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A caminhada de Victor Ruiz para se tornar um expoente brasileiro no mundo do techno

Poucos artistas na história da música brasileira conseguiram tamanha admiração quanto o DJ e produtor Victor Ruiz. Mas, esse não é nem de longe o fato que mais o destaca. Após construir uma carreira sólida em um estilo de som de apelo mais popular, Victor foi capaz de evoluir junto com seu público e hoje é uma das referências do techno produzido no Brasil para o exterior. Seu som é difundido muito bem em pistas do exterior e, atualmente, também em solo nacional.

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Parcerias com D-Nox, remixes para nomes como dubfire e Monkey Safari, e uma importante mudança de agência são pontos que podem ser colocados como um ponto de virada na carreira do produtor, que hoje concilia em sua agenda gigs nos principais clubs do país, muitas horas de produção no estúdio e turnês disputadas no exterior – essas cada vez mais frequentes.

Como confirmação de um momento especial, Victor teve mais uma conquista essa semana. Sua faixa Pure, lançada pela Sudbeat (selo do Hernan Cattaneo), chegou ao primeiro lugar de progressive house no Beatport. No próximo fim de semana, mais uma estreia para o artista. Sábado ele toca no Chakra Club, em noite que promete sold out e deve ser um divisor de águas para a noite da região. Aproveitamos o excelente momento da carreira de Victor Ruiz para um bate-papo exclusivo. Confira abaixo:

1 – Olá, Victor! Muito obrigado por nos atender. Você é hoje um dos artistas brasileiros de maior expressão no cenário internacional, mas nem sempre foi assim. Fale um pouco da sua trajetória até chegar a esse momento

A primeira vez que toquei fora do país foi em 2011 no México. Desde então comecei a ir pouco a pouco pra fora. Fim de 2013 eu fui pra Europa pela primeira vez, fiz 6 gigs em 2 semanas e desde então minha vida mudou. Passei a fazer tours por lá todos os anos e tocando cada vez mais. Foi algo bem orgânico que rolou, mas sou muito grato por isso e quero conhecer o mundo todo.

2 – Ano passado, você finalmente teve sua esperada estreia no Warung e além disso, muita coisa boa também aconteceu. Podemos dizer que 2016 foi o melhor ano de sua carreira?

2016 foi um ano bem intenso, de altos e baixos, mas num balanço geral foi um ano muito bom. Teve o encerramento do AV, com a Any, o que não foi tão fácil assim, mas em contrapartida fiz diversas tours pra fora do país, estreei em vários clubs que sempre quis tocar (como o Warung). Não acho que foi o melhor ano da minha carreira, pois sempre gosto de pensar que o ano atual é sempre o melhor ano.

3 – Você se sente confortável na posição de remixer? Em geral, quais são as principais mudanças em relação ao processo criativo de composição de uma faixa original?

Sim, é muito confortável (até demais [risos]). Eu geralmente escolho as partes que mais gosto da track que vou remixar, começo uma outra do zero e adiciono esses elementos no meio. Tento sempre fazer o mais autêntico possível mas sem deixar de lado a essência da original.

4 – De que forma a saída da Entourage e entrada no time da Alliance Artists (antes disso teve sua passagem pela Plus Talent, nós sabemos) mudou a sua carreira?

Eu tenho um respeito enorme pela Entourage – inclusive ainda mantenho contato com eles, a amizade continua – mas simplesmente senti que era a hora de tentar algo novo. O mesmo que aconteceu com a Plus indo pra Alliance. Estou muito feliz por estar numa agência que conheço todo mundo e que estamos na mesma página – isso é muito importante. O time de artistas é bem sólido e no meu gosto pessoal é o que mais me encaixo. Estou me sentindo em casa.

5 – Depois de tantos anos de carreira, o que você tira de melhor do aspecto humano da cena eletrônica? Você fez grandes amigos nesse circuito?

Aprendi a sempre tentar deixar o ego de lado. Tem muita disputa nesse mercado, infelizmente, e já me decepcionei muito com pessoas que achava que eram amigos e na verdade queriam apenas “uma fatia do bolo”. Em contrapartida meus melhores amigos são da cena eletrônica, mas são amizades cultivadas há muitos anos. Acredito que atraímos o que transmitimos, então se estou vibrando numa frequência legal, vou atrair isso, e vice-versa. O lance é ter cautela.

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6 – Tours, gigs, novidades. O que vem por aí ainda em 2017?

Diversas tours pra Europa já fechadas, inclusive pude finalmente anunciar minha participação no Tomorrowland da Bélgica em Julho. Alguns releases bem legais a caminho pela Octopus, Tronic y otras cositas más. Tem sido, até agora, um ano muito produtivo no estúdio.

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7 – Você tem planos de ter sua própria gravadora?

Não sei, e mesmo se tivesse seria segredo. 😉

8 – Quais são os artistas brasileiros que estão presentes no seu radar atualmente?

Vou citar meus favoritos: Wehbba, Anna, Alex Stein, KALIL, Vinicius Honorio, Victor Enzo, Dante Pippi, André Salata, Against The Time, Lucas Magalhães, Blancah, e já fazendo propaganda dela que vai bombar: Any Mello.

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9 – Dentre tantos lugares incríveis que você já se apresentou, há algum que represente a você uma energia especial e inesquecível? Se sim, qual?

Putz, são tantos! Vou citar alguns dos meus favoritos: Sisyphos em Berlim, La Fábrica em Córdoba, Hardpop em Ciudad Juárez, Warung em Itajaí e ERA em Cape Town.

10 – Em que momento você percebeu que o sua antiga identidade sonora não te representava mais?

Tudo mudou depois de minha primeira ida à Europa. Desde que fui pra lá e conheci a cultura, isso já fez um click na minha cabeça. Essa mudança começou há muito tempo, porém eu não podia mudar da noite pro dia, então tive que fazer uma transição para o que queria (e já estava tocando lá fora). Demorou alguns anos pra concluir isso, foi duro, recebi muitas críticas de todos os lados, mas mesmo assim persisti, pois foi o caminho que acreditei.

11 – Para finalizar, uma pergunta pessoal. O que a música representa em sua vida?

A música representa a vida em forma de arte. É a única arte que mexe com todos os seres humanos sem qualquer esforço. Todos nós vibramos em certas frequências e a música também. Acho que é por isso que é algo que muda vida de pessoas e estimula das mais diferentes maneiras. Sei que é clichê mas realmente “sem música a vida seria um erro”.


Alan Medeiros é publicitário, sócio-fundador do Alataj e nome por trás da Beats n' Lights Management.

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