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Conversamos com o Staffan Larsson, responsável pel...

Conversamos com o Staffan Larsson, responsável pelas capas da Drumcode

Além da música, diversos fatores contribuem para o sucesso de uma gravadora com o passar dos anos. Uma boa promo, curadoria artística coerente, bons profissionais na equipe e claro, uma identidade visual marcante. Um dos grandes selos do momento, capaz de reunir todos os pontos citados a cima com muita sabedoria é a gigante do techno Drumcode.

A gravadora sueca administrada por Adam Beyer já lançou nomes como Maceo Plex, Sam Paganini, Coyu, Truncate, Dense&Pika e Pig&Dan. Além de um grande leque de nomes menos conhecidos, mas donos de um grande potencial artístico. As capas dos releases são estampados pela mente criativa e cheia de identidade de Staffan Larsson. O ilustrador sueco é a alma por trás dos desenhos presentes nos lançamentos da Drumcode.

Formado pela escola de artes de Camberwell em 2006, Staffan é um conceituado ilustrador sueco, que atualmente reside em Berlim e trabalha com marcas do calibre de Mercedes, The Independent, FuseTV, Mobilee Recorde e claro, Drumcode. No fim do ano passado, conversamos com Larsson, que falou mais sobre seu trabalho, influências e relação com a música eletrônica.

1 – Olá, Staffan! Obrigado por falar conosco. Há uma identidade muito forte presente nas capas da Drumcode. Como foi o trabalho de concepção dessa identidade?

O conceito se desenvolveu ao longo dos anos desde que eu me envolvi, passou de muito abstrato e simples para o mish mash que é hoje. Suponho que a identidade de hoje está enraizada na minha maneira de desenhar. Há um processo natural por trás de cada obra de arte, bem como um esquema de cores familiar. Eu também gosto de pensar em cada capa como uma colagem, ao invés de um desenho. Além disso, a justaposição desempenha um papel importante na composição de muitas capas. Tem que haver um conflito na interação dos elementos, quase como um caos controlado.

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2 – Como é o processo de criação de cada capa? Os artistas possuem participação no processo criativo ou as escolhas são tomadas diretamente por você? 
Na maioria das vezes é minha responsabilidade, Mas às vezes o artista tem uma ideia própria ou uma palavra chave que pode ser útil para começar o trabalho. Em geral, eu pesquiso o título para encontrar uma abordagem diferente do que vem à mente no início, ou como desenhar as coisas de uma forma um pouco diferente. É importante que as coisas se tornem um pouco surreal e brincalhonas ao mesmo que tenha um tom mais escuro.
 
3 – Essa é uma pergunta que pode soar clichê, mas é importante para sabermos. Quais são suas grandes referências artísticas?
Jan Lööf e Elsa Beskow, grandes autores e ilustradores suecos de livros infantis, as pinturas de Jean Michel Basquiat e o movimento dadaísta que eu acho extremamente atual. Olaf Hajek e Frank Hoehne são dois ilustradores contemporâneos que eu também admiro, ambos da Alemanha.
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Ilustração de Jan Lööf
 
4 – Além da Drumcode, você possui outros trabalhos vinculados a música eletrônica?
Eu projete capas e promo para um pequeno rótulo em Málaga chamado Organic que lança músicas surpreendentes. Às vezes eu faço um trabalho ilustrativo para Mobilee e Sol Asylum, ambos com sede em Berlim. Mesmo que Drumcode ocupe a maior parte do meu tempo, é bom fazer coisas ligeiramente diferentes de vez em quando, como não desenhar somente em preto.
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5 – E fora da música eletrônica, com quais parceiros você tem trabalhado?
Eu trabalho com empresas e clientes editoriais, a maioria deles na Suécia e no Reino Unido, onde eu cresci. Eu amo fazer capas de livros e ilustrações para revistas. A ideia de filtrar palavras ou temas de alguém e transformá-los em imagens é um grande desafio e uma maneira muito inspiradora de se comunicar.
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6 – O techno está presente no seu cotidiano? Há algum artista pelo qual você cultiva um relacionamento mais próximo?
Se estamos falando de dance music eu me inclino mais para a house music. Eu amo o que a Life and Death gera e eu também tenho recentemente gostado de um rótulo em Berlim chamado Steyoyoke.
 
7 – Os grandes artistas dizem que se manter permanentemente inspirado é um dos maiores desafios para seguir trabalhando em alto nível. Quais são suas principais fontes de inspiração no cotidiano? A cidade, as pessoas, a natureza?
Para o bem estar e preservação tenho alguns amigos verdadeiramente surpreendentes que me mantém inspirado é em conversas com eles que eu encontro significado para a vida cotidiana. Eu visito várias instituições em Berlim, onde eu passo algumas horas por semana sozinho para me conectar a mim mesmo e é dentro deste ambiente que eu posso ser criativo. Tenho um par de cafés locais que eu gosto de sentar-me com os meus livros de esboço e existe também uma livraria colorida, onde você pode mergulhar no conhecimento que o rodeia, especialmente velhos livros botânicos e litografias animais. É importante para mim sentir que eu pertenço a um lugar e tempo, somente quando eu sou satisfeito com essa idéia que eu posso trabalhar nela. Por isso, passo muito tempo fora da mesa de desenho, para gerar idéias e transformá-las em imagens. Eu gosto de passear em galerias e adoro o cinema, gosto das ruas em meu bairro em Berlim – elas me fazem lembrar algumas coisas. As memórias são tão importantes quanto a curiosidade. Eu saio para passear e eu inspiro a paisagem, me afago nas esquinas e me obrigo a olhar para as coisas às vezes. O menor dos nuances ou detalhes pode ser o ponto de partida para algo novo e emocionante.
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8 – Outros movimentos urbanos, como o grafitti e a dança, influenciam você na produção das obras?
Não tenho certeza. Eu não posso dizer que eu acompanho o que está acontecendo no mundo dos graffiti, embora eu respeite esse formato de arte Quando eu estava crescendo em Londres, toda a cena explodiu com o trabalho de Bansky e me lembro que era muito poderoso. Tenho alguns amigos que são dançarinos contemporâneos e vê-los é obviamente mágico, com a idade cheguei a gostar de balé. O drama, digamos em algo como Tchaikovskys Swan Lake, atrai-me.
9 – Para encerrar, dentre as capas que você já desenhou para a Drumcode, qual foi a mais inspiradora até hoje? 
Eu estou realmente feliz com a maneira que Luigi Madonnas – Magic foi entregue. Possui uma faísca de conto de fadas que me faz sorrir.
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Alan Medeiros é publicitário, sócio-fundador do Alataj e nome por trás da Beats n' Lights Management.

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