Alataj entrevista Wehbba

Evolução e consistência. Dificilmente outras duas palavras descreveriam tão bem o trabalho do produtor brasileiro Wehbba nos últimos anos quanto essas duas. Atualmente no hall de artistas regulares da Drumcode, Rodolfo viu seu nome se firmar no cenário internacional com grande menção ao trabalho de estúdio. 

Alguns fenômenos ajudam a explicar o sucesso de Wehbba junto ao cenário internacional e talvez os números do Beatport sejam a principal razão para isso. Release pós release, Wehbba bate o topo, com faixas e EPs que não são apenas uma sensação do momento… elas permanecem performando bem mesmo após algum tempo. 

Paralelamente a isso, vale muito destacar a entrega do brasileiro nas duas frentes em que ele trabalha. Discotecagem e produção musical. Wehbba é um DJ de mão cheia, que acompanha o perfil e o nível do profissional que ele se tornou no estúdio. Não há uma discrepância de nível para nenhum dos lados, algo que é muito importante nos tempos atuais. 

Seguindo sua última entrevista por aqui, em 2017, Wehbba voltou a atender nossa equipe para um bate-papo exclusivo sobre vida e carreira, do jeito que a gente gosta:

Alataj: Olá, Rodolfo! Tudo bem? Obrigado por nos atender. Em nossa primeira entrevista falamos sobre sua mudança para Barcelona e como isso foi positivo para sua carreira. Atualmente, como você avalia sua estadia na cidade e o que está projetando para o futuro? Há alguma mudança no radar? 

Wehbba: Oi, tudo bem por aqui, e vocês? Eu que agradeço! Desde a nossa última conversa eu mudei de casa e de estúdio (que fica em casa, então…), e foi um novo e belo desafio no meio de tanta viagem. Mas por outro lado me fez me sentir mais acolhido e ter uma sensação de realmente estar no meu lugar, não me sinto mais como se estivesse de passagem. Isso tudo me inspirou muito e esse ano tem sido extremamente produtivo no estúdio. Tem muita coisa legal vindo aí pro ano que vem.

Você é um artista que tradicionalmente conquista grandes resultados em venda e posicionamento dentro do Beatport. A quais características você credencia tamanho sucesso dentro desta concorrida plataforma?

É difícil dizer, tem muita música boa em muitos selos ótimos e o volume de lançamentos só aumenta, então fico muito feliz de conseguir estar sempre em destaque. Talvez a consistência tenha contribuído em parte, mas não importa muito essa coisa de chart se ninguém toca a sua música, fica tudo muito volátil. E isso é o que realmente importa e o que eu acho que contribui mais e me motiva pra cada lançamento, por isso temos tanto cuidado em escolher exatamente o que vai ser lançado desde que comecei a trabalhar com o Adam. Até os projetos fora do selo (Drumcode) são escolhidos e planejados com muito cuidado para ter o impacto que cada um merece.

Mantra faz parte da compilação A-Sides Vol. 8 da poderosa Drumcode e, claro, marca seu retorno a gravadora de Adam Beyer. Como tem sido colaborar de forma regular com uma marca deste peso? O que você pode nos contar sobre seu relacionamento com Adam Beyer?

Mantra é o meu sexto lançamento no selo e fruto de um trabalho conjunto de aproximadamente 2 anos. Desde que mandei minha primeira demo pro selo em 2016, a Fake, que acabou sendo lançada em 2017 na coletânea A-Sides Vol. 6, percebi que tinha encontrado meu lar, depois de algum tempo já me sentindo meio perdido. E acho que a recíproca é verdadeira. Desde o começo a conversa já foi no sentido de intensificar o relacionamento rumo a um trabalho mais exclusivo em conjunto. 

Tanto a Drumcode como o Adam tem um papel muito importante nos meus anos formativos quando eu era mais raver que profissional, no começo dos anos 2000. Fico honrado em ser parte integral do time atualmente, cada um representando uma linha dentro da nave-mãe, e mesmo com tantos eventos da marca pelo mundo, estamos sempre reunidos, o que traz uma vibe de família realmente.

Ainda sobre colaborações, seu EP Red Planet em parceria com Scuba aka SCB via Hotflush também representa uma conquista muito importante, não é mesmo? Como exatamente aconteceu o convite para produção deste trabalho?

Conquista é geralmente o resultado de algo que a gente busca, não acho que se aplica muito nesse caso, apesar de ser fã dele e do selo desde o início da década, nosso contato acabou fluindo naturalmente. Começamos a nos falar por e-mail em meados de 2018, quando ele me pediu um remix para a faixa que tinha feito em colaboração com Reset Robot, que saiu no começo desse ano. 

Eles ficaram muito felizes com o resultado, e nesse processo, descobrimos muitas coisas em comum e fizemos uma troca de projetos que cada um tinha guardado, só por diversão mesmo, eu mandei 2 meus pra ele e ele me mandou 2 projetos dele, e fomos trocando arquivos até ter algo concreto. O mais louco foi que a nossa primeira conversa “ao vivo” na verdade foi por Skype, quando fizemos uma conferência com a nossa assessoria de imprensa, depois de tudo pronto, até então só tínhamos tido contato por e-mail. 

Isso é muito raro acontecer pra mim, já tive más experiências em colaborações online, acho muito importante sentir a vibe da outra pessoa com quem está trabalhando, mas nesse caso tudo realmente fluiu muito naturalmente e é bem provável que voltemos a fazer algo juntos em breve. 

Como funciona o processo de escolha das gravadoras com as quais você vai trabalhar? Geralmente, você produz ‘sob encomenda’ ou finaliza tudo primeiro antes de decidir qualquer coisa?

Nunca tive um sistema ou processo fixo, às vezes recebo convites, e na maioria das vezes vou fazendo músicas e tocando, testando, até decidir quais acho que estão prontas para serem lançadas. Atualmente eu trabalho exclusivamente com a Drumcode para todo o meu trabalho original, remixes faço quando recebo convite e dá pra encaixar na agenda, mas acabo focando mais em projetos diferentes do que faço normalmente, como foi o caso do remix que fiz recentemente para o projeto de Drum N’ Bass Culture Shock, no selo do Andy C, o RAM Records, dando uma identidade totalmente diferente pra faixa original. 

Gostaria de perguntar como a conexão entre estúdio e cabine funciona em sua criatividade. Você testa faixas não finalizadas e tenta entender qual caminho seguir? Quão importante tem sido o feedback do público?

Por muitos anos não havia muita conexão, eu sentava no estúdio e o que saísse, era aquilo. O resultado disso foi sempre negativo na minha experiência, pois eu acabava não tocando a maioria das minhas músicas e com o tempo perdia o interesse nelas. Fazer músicas com a finalidade principal de tocá-las é essencial. Já ouvi várias histórias de que foi mais ou menos assim que surgiu a necessidade dos primeiros produtores exclusivamente de música eletrônica se aventurarem na produção. Da necessidade de ter coisas que se encaixariam perfeitamente no que eles queriam tocar e que fossem uma forma de expressão sem filtro, disponível imediatamente, e eu tenho me sentido muito assim atualmente… é tanta opção que me dá até crise de ansiedade fazer pesquisa musical hoje em dia, me sinto mais confortável em criar algo meu e ter sempre coisa nova e exclusiva pra tocar.

Com isso meu estilo tem ficado cada vez mais refinado e definido, e a minha motivação no estúdio mais pura e autêntica. E no fim, eu não faço música só pra mim, e ter a possibilidade de tocar as novidades para diversos tipos de público e ver a reação é maravilhoso, e também um bom indício de quais músicas tem aquele “quê” a mais, e que precisam ser lançadas.

Última para encerrar: novidades sobre seus  projetos. Alguma coisa que você possa compartilhar conosco para que possamos acompanhar? Obrigado!

Eu não gosto muito de falar de projetos que estão em andamento, então vou ficar devendo! Mas adianto que meu próximo lançamento pela Drumcode será no começo de 2020, e que também estou trabalhando numa colaboração com outro artista brasileiro que admiro muito. Espero pra falarmos sobre os resultados disso na próxima entrevista. Valeu!

A música conecta. 


Alan Medeiros é publicitário, sócio-fundador do Alataj e nome por trás da Beats n' Lights Management.

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