O japonês Kuniyuki Takahashi é um verdadeiro ponto fora da curva, um retrato do que a dance music tem de mais elaborado e interessante. Como produtor, trabalhou para valorizar a cultura musical de regiões que variam desde a sua cidade natal, até outras partes do globo como África e América Latina. O resultado dessa pesquisa é a construção de um estilo musical sem fronteiras, guiado por um artista com know how para entregar apresentações impressionantes com frequência.

Esse fim de semana, Kuniyuki vem ao Brasil pela primeira vez a convite do exímio pesquisador Leonardo Ruas. O japa toca na festa timles, apresentada pelo movimento Música Importa. Oportunidade de ouro para os paulistanos conferirem de perto um DJ com uma bagagem multifacetada. Crianças, animais de estimação e familiares são muito bem vindos no rolê que acontece na Vila Madalena, um dos bairros mais legais de São Paulo.

Como grandes admiradores do trabalho de Takahasi, ter a oportunidade de falar com ele às vésperas de sua estreia no Brasil foi algo realmente especial. Confira abaixo o resultado do bate-papo:

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1 – Olá, Kuni! Obrigado por nos atender. Seu som é uma mistura louca de diferentes influências que encantam. Nós queremos saber: quando seu amor pela música floresceu? Aonde isso tudo começou?

Não tenho certeza de quando foi, mas quando estava no ensino médio eu ficava procurando música boa porque quando eu escutava meus sentimentos iam para outro caminho e sinto que era muito bom. Então acho que foi durante a adolescência, este foi o começo da minha vida com a música.

2 – Nós percebemos muitas referências latinas em sua música e essa talvez seja uma das suas características mais bacanas, visto que sua origem remete ao outro lado do planeta. Além da parte musical, você é um entusiasta da cultura latina? Você costuma visitar os países de onde tira suas influências

Na verdade, sou um grande fã do som de percussão e música nativa do mundo desde os anos 90 aproximadamente. Eu também escuto música latina, mas não sou tão colecionador. Fico muito feliz em sentir a música latina e definitivamente trago influências de lá. Também estou indo para outros países como Africa do Sul, Europa e Asia para gigs, sempre procurando por música boa e que eu possa tocar. A música é muito importante para a nossa vida e por isso é importante tocar pessoas locais com ela.

3 – Há um senso comum, quase que mundial, que a cultura japonesa é bastante perfeccionista. Você enxerga sua música dessa maneira também?

Eu acho que não sou perfeccionista, mas sim eu vivo no Japão e estou com esse sistema japonês em ser perfeito e estar no tempo certo com tudo. Mas com minha música, eu não quero fazer nada perfeito, às vezes perfeição não é diversão para mim.

4 – Sobre o Brasil: o que você a respeito do nosso país? Há algum estilo musical ou artista que tem chamado sua atenção recentemente por aqui?

Quando eu vou para clubs e pubs no Japão, nós ouvimos tantas músicas e com certeza algumas brasileiras também. Acho que a música brasileira boa está em todo lugar, isso significa no mundo todo mesmo. Por exemplo, quando eu fui para NY, havia um enorme festival brasileiro, coisa que acontece no Japão também, com eventos menores. Penso que os japoneses adoram a cultura e a música brasileira.

5 – Atualmente, como está a cena no Japão? Aqui do Brasil nós percebemos que a dance music atinge cada vez mais jovens por aí, mas temos curiosidades em saber se esse público está interessado em consumir algumas influências musicais mais ricas também…

Nossa cena do Japão está realmente indo para o futuro e os jovens sempre estão procurando por música boa também, eu acho que é semelhante ao Brasil. Também estou olhando por novas músicas e vida no futuro.

6 – Na sua opinião, o que separa um bom DJ dos demais?

Eu passo muito tempo no club e ouço muitos DJs, então é realmente diferente um DJ bom e apenas um DJ. O bom DJ tem muita mensagem com a música, faz um momento bonito e feliz, sente amor pelos outros. A música algo verdadeiro e nós podemos compartilhar o que nos forma, isso é experiência. Um bom DJ nos faz achar nosso caminho.

7 – Após tanto tempo atuando, o que você tira de melhor das relações humanas que construiu com a música?

Amar uns aos outros. Partilhar, sentir amor.

8 – Para finalizar, uma pergunta pessoal. O que a música representa em sua vida? Obrigado por nos atender!

Ela é a minha vida! Música é importante para o ser humano!

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Música de verdade, por gente que faz a diferença!