Alataj entrevista Tiga

Tiga é um dos nomes que merece ser reverenciado por toda a história e colaboração que teve no cenário da música eletrônica. Além de DJ e produtor, foi responsável por organizar diversos eventos no seu país e sua cidade natal, Montreal, no Canadá, e ainda fundou a Turbo Recordings, gravadora que já está no mercado há duas décadas. Tiga já lançou três álbuns na carreira, Sexor, de 2006, Ciao!, de 2009, e No Fantasy Required, de 2016, todos possuindo alguns de seus maiores hits como Sunglasses at Night e You Gonna Want Me.

Depois de quase sete anos longe das pistas brasileiras, o canadense está de volta ao país para duas apresentações por aqui em uma tour intermediada pela SmartBiz. Dia 24 (sexta) ele sobre no palco da KATZ, em São Paulo, se apresentando com Eli Iwasa, Renato Cohen e Exequiel na Fabriketa. No sábado (25) ele toca no Rio de Janeiro na festa RARA, que acontece no Bondinho Pão de Açúcar com Valesuchi, RARA DJs e KINKID (Live). Além dessas datas, Tiga tem estreia marcada no Warung Beach Club, dia 24 de fevereiro, feriado de Carnaval, tocando no Garden antes de Seth Troxler.

Tivemos a honra e o prazer de entrevistá-lo antes de suas gigs e o resultado desse bate-papo você confere a seguir.

Alataj: Tiga! Tudo bem? Muito obrigado por nos atender, é um prazer falar com você. Certamente o panorama musical atual mudou muito desde quando você promovia festas em Montreal, no início dos anos 90. Porém, existe algo que permanece igual até os dias de hoje? Como você enxerga o cenário eletrônico atual?

Olá! Sim, as festas que produzi nos anos 90 foram todas na minha cidade natal. Já faz 25 anos, foi há muito tempo para discutir. Em diversos aspectos era outro mundo, e era na minha juventude… O que permanece é a minha busca por música, o desejo de encontrar músicas que me façam sentir vivo e apaixonado, a busca perpétua. Não passo muito tempo pensando na cena em geral, não é uma posição saudável a assumir.

Apesar de já ter produzido grandes clássicos, você é um artista que não gosta de se apegar ao passado, certo? Está sempre em movimento, experimentando novos sons, realizando collabs… apesar disso, 2019 foi um ano sem muitos lançamentos. No que você está focando atualmente?

Sim, é verdade. Tanto no lado artístico, quanto no lado pessoal, não encontro muito conforto no passado. Acho muito importante experimentar e não repetir. Como sempre, é sobre emoção e inspiração, às vezes isso significa esperar. 2019 foi um ano em que tirei um tempo e comecei novos projetos, que estarão prontos em 2020. Comecei um álbum com Hudson Mohawke, além de um novo disco para Tiga vs Audion e novos materiais solo. Foi um ano de transição, estou muito animado para 2020 revelar o que eu venho trabalhando.

Lembro que uma vez um amigo me falou que descobriu seu som em um filme de surf chamado Modern Collective, através da “Mind Dimension”. Algum dia você imaginou que sua música poderia inspirar os praticantes de esportes radicais que ficaram por muitos anos ligados ao Rock?

Que legal ouvir isso. Raramente penso sobre onde minha música chega, mas quando faço essa reflexão me vem um bom sentimento: imaginar de quantas maneiras imprevisíveis meu som pode existir no mundo real.

Isso me gerou uma outra curiosidade também… Quando você começou a produzir, no fim dos anos 90, quem foram suas maiores inspirações e que outros tipos de som você consumia? Quais bandas/projetos fizeram parte do seu background musical?

Quando finalmente comecei a gravar, eu já tinha uma vida inteira de ideias guardadas. Todos os sonhos e gostos da minha infância e adolescência: David Bowie, Depeche Mode o hip hop do fim dos anos 80… e claro, techno e rave. Estava tudo dentro de mim, só esperando para sair. 

Conforme minha carreira de produtor foi se desenvolvendo, me inspirei muito nos meus amigos e colaboradores: Jesper Dahlback, Soulwax, Jori Hulkkonen… é difícil especificar. Ideias podem vir de livros. Acho que tive a maior parte das minhas boas ideias ouvindo rádio em táxis.

Em uma entrevista de 2014 à GQ, você comentou sobre sua relação com a música brasileira, especificamente sobre a Bossa Nova. Você de alguma forma se aproximou mais das músicas daqui desde então? Acompanha algum artista brasileiro, tanto de dentro como de fora da música eletrônica?

O único artista brasileiro que tenho acompanhado de perto ao longo dos anos é o Ronaldinho.

Você já esteve algumas vezes pelo Brasil… Tocou no icônico Skol Beats, já se apresentou no Rock in Rio, além de várias outras ocasiões… quais as melhores lembranças que você tem de suas passagens anteriores por aqui? Há algo único e exclusivo do Brasil em relação a outros lugares por onde você já tocou?

Tenho lembranças muito boas das minhas turnês no Brasil. Penso principalmente no sentimento de alegria e emoção que sempre recebo das pessoas. Parece clichê, mas é real. Lembro da primeira viagem, levei minha namorada ao Maracanã. Outra vez lembro de fazer compras com LCD Soundsystem em um mercado. Tenho diversas páginas de anotações em um diário e notas sobre o passeio por Santa Teresa, no Rio. Também amo o mar!

Para finalizar, uma pergunta pessoal. Nós enxergamos a música como uma forma de conexão entre as pessoas. Na sua opinião, qual o grande significado dela em nossas vidas?

Acredito que a música conecta as pessoas e que também traz o melhor das pessoas. Acalma a sua mente, te faz feliz e te leva para longe… e sim, pode ser compartilhada, o que é algo muito especial. Há muita competição na música hoje em dia, tantas forças competindo pela nossa preciosa atenção, mas em nossos corações sabemos que a música é o melhor. Os outros são apenas impostores.

A música conecta.


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