Depois do período de euforia que reinou entre 2013 e 2016 veio uma fase nebulosa que ainda persiste. Uma fase que começou no último ano da gestão Haddad, se acentuou no único ano da gestão Dória e que continua densa neste primeiro ano de gestão Bruno Covas, com a ascensão do conservadorismo e aumento da burocratização na produção das festas. De algumas maneiras, a opção de organizar regularmente eventos grandes, para mais de mil pessoas, se mostrou inviável apesar do alcance da Selvagem – a começar por uma decisão estética nossa de não querer mais tocar em festas dessa proporção pela falta de intimidade com a pista (algo que tínhamos nos anos de Praça Dom José Gaspar, por exemplo). Hoje nossa ideia é fazer nossas festas num formato menor – fizemos em agosto e deu certo. Para nós esta é a tendência, a de sair dos holofotes, da vista do grande olho público.

O pró e o contra, no caso, são a mesma coisa: a constante mudança das circunstâncias aqui em São Paulo. Seria bom ter um pouco de estabilidade para poder se concentrar só na parte criativa e na produção e menos na parte regulatória e na reinvenção do modelo. Ao mesmo tempo é o que te coloca sempre no limite.

A figura do DJ residente tem sem fortalecido muito entre os principais coletivos do Brasil. No caso do Selvagem, como foi esse processo de escolha até chegarmos a esses nomes que representam vocês hoje?

Tirando o primeiro ano de festa, quando costumávamos ter convidados regularmente, a Selvagem foi construída em cima do nosso trabalho como DJs, foi uma decisão que tomamos em 2012 e que ainda se mantém. Nós fundamos a festa, nós tocamos na festa e, quando for o caso, nós escolhemos quem vai tocar na festa. No fim as pessoas vão na Selvagem pra ver a gente tocar.

Muito se fala sobre a valorização do cenário regional para o fortalecimento macro da cena. Em São Paulo, como vocês têm buscado alavancar esse aspecto? Há um diálogo com outros coletivos e marcas ligadas à arte de um modo geral?

Mantemos contato direto com vários coletivos que atuam aqui em São Paulo, seja para bater o calendário, para falar de atrações da nossa lista de desejos que possam coincidir, acertar colaborações ou mesmo para discutir os rumos da cena.

Como surgiu a ideia do Xama? O que isso representa na história do Selvagem?

Há uns 3 anos namoramos a ideia de fazer um réveillon próprio, organizado com os amigos, mas a questão da produção de um evento desse porte sempre foi um empecilho, uma vez que comemoramos aniversário em dezembro e depois da virada temos nosso baile de carnaval no Rio. Quando o pessoal da Gop Tun veio com a história de organizar um réveillon em Algodões, tendo o pessoal do Tikal como parceiro, e fomos conversar sobre a ideia, percebemos que estávamos na mesma página: não só teríamos nossa virada de ano como colocaríamos os talentos brasileiros em primeiro plano, convergindo diferentes cenas na mesma história. Pra mim representa uma nova conquista na nossa caminhada, em que podemos usar nossa reputação como uma plataforma para mostrar quantos ótimos DJs fazem a cena underground acontecer no Brasil.

Pensando e falando um pouco mais da nossa cena como um todo, quais alternativas vocês consideram viáveis para termos uma cena mais sustentável nos próximos anos?

Em primeiro lugar é preciso haver mais intercâmbio entre os talentos das cenas locais. Já começou, mas é preciso intensificar para mostrar que o que acontece no Rio, em Curitiba e em São Paulo também acontece em Porto Alegre e Belo Horizonte, para não ficar essa lenda de que “a cena do lugar X é muito boa, aqui é mais difícil”, de forma que as cenas estejam interconectadas e o público esteja exposto aos mesmos talentos, não só aos de sua cidade.

6 – Se você pra resumir a história musical do Selvagem em apenas uma frase, qual frase você usaria?

“There will be people who say “you don’t mix this with that” and you will say “watch me. There will be people who will say “play it safe, thats to risky” – you will take that chance and have no fear.”

7 – Para finalizar, uma pergunta pessoal. O que a música representa em sua vida?

Minha companheira (invisível) de todas as horas.

A MÚSICA CONECTA. 


Alan Medeiros é publicitário, sócio-fundador do Alataj e nome por trás da Beats n' Lights Management.

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