Entrevistas
Ramiro Lopez Ramiro Lopez Ramiro Lopez Ramiro Lopez Ramiro Lopez
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Alataj Entrevista Ramiro Lopez

Quando o assunto é Techno, existem alguns nomes que além de serem pilares mundiais do estilo, adicionam um poder de combustão ainda maior na propagação e no fortalecimento do cenário, para além das fronteiras geográficas. Entre eles está Ramiro Lopez, ou o que podemos chamá-lo de um dos “titãs do Techno espanhol”.

Dono de uma assinatura voraz, intensa e altamente inspiradora, o veterano – que já sustenta 25 anos de carreira – passou pelos principais catálogos do Techno mundial, desde Drumcode e Suara até Noir Music e a própria ODD Recordings, gravadora que tem o seu comando desde 2017.

Agora em seu retorno ao próprio selo, Ramiro se prepara para o debut álbum de sua carreira, Al Retortero, que sairá nas prateleiras digitais no próximo dia 8 e leva uma seleção instigante de 14 faixas inéditas. Conversamos com o artista para saber um pouco mais sobre seus últimos lançamentos, expectativas do novo álbum, projetos culinários e mais detalhes de sua trajetória até aqui. Acompanhe!

Alataj: Você é considerado um dos “furacões do Techno espanhol”. Com uma trajetória que já alcança 25 anos de carreira, seu trabalho se tornou um grande expoente no cenário europeu, e que permanece se reinventando ao longo de todos esses anos como DJ e produtor. Como você analisa o curso de sua trajetória até aqui, e quais os principais desafios que fizeram sua carreira estourar pelo mundo afora?

Ramiro Lopez: Se eu olhar para trás, já foi uma longa jornada! Mas eu realmente gostei até agora. O processo tem sido muito progressivo. Comecei literalmente debaixo, tocando em minha casa para amigos e passei por todos os palcos como DJ e produtor. E estou feliz com isso. Adquiri muita experiência e fiz com que valorizasse cada pequena conquista. Acho que o que me leva até onde estou agora é minha paixão pela música e fazer as pessoas dançarem e se divertirem.

Em algumas entrevistas suas, soubemos que você é um grande amante de Jazz. Interessante esse seu viés musical, tendo em vista que nas pistas você coordena um tipo de atmosfera totalmente diferente, com um pique mais catártico e enérgico do Techno. O que fez você pender mais para as nuances brutais do Techno, do que para o House por exemplo, que possui uma certa afinidade maior com o Jazz?

Normalmente toco techno, mas adoro música e gosto de muitos outros estilos. Na verdade, estou aberto a tudo desde que tenha qualidade. Amo ouvir Jazz, Bossa ou Deep House sempre que estou cozinhando ou lendo, mas adoro um pouco de Hip Hop, música Trap, Heavy metal … até Flamenco. Ouça outros gêneros musicais e inspire-se algumas vezes também.

A Espanha foi um dos países mais afetados em decorrência da pandemia, e agora felizmente, está retomando gradualmente os eventos presenciais após longos meses. Como foram seus momentos ao longo deste período, e como você se manteve ativo e criativo durante estes tempos afastados das pistas?

Depois de alguns dias de choque, decidi que precisava pegar o que havia ao meu redor e fazer valer a pena. Fiz muitos streamings, criei e continuo criando mais conteúdo do que o normal para ficar conectado com meu público. Também tive mais tempo para trabalhar no meu álbum, então acredito que aproveitei todo esse período. Agora parece que tudo está começando a funcionar de novo e acho que temos um grande período de nossas vidas pela frente. As pessoas mal podem esperar para celebrar a vida e as festas.

E por falar neste retorno às pistas e ao “mundo real” novamente, seu mais novo lançamento pela sua gravadora ODD Recordings, é o EP Freedom, que já adianta o seu debut álbum que está por vir, o Al Retortero. Como está sendo a construção deste trabalho? Imagino que durante este período afastado das pistas você acumulou diversas referências e vivências que iremos encontrar neste novo álbum. 

A ideia de fazer um álbum está na minha cabeça desde tempos atrás, mas nunca encontrei o momento certo para focar nisso. Essa situação me deu a chance de pensar apenas no LP. Eu tinha algumas ideias antes do confinamento, mas a maioria delas foram criadas. Eu encontrei inspiração nos meus sentimentos naquele momento, também através da música e até de filmes e programas de TV.

Quanto às atividades da ODD Recordings, como anda o ritmo da gravadora e das demais novidades por lá?

Decidimos continuar lançando músicas, embora não fosse o melhor momento para isso. Fazemos música com foco na pista de dança, algo que não existia mais, mas as pessoas ainda queriam dançar, fosse em casa, no terraço ou no campo. Estamos lançando todos os meses, como sempre, mas agora finalmente estou sentindo que a gravadora está cada vez melhor.

Entre seus projetos recentes, uns dos mais curiosos certamente são as edições especiais da Maniac Blvck da Insomniac TV, em que você combina a gastronomia com uma boa dose de Techno, junto a um convidado especial. Você costuma ter um relacionamento especial com a culinária, no seu dia-dia? Como surgiu a ideia desse programa? 

Eu amo cozinhar! É minha segunda paixão. Realmente gosto. A ideia surgiu também durante o lockdown. Pensei em oferecer algo um pouco diferente, então decidi cozinhar enquanto estava tocando. E teve uma recepção muito boa do público. Adorei tanto o conceito que decidi continuar fazendo, agora convidando amigos DJs e gravando em lugares lindos de La Mancha, a região de onde eu sou. Agora o projeto está crescendo e estou muito animado com isso.

Tanto comandar um fogão, quanto comandar uma pista de dança, requer uma atenção duplicada aos mínimos detalhes. Durante esses episódios, já ocorreu algum perrengue no decorrer das gravações? Alguma receita saiu afetada?

Problemas? Todos eles ! LOL. Na verdade, acho que sempre temos algum problema. De problemas com o equipamento ou gravações de áudio a ingredientes esquecidos e clima inesperado. Mas, nós superamos eles até agora. Eu considero isso realmente uma coisa boa porque estamos aprendendo com os erros.

Em um dos episódios do Maniac Blvck, você fez um B2B com seu conterrâneo, o Coyu. E por falar nele, vocês possuem um relacionamento amistoso já de longa data, desde suas collabs em conjunto, proximidade com a Suara, até os diversos B2Bs que vocês realizaram até aqui. Como começou essa relação de amizade?

Nós dois escrevíamos em um fórum da web, de música eletrônica, e nos encontramos pela primeira vez em um desses fóruns, mesmo antes do Suara nascer. Ele foi uma das primeiras pessoas a ver algo em mim e me dar uma chance. Sempre serei grato por seu apoio, mas ainda mais por sua amizade.

Quanto às suas próximas datas agendadas, teremos chances de vê-lo  num futuro próximo em pistas brasileiras, ou em alguma turnê pela América Latina?

Espero que em breve! Na verdade, minha agência já está trabalhando em alguns shows e estou muito ansioso. Já toquei no Brasil uma vez, mas há muito tempo … Eu realmente adoraria voltar e tocar lá com mais frequência. Espero que depois dessa entrevista aconteça. Dedos cruzados!

Para finalizar, te pergunto uma questão clássica aqui do Alataj: o que a música significa para você?

Conexão, energia, sentimentos, felicidade, amor, vida.

A música conecta.