Alataj entrevista DJ Marky

Como descrever Marky em três parágrafos? Impossível, provavelmente. Se a França tem Laurent Garnier e os Estados Unidos tiveram Frankie Knuckles, com muito orgulho podemos dizer que o Brasil tem Marky – e Marky tem ao Brasil. Direta ou indiretamente, Marco Antonio da Silva ajudou a pavimentar o caminho para essa cena sólida e em crescimento que este que vos fala e muitos outros colegas podem trabalhar hoje. Nem sempre foi assim.

Oriundo de uma das primeiras gerações a estar em contato com a música eletrônica no Brasil, Marky é um cara apaixonado por música e pelo dance floor. É verdade que ele construiu sua respeitadíssima carreira especialmente no drum and bass, mas não é segredo pra ninguém seu amor pela boa música, livre de gêneros. Dono de uma personalidade forte, frente as pick ups e as câmeras, ele nunca escondeu de ninguém sua opinião e há mais de duas décadas representa o Brasil pelo mundo, talvez de uma forma que nenhum outro DJ conseguiu fazer até hoje.

Neste domingo (véspera de feriado em São Paulo), Marky recebe seus amigos e fãs de longa data no D-EDGE para mais uma edição da Marky & Friends – já falamos sobre a festa por aqui. No embalo desse momento de celebração, Leonardo Ruas (thanks!) nos deu a sempre excelente oportunidade de bater um papo com essa lenda vida da dance music mundial. Confira abaixo:

Alataj: Olá, Marky! Tudo bem? Que grande honra falar com você. É notório o peso da assinatura brasileira frente a drum and bass mundial. Na sua visão, o que essencialmente define o nosso perfil dentro do estilo?

Olá! Grande prazer falar com vocês do Alataj. Cara, na época usamos alguns elementos não só de música brasileira, mas muitos samples de latin music, boogie e soul de uma maneira diferente. Cada produtor tem sua assinatura quando está produzindo algo indiferente do estilo e isso era notável quando começamos a fazer e a exportar música.

As raízes do dnb estão fincadas na cultura musical britânica. Na posição de um artista que já viveu muito frente a diferentes cenários, como você enxerga a forma que DJs e produtores brasileiros foram recebidos em Londres e outros grandes polos do estilo?

No começo, quando chegamos lá foi muito difícil. A galera era bem radical e bairrista, mas depois do sucesso da música LK eles começaram a olhar não só para o Brasil como também ao redor. Os DJs, produtores e as gravadoras abriram o leque e viram que tinha um mercado muito maior do que só EUA e UK.

Você é parte de uma geração que realmente exportou a música eletrônica brasileira para o topo do circuito internacional. Na sua visão, em algum outro momento isso aconteceu de forma parecida em outros movimentos musicais ligados a dance music?

Vejo muitos artistas fazendo um trabalho bacana como L Side, Urbandawn, Alibi, Tropkillaz, Anderson Noise, Renato Cohen, Selvagem, entre outros. Acho que a música brasileira sempre terá espaço lá fora.

Após mais de duas décadas de pista, qual é o seu combustível essencial para manter o amor pela discotecagem intacto?

Acho que nasci pra isso! É um prazer indescritível fazer as pessoas felizes.

Falando um pouco mais sobre a Marky and Friends. Após levar a festa para grandes pistas como a do Skol Beats, Tomorrowland Brasil e Cine Joia, chegou a vez do D-EDGE. Como está o planejamento para essa edição? Quais são seus principais objetivos com a festa?

Nós pensamos em resgatar um pouco da cena dos anos 2000 trazendo 2 DJs que fizeram parte dessa história (Cleber Port & Ney Faustini) e por estar no D-EDGE a intenção é apresentar a música para um público diferente além dos frequentadores habituais da festa.

Qual foi o país ou lugar mais inusitado que você já tocou? Na sua opinião, o que realmente determina se uma pista é boa ou não?

Já toquei em quase o mundo inteiro e já me surpreendi em lugares que não esperava como Coréia do Sul e Índia. Lugares que gosto muito incluem Londres, que é minha segunda casa, e o Japão porque as pessoas são livres de rótulos, vão para dançar, extravasar…. e existe o culto ao verdadeiro Disc Jockey.

Na sua opinião, a tecnologia mudou para melhor ou pior a forma como a atual geração consome música?

A tecnologia, sem dúvida nenhuma, facilitou o acesso à música e isso é bom, mas o que eu tenho sentido é que as pessoas não valorizam o trabalho do DJ como faziam antes, que é principalmente mostrar para o publico o novo, o experimental, suas pesquisas. Acho um absurdo pessoas pedindo música para o DJ na cabine. Isso simplesmente não existia antes da tecnologia. As descobertas musicais aconteciam na pista de dança através do estudo do DJ, pois ele sempre foi o criador dos hits.

Para finalizar, uma pergunta pessoal. O que a música representa em sua vida?

A música me fez ser o que sou, me proporcionou tudo o que tenho. Desde os 9 anos essa é a minha maior paixão.

A MÚSICA CONECTA. 


Alan Medeiros é publicitário, sócio-fundador do Alataj e nome por trás da Beats n' Lights Management.

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