O próximo fim de semana será mais um daqueles especiais para noite paulistana, especialmente para os apaixonados por house music. Leonardo Ruas e a sua festa Música Importa apresentam, pela primeira vez no Brasil, a lendária festa The Shelter, um dos grandes marcos da história da dance music de Nova York, organizada por Timmy Regisford e famosa por pregar um ambiente de liberdade e respeito pleno no século passado.

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Nascido em Trinidad, uma das ilhas que formam Trinidad & Topago, Timmy carrega em suas veias a alma da black music. Seu começo de carreira foi em 1985 na rádio WBLS em NY, aonde trabalhou como assistente de direção musical e posteriormente, diretor musical. Na sequência, novas experiências ajudaram a formar seu nome na cena musical americana, dessa vez como A&R da Atlantic Records e mais tarde da MCA Records. O trabalho com labels no século passado não parou por aí e mais tarde Regisford ainda contribuiria com marcas como Motown Records e Deamworks Records, antes de se envolver diretamente com as festas do The Shelter (1991). Seu trabalho e todo legado criado pela festa ajudaram a desenvolver o perfil da house music por todo mundo.

Nos últimos anos, Timmy tem trabalhado com festas esporádicas por Nova York. Elas justificam o perfil non-stop da cidade e tem dado força para a sua música seguir em pleno desenvolvimento. Aqui no Brasil ele estará acompanhado de Milton Chuquer e da dobradinha Leonardo Ruas x Rafael Moraes. Preparando o terreno para essa noite tão especial, falamos com alguns dos DJs brasileiros fãs de Timmy sobre a importância de sua música. Confira abaixo:

Kaká Franco (Curitiba, 35 anos)

Descobri ele em 2003, quando minha pesquisa se voltou para o house final dos anos 80, ou seja, os primórdios do gênero, aí me marcou o estilo de bateria que usou nessa música, parece que permeia como sua assinatura nas produções mais recentes.

Davi Fiuza (Fortaleza, 28 anos)

Marcou minha vida! Sempre que a escutava me sentia corajoso e “especial” por ser um dos poucos de DJs que ousava tocar soulful com a pista pegando fogo na minha cidade! #soulroots

Rafael Moraes (São Paulo, 43 anos)

Essa música foi um divisor de águas na cena da house music e de NY. Alem de ser uma musica ícone do Club, o momento esperado da noite pelos dançarinos e entusiastas. Era o encontro do afro com o soulful e os timbres de Detroit que inovavam os clubs pelas mãos de Timmy Regisford e Quentin Harris inspiraria nomes como Dennis Ferrer e muitos outros…

Benjamin Ferreira (São Paulo, 38 anos)

Meu primeiro e até hoje mais marcante contato com a obra de Timmy Regisford foi a versão dele pra “That’s The Way Love Is”, do Ten City. Embora a versão mais famosa e tocada (e que eu também amo) seja a do Steve ‘Silk’ Hurley, a versão de Timmy é singular: mais dramática e funky, guitarra e piano bem na frente, strings dominando tudo. Tocada na pista certa e na hora certa, será sem dúvida um momento memorável.

Anderson Soares (São Paulo, 42 anos)

Não tem como deixar de falar sobre Timmy Regisford e o Shelter quando se fala de house music. Ambos foram responsáveis pelo desenvolvimento da sonoridade da House Music de Nova York durante todos esses anos. Não apenas através de suas produções, abrindo espaço para novos produtores e parceiros, como também criando uma atmosfera única em sua pista. A música que escolhi, How Deep Is Your Love do Blaze na versão do TR, é um grande exemplo…

Felipe Venancio (São Paulo)

O remix que o Timmy Regisford fez para That’s How Much I Love You, do Big Moses, ocupa um lugar especial no meu coração. Coloquei essa faixa em uma compilação que fiz, em 2003. Soulful linda e cheia de messages, do jeito que tem que ser.

Renee (Florianópolis, 35 anos)

Desde pequeno sempre acordei aos finais de semana ouvindo música. Minha mãe colocava as fitas, os discos e CDs dela pra tocar nos Stereo Music System: Stevie Wonder, Michael Jackson, Jamiroquai, etc. Então foi assim que cresci, tendo boa referência musical vindo dela. Anos se passaram, eu já tocava e vendo alguns vídeos na internet me deparei com Mr. Louie Vega tocando no WMC em Miami, um “edit” de Jamiroquai. Fiquei louco pela música até um bom tempo depois descobrir
o release na Restricted Access do Timmy Regisford com Q. Harris as Shelter. Portanto, sem dúvidas, foi uma música que marcou muito minha infância, adolescência, minha vida. Guardo duas cópias desse disco aqui em casa! [risos]

Milton Chuquer (São Paulo, 58 anos)

Difícil resumir a historia do Shelter em uma única musica. Mas sem duvida nenhuma My Joy faz parte dos grandes hits de lá e também eu vejo como divisor de aguas no sentido da produção, criação e timbres extraídos pelo Quentin Harris sob comando de Timmy Regisford que mudou bastante e influenciou muito produções futuras.

Leonardo Ruas (São Paulo, 31 anos)

Uma das musicas que mudaram minha concepção de Dance Music. Quando ouvi isso a primeira vez num DJ Mix de um CD original que comprei no Japão (mixado pelo próprio Timmy Regisford), fiquei instigado e imaginando inúmeras vezes como seria dançar esse som num lugar escuro e com um som bem alto, foram nesses momentos que entendi o que é dançar com a alma de olho fechado…

A música conecta as pessoas!