Alataj entrevista Elena Colombi

Esse fim de semana a DJ italiana Elena Colombi retorna ao Brasil para dois compromissos em sequência com a ODD, hoje no Rio e sábado em São Paulo. Sua última passagem por aqui foi na segunda edição do Dekmantel Festival São Paulo em março do ano passado, quando fez um b2b com Interstellar Funk. Dessa vez, seu retorno é acompanhado de um sentimento de admiração pelo Brasil, que certamente é recíproco da parte do público brasileiro, que terá mais uma vez a oportunidade de vê-la em ação.

Elena é uma entusiasta musical de primeira linha. Fascinada por coleções, ela descreve seu estilo como um “gênero fluído” e passeia como poucos por estilos como pós-punk, techno, wave e ebm. Atualmente com residência em Londres, ela mantém um programa regular na conceituada NTS Radio, aonde construiu uma forte reputação como seletora musical. Algumas de suas principais aparições incluem Dekmantel Festival, em Amsterdam e São Paulo, Lente Kabinet, Blijdor Festival e Tate Modern.

A nosso convite, Elena respondeu com sabedoria e precisão algumas perguntas que giram em torno de sua carreira e do universo musical que a cerca. Para mais informações sobre sua passagem por Rio e Sampa, clique nos links marcados.

Alataj: Olá, Elena! Tudo bem? Obrigado por nos receber. Podemos começar falando sobre sua experiência em torno do trabalho junto a NTS. De que maneira isso ajudou a moldar seu perfil enquanto DJ e pesquisadora?

Elena Colombi: Ter um programa na rádio ajudou a borrar essas fronteiras que são traçadas entre a pista e a própria transmissão de rádio, permitindo que eu experimentasse mais com o que tocava.

Itália e Reino Unido: como cada uma dessas regiões de background tão rico junto a dance music, contribuíram para sua evolução enquanto artista? Você se sente musicalmente mais representada pela escola italiana ou inglesa de música eletrônica?

Ambos acabaram por recobrir uma parte substancial de minha vida e certamente devem ter moldado meu gosto de certa forma. Mas creio que gostos, como nossa própria personalidade, são coisas que evoluem constantemente, então fica um pouco limitante considerarmos apenas países como influências, Pessoas, lugares, emoções, experiências, traumas, tudo isto entra no jogo também!

Acredito fortemente que a música é uma fonte poderosa de conexão entre as pessoas. Dito isso, como você enxerga seu papel frente a pista de um club e festival? Você se vê na responsabilidade de transmitir algo realmente positivo para aqueles que estão te assistindo ou é mais sobre dar o seu melhor e isso basta?

Acho que aqui você acabou por responder a sua própria pergunta indiretamente! 🙂

Eu sempre costumava perguntar para as mulheres que eu tive a oportunidade de entrevistar algo sobre a questão de igualdade de gêneros na dance music, até que uma delas me respondeu que não falar sobre esse tipo de assunto seria importante para acabar com a desigualdade existente. Qual é a sua visão sobre este determinado assunto neste atual momento da indústria? O que ainda deve ser feito para obtermos resultados mais igualitários nesse sentido?

Sexismo, racismo, nacionalismo, religião, status, poder, dinheiro… qualquer pretexto parece ser bom o bastante para criar barreiras entre humanos, não importa onde estejam ou o que façam. Isso não é ridículo?

Gostamos de pesar que somos uma raça superior, mas será que somos mesmo? Eu não acho… talvez se, ao invés de nos concentrarmos em quanto os humanos discriminam uns aos outros, deveríamos imaginar mais formas de nos unirmos.

O que exatamente te influencia no processo de construção de um set? Quanto tempo mais ou menos você considera ideal para chegar no ápice de uma apresentação?

Eu não planejo sets e tento estimular a espontaneidade o máximo que posso. Algumas vezes me apaixono loucamente por uma faixa, então tenho de tocá-la por um bom tempo! Eu quero que o público ame-a também.

A duração perfeita de um set? Tempo é uma percepção no fim das contas e não creio que importe tanto assim. Um pequeno ou um longo podem funcionar muito bem se outros aspectos da noite simplesmente “encaixam”… um pouco como um orgasmo, sabe? Às vezes você chega lá imediatamente, outras leva um pouco mais de tempo ou você tem de se esforçar mais. Em outras ele nem aparece, mas as preliminares foram tão boas que vocês está satisfeita.

Brasil! Quais são suas expectativas em torno dessa nova passagem pelo país? Como foi sua primeira experiência tocando no Dekmantel São Paulo e quais memórias você traz para essa tour?

Eu amei DEMAIS o Brasil! Estou muito feliz de voltar neste final de semana e também ansiosa por visitar o Rio pela primeira vez!

Para finalizar, uma pergunta pessoal. O que a música representa em sua vida?

Ela desencadeia lindas emoções, ela cria fortes conexões, ela funciona perfeitamente tanto para a introspecção quanto para a extroversão.

A MÚSICA CONECTA.

Alan Medeiros é publicitário, sócio-fundador do Alataj e nome por trás da Beats n' Lights Management.

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