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Daniel UM fala sobre sua carreira e lista as 10 faixas mais marcantes de sua trajetória

Por Francisco Raul Cornejo

Daniel UM é uma das instituições mais estimadas da vanguarda eletrônica paulistana e esteve envolvido com praticamente todos os seus capítulos mais fundamentais, contando residências no Hell’s Club original, Lov.e Club e D-EDGE, além de aparições em incontáveis eventos que definiram o que conhecemos hoje como um cenário familiar e auspicioso. Nesta entrevista ele fala um pouco sobre seu trajeto e como chegou até o ponto em que se encontra hoje: confortavelmente listado entre um dos DJs prediletos entre os DJs. Música de verdade, por gente que faz a diferença! 

++ esse fim de semana tem Daniel UM, Etapp Kyle, rhr e mais na Tantša

1 – Underground Minds, esse nome é bem conhecido hoje em dia, mas de onde ele saiu e o que mudou em tanto tempo de existência dessa parceria? O que ele me traz à mente é uma ideia tanto de família como de coletivo artístico, mas de uma forma bem discreta.

Nasceu da união de amigos que tinham em comum o gosto pela música eletrônica que ganhava força no início dos anos 90, eu começava a tocar nas primeiras festinhas no bairro quando conheci o Mauricio, Alex e o Niva, cada um ajudava no que podia, no começo era um case dividido pra todos, depois cada um foi andando com as próprias pernas e definindo seu estilo, mas o nome mesmo só veio um tempo depois quando o DJ Gil Barbara nos convidou para uma entrevista e pediu pra criarmos um nome ao coletivo.

2 – Vinte anos lhe deram a oportunidade de notar inúmeras transformações na cena. Quais as que mais lhe marcaram no decorrer desse tempo todo, negativa e positivamente?

Positivamente aconteceu o que todos queriam, a cena cresceu e deixou de existir apenas nas principais capitais, alcançando todas as mídias e abrindo outras possibilidades para o trabalho dos DJs, como lançar músicas e tocar no exterior – a coisa de fato se profissionalizou. Negativamente é que tudo isso também abre portas pra aqueles que não trabalham de forma tão profissional.

3 – E, claro, do pináculo dessa trajetória, deve ter havido momentos de inflexão na carreira e de reflexão sobre ela. Há um Daniel UM do qual você sente uma certa falta, seja pela inocência ou pela ousadia, ou a experiência é um trunfo realmente insubstituível?

Com certeza todas as experiências que tive me dão uma base sólida e a força pra continuar, consciente que existem altos e baixos na carreira, como nos tempos em que tinha duas residências em clubs considerados e outros em que não tive nenhuma, nem sequer festas e tive que recomeçar do zero. Posso dizer que não tenho nenhum tipo de frustração, se tiver que parar hoje paro feliz porque o meu objetivo alcancei que é expor minha visão através de música além de ter dividido cabine com amigos e alguns ídolos que sempre admirei e respeitei, coisas boas tem acontecido e acredito que mais pode acontecer.

4 – Lembrando que é sempre uma questão de preferência e muitas considerações entram nesta escolha que acaba sendo extremamente pessoal, mas qual seu posicionamento no debate de mídias e música? CDJ, toca-discos, controladora… há um limite para a praticidade ou este elemento interfere essencialmente no que é apresentado ao público?

Não acho que interfira no resultado de uma apresentação, cada um se adapta melhor diante das opções disponíveis. aAgalera da oldschool vai preferir os toca discos, mas muitos já se adaptam aos CDJs que é uma coisa da nova geração que também curte os toca discos. O que deve se considerar é um bom repertório e técnica, além de estar dentro do perfil musical da festa. Tenho como regra a opinião de que não é simplesmente “passar as musicas”, tem toda uma junção de elementos que se contemplam em uma mixagem, o que torna todo trabalho especial.

5 – É uma pergunta capciosa, mas nesses anos todos, quais as ocasiões mais memoráveis em que você tocou? Sempre há algumas festas específicas em que há uma conjunção de fatores que culminam numa situação especial.

Recentemente fiz um álbum digital com algumas dessas lembranças, foram muito mais do que publiquei na verdade, desde festas com amigos a ídolos nacionais e internacionais, posso dizer que tive grandes momentos por todos os clubes e festas em que toquei com certa frequência, hoje em dia procuro focar que a minha próxima apresentação tem que ser a melhor!

6 – Também é notável ver que sempre houve uma preocupação de trabalhar com artistas locais em seus estágios iniciais de carreira que vieram a se tornar nomes representativos da cena. Aqui lembro de gente com Rafael Moura, Andre Bacon, Max Underson e muitos outros. Como ocorreu essa ligação?

Costumo ser super aberto às novas amizades e procuro dar atenção a todos os que se aproximam de mim, porque da mesma forma que me influenciei acabei virando influencia pra alguns DJs hoje grandes amigos, as parcerias que fiz tanto no campo da produção musical como na realização de pequenas festas, foram coisas que aconteceram naturalmente sem pretensões egoístas, coisas que de alguma forma acrescentaram em nossas carreiras.

7 – Agora, falando do presente propriamente dito, como você vê o cenário atual de plataformas artísticas que tanto mudou nessas últimas décadas? Selos, eventos, coletivos, blogs, festivais pululam pelo país no momento, como você percebe este movimento? Ele teria lugar para um Mau e um Dani UM entrarem na jogada se eles estivessem começando agora?

Hoje as opções são muitas, DJs, produtores, selos, festas, musicas, público, infinitas fontes de pesquisa não só a nível Brasil mas mundial, é preciso batalhar pra conquistar seu espaço porque a “concorrência” é grande mas as oportunidades nem tanto. Tem que persistir, acompanhar e se adaptar a essas mudanças, com certeza começaria da mesma forma se fosse preciso.

Para finalizar, conseguimos um top 10 de faixas que marcaram a carreira de Daniel UM:

01 – The KLF – What Time is Love – KLF Communications

02 – SL2 – DJ’s Take Control – XL Recordings

03 – CJ Bolland – Camargue – R&S Records

04 – Berkana Sowelu – Solid Fuel – Pacific Records

05 – Choice – Acid Eiffel – Fragile

06 – TNI – Mad Situation – Force Inc.

07 – Carl Craig – At Les – Planet E

08 – Galaxy 2 Galaxy – The Journey of The Dragons – UR

09 – 2000 and One – Galaxy Child – 100% Pure

10 – Heiko Laux – Souldancer – Kurbe


Equipe de reação do portal Alataj, focada em levar conteúdo cultural ao público antenado na música eletrônica.

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